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quarta-feira, janeiro 31, 2007

DOIS DE FEVEREIRO, DIA DE YEMANJÁ. ODOYÁ!



YEMANJÁ
Este Orixá é natural de Abeokutá, na Nigéria, local onde seu culto prolifera com muita intensidade, mas seus principais seguidores são os naturais de Egbado localidade cuja rainha é Okoto, também conhecida como Osá. Seu principal templo está localizado em Ibará, bairro de Abeokutá e, embora seja cultuada no rio Ogum, seus seguidores vão, anualmente, recolher água para lavar os seus axés, numa fonte de um afluente denominado rio Lakaxa.
Yemanjá seria tão velha quanto Obatalá (em algumas regiões), e talvez tão poderosa quanto ele. É filha de Olóòkun que em Benin é considerado como um deus e em Ifé como uma deusa, cujo reino são os oceanos. Olô – Senhor, dono Okun – Oceano. Teria sido casada com Orunmilá ou Oxalá de quem gerou filhos, ou seja: os demais Deuses, nossos Orixás.
Conta uma lenda que Yemanjá, cansada de viver em Ifé, seguiu em direção ao Oeste indo instalar-se no "por do sol". Inconformado com o abandono Oxalá mandou seu exército à sua procura. Cercada pela tropa, Yemanjá, ao invés de se deixar prender, quebrou um frasco contendo um líquido mágico que lhe havia dado seu pai Olokun, o que fez com que surgisse ali mesmo, um caudaloso rio, cujas águas a levaram até o oceano, local de residência de seu pai.
Por seu caráter intempestivo, Yemanjá perdeu a hegemonia do mundo terrestre assumindo, desde então, domínio sobre a orla marítima em cujo movimento hora calmo, hora agitado e revolto, tem representada a sua personalidade inconstante.
Seu nome em yoruba, Yéyé Omo Ejá (Iyemonjá), significa: "Mãe de Filhos Peixes", ressalta, sobremaneira, seu instinto maternal, uma vez que assume como filhos todos os seres humanos, independente de quais sejam os seus.
Isto está exemplificado num Itan Ifá que descreve a forma como Yemanjá assume a maternidade de Omolú, filho legítimo de Nanã, desprezado pela própria mãe por ser portador de lepra.
Yemanjá representa, portanto, o instinto maternal, assumindo, de muito boa vontade todos os seres humanos como filhos bastando, para tanto, que se recorra aos seus préstimos e que se solicite sua proteção.
Como Oxum, Yemanjá tem, mesmo na África, diversos nomes, todos relacionados aos lugares diferentes e profundos do rio onde é cultuada. Para algumas casas de santo no Brasil, sua relação com o oceano, está também ligada ao fato de ser através deles que os negros aqui chegaram a bordo dos navios como escravos. Como ansiavam por se tornarem livres e retornarem para sua terra natal, e também pelo fato dela ser considerada mãe de todas as pessoas, recorriam a ela com esta expectativa.
Na África é representada por imagens de madeira com seios enormes, símbolo da maternidade fecunda.
O fato de possuir seios enormes tornava Yemanjá demasiadamente suscetível e qualquer menção a eles, era motivo mais do que suficiente para despertar a sua fúria.
Uma lenda narra de que forma um comentário irônico, feito por seu marido, em relação aos seus seios, fez com que Yemanjá, irritada, bate-se com o pé no chão provocando o surgimento de um rio que a teria transportado para o oceano, da mesma forma que na lenda anteriormente descrita.
Segundo as tradições, Yemanjá veste-se de diversas cores, destacando-se, dentre elas, o branco, o azul, o verde-água e o rosa, sempre em tons claros e transparentes.
Aprecia rosas brancas como oferenda e é certo que, seus filhos, quando têm problemas de saúde, possam recuperá-la oferecendo a Orixá, um ramo destas flores na beira da praia.
Na África, Yemanjá é cultuada no rio Ogum (Odo Ogum), onde recebe regularmente os presentes oferecidos por seus filhos e seguidores.
Nas Américas, no entanto, onde seu culto é grandemente difundido, recebe oferendas nas águas do mar. Sua saudação mais comum é "Odo Iyá!" Que significa "Mãe do Rio". Outras formas de saudá-la, utilizadas no Brasil são: "Erú Iyá!" E "Odo fé Iyagbá!" Sendo que esta última saudação, muito utilizada nos ritos de Umbanda, significa: "Amada Senhora do Rio".
É chamada também de "Iyá Ori" (Mãe da Cabeça), devido à crença de que o líquido existente no crânio entre a massa cefálica e a parede craniana, pertence a ela, estando, desta forma, presente e representada em todas as cabeças. E também pelo fato de que durante a gestação, Oxum retém o sangue menstrual, para que Yemanjá possa atuar no útero, a fim de que nele seja gerada uma outra vida.
No Brasil, grandes festas em louvor dela são organizadas na passagem do ano e no dia dois de fevereiro, ocasião em que seus fiéis, reunidos em grandes grupos ou sozinhos, depositam suas oferendas nas águas do mar.
A festa de dois de fevereiro na Bahia atrai para a praia do Rio Vermelho, uma multidão imensa de fiéis que formam longas filas diante da porta de um pequeno templo construído em sua honra, sobre um promontório que domina toda a praia.
No Espírito Santo, sua festa mais famosa e disputada, acontece em Jacaraípe, em frente ao Templo a ela erguido em 1977, pelo senhor Orlando Santos, Presidente da UNESCAP e precursor desta homenagem, juntamente com o apoio da associação dos pescadores de Jacaraípe, sem os quais seria impossível o transporte das oferendas.

Texto de: Sérgio Silveira, Odé Mutaloiá, Vice-Presidente da Unescap, Membro do Conselho sacerdotal, Escritor e Pesquisador.

Contatos com a UNESCAP:
uniaoespiritacapixaba@yahoo.com.br

Contatos com Sérgio:
odemutaloia@hotmail.com

quinta-feira, janeiro 25, 2007

HOMENAGEM PÓSTUMA À TÁTA FOMOTINHO, A RAIZ DO JÊJE NO RIO DE JANEIRO

Antonio Pinto de Oliveira, conhecido como "Tata Fomotinho" nasceu em Salvador - Bahia em data desconhecida.
Foi numa visita ao candomblé do Sejá Hunde, em Cachoeira, que Antonio foi tomado por seu vodun, "bolando" de forma definitiva.
A queda de Antonio representou um problema para a Mãe de Santo da casa, Gaiaku Maria Angorense, já que, por tradição, jamais havia raspado um homem, postura que pretendia manter até o fim de sua vida.
Ao consultar Ifá, no entanto, a sacerdotisa foi obrigada a render-se à vontade de Oxum que não abria mão da exigência de ser "feita" na cabeça de Antonio e, naquela casa. Assim, Antonio foi recolhido num barco composto de oito yaôs, sendo ele o único representante do sexo masculino.
Depois de iniciado, Antonio participava como Pai Pequeno na casa de candomblé de Manuelzinho de Oxóssi, filho de Maria Neném. Como a casa era de Angola, Antonio passou a ser chamado pelos yaôs de "Tata" e assim ficou definitivamente conhecido como "Tata Fomotinho".
Transcorria o ano de 1930 quando Antonio, a bordo de um navio do Lloyd Brasileiro, chegou ao Rio de Janeiro, acompanhado de seus amigos João Lesengue e Bananguami.
O jovem sacerdote foi residir numa casa muito humilde situada na rua Navarro, mudando-se, pouco tempo depois, para a estrada da Portela, 606, no subúrbio de Oswaldo Cruz.
Naquela época a repressão ao candomblé era terrível, mas Antonio, contava com a proteção de Paulo da Portela, fundador da tradicional Escola de Samba da Portela, o que de certa forma, mantinha a polícia distante da casa de candomblé.
Foi somente em 1935 que Tata Fomotinho, depois de haver plantado definitivamente os fundamentos da casa, confirmou o seu primeiro ogan, tratava-se de um jovem fuzileiro naval, Agostinho, mais tarde Pejigan Gebê, primeiro ogan de Oxum.
No dia 16 de janeiro de 1936, auxiliado por seu ogan e por sua amiga Maria da Cruz, Fomotinho tirava seu primeiro barco de iyaôs, do qual faziam parte Olegário e Marcionílio.
Pouco depois o axé era transferido para a Estrada do Areal de onde se alastraria. A semente por ele trazida da distante Bahia transformava-se em tronco sólido que estendia inúmeros galhos representados por seus muitos filhos de santo.
No dia 8 de junho de 1961, na esquina da rua Silva Gomes, no subúrbio de Cascadura, Tata Fomotinho foi atropelado por um lotação que trafegava em alta velocidade, sendo socorrido em estado desesperador no Hospital Carlos Chagas.
A recuperação foi lenta e dolorosa, mas, meses depois, o sacerdote reassumia suas funções na casa de candomblé. Sua saúde, entretanto, ficara muito abalada e, no dia 19 de fevereiro de 1962, Tata Fomotinho foi acometido de derrame cerebral quando se encontrava em São Paulo. Socorrido no Hospital das Clínicas daquele Estado foi, depois, transferido para a casa de seu filho de santo Jamil de Omulú e daí para a residência de Marcionílio no Rio de Janeiro.
Mas foi em Nilópolis, na casa de seu filho Djalma de Lalú, que Táta Fomotinho, no dia 26 de junho de 1966, veio a falecer.
Dele ficou, além da saudosa lembrança, um legado religioso inestimável, preservado por todos aqueles que foram por ele iniciados, cujos nomes relacionamos a seguir:
Vodunsis: Olegário, Beija-flor, Marcionílio, Antonio Cabeludo, Djalma de Lalú, Jorge de Yemanjá, Leandro, Esmeralda, Jorge de Oxóssi, Corina, Orlando de Omulú, Natália, Zezinho da Boa Viagem, Lucinda, Nicéia, Lucy, José Velho, Idelfonso, Edith, Irene, Marina, Jacy, Jorge de Omulú, Durval de Logun, Joana de Ogum, Berenice, Ivan, Manú, Petronílio de Oxóssi, Avanir, Luíza, Lusinete, Arlete, Tiana, Gumercindo, Filomena, Jorge, Marcílio, Luiza de Oxum , Belinha, Hilbert, Walter, Ernani, Orlando, Edith, Ester, Babazinho, Aidê, Negazinha, Joana, Nina, Toninho, Otávio, Décio, Jamil, João d'Ogun, Ladislau, Valmir, Jussan, Jorge Macuco, Joventino, Maria dos Santos, Leninha, Matilde, Fernando de Oxaguian e Cavalcante de Oxalá.
Ogans: Agostinho, Bento, Beto, Eduardo, Luiz, Walter, José, Damasceno, Wilson, Gabriel, Rubens e Miúdo.
Ekéjis: Sara, Biê e Rosa.

OBS: Pesquisa realizada no Centro de Estudos Afro Americano – CECAA, por Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambaranguange: Odé Mutaloiá.
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terça-feira, janeiro 23, 2007

JOÃOZINHO DA GOMÉIA

João Alves Tôrres Filho nasceu em Salvador - Bahia, no dia 27 de março de 1914.
Filho de João Alves Torres e de Maria Vitória Torres, sua avó, africana e ex-escrava, teria morrido com 116 anos de idade.
Nascido em família católica, João assistia regularmente as missas na igreja de sua paróquia, chegando a participar das mesmas como coroinha.
De família pobre, o menino viu-se obrigado a trabalhar muito cedo e seu primeiro emprego foi num armazém de secos e molhados onde ganhava o salário de vinte e cinco mil réis, com direito a pernoitar no depósito onde dormia sobre sacas e caixotes.
No emprego João conheceu uma senhora idosa e solitária que o convidou a residir em sua companhia na Estrada da Liberdade, 561.
A "Madrinha", forma carinhosa com que João tratava sua protetora, fez com que estudasse em escolas noturnas e cuidava do menino como se fosse seu próprio filho.
A influência desta senhora, filha de Oyá e iniciada em Cachoeira, foram fundamentais para definir a trajetória religiosa de João.
Apresentando problemas de saúde para os quais os médicos não encontravam solução, o jovem foi levado por sua madrinha ao candomblé de Severiano José de Abreu, conhecido em toda a Bahia como Jubiabá. João
estava então com 16 para 17 anos.
No dia 21 de dezembro de 1931, Oxóssi, na cabeça do jovem yawo, "rodava" e "dava o nome".
Com a morte de Jubiabá, João abriu seu próprio candomblé na localidade denominada Alto da Goméia, nome que seria dado popularmente ao novo axé.
Em 1948 o babalorixá mudou-se para o Rio de Janeiro, transferindo seu candomblé para a rua General Rondon, 360 no bairro de Copacabana, em Duque de Caxias.
Em 1966, já famoso e prestigiado, João voltou à Bahia onde tomou obrigação com a saudosa mãe de santo Menininha do Gantois, incorporando-se, assim, a uma nova raiz.
Transcorria o ano de 1971 quando, em São Paulo, o babalorixá sentiu-se mal, sendo atendido, no dia 6 de fevereiro, no Hospital São Paulo na Vila Clementino, onde permaneceu internado até o dia 19 de março, data do seu falecimento.
Seu corpo foi trasladado para o Rio de Janeiro onde, em 21 de março, seria sepultado no cemitério de Duque de Caxias, sob forte temporal que inundou toda a cidade.
João, que segundo dizem, teria iniciado a mais de mil pessoas, deixou uma lacuna ainda não ocupada em nossa comunidade religiosa.
Seu trono permanece vazio.
Seu cetro, Oxóssi levou para o Orúm.


Adilson de Oxalá
Pesquisa Realizada por Sérgio Silveira, Tatetú N'Inkisi Odé Mutaloiá
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Tel: 0 (xx) 27 3282/1860

segunda-feira, janeiro 22, 2007

HISTÓRIA DE SÃO SEBASTIÃO


Conhecido como Oxossi em alguns estados como o Rio de Janeiro e Espírito Santo, e como Xapanã, (qualidade de Omulú) nas casas de Batuque no Rio Grande do Sul. Na Umbanda, é patrono das falanges de Caboclo e estes nada fazem sem reverenciar este santo. Na Igreja Católica é protetor contra a peste a fome e a guerra.

Segundo pesquisas realizadas sobre sua vida, Sebastião teria nascido em Narvonne, França, nos idos do século III, e era ainda menino quando seus pais se mudaram para Milão, local em que ele foi educado e cresceu. Como sua mãe, Sebastião sempre foi piedoso e forte em sua fé, o Cristianismo.

Ao atingir a fase adulta, alistou-se como era de praxe no serviço militar, servindo nas legiões do Imperador Diocleciano. Este Imperador ignorava que ele era cristão. Sua figura imponente sua bravura e prudência, logo chamaram a atenção de Diocleciano que o nomeou Comandante de Sua Guarda Pessoal, o que Sebastião usou para se tornar um protetor e guardião de todos os cristãos encarcerados em Roma. Era com freqüência que os infelizes, vítimas do ódio pagão recebiam dele palavras de consolo, nas quais ele animava aos que iria em breve sofrer o martírio, mostrando-os que receberiam a glória no céu.

Assim seguia ele, confortando e amparando as vítimas da intolerância, enquanto o Imperador seguia sua perseguição, culminando por expulsar todos os cristãos de seu exército. E foi então nesta época que Sebastião foi denunciado por um soldado, Diocleciano sentiu-se traído imensamente, afinal era ele, o comandante de sua guarda pessoal. Mandou que prendessem imediatamente seu comandante e o trouxessem à sua presença. Mas tamanha foi sua perplexidade, quando ouviu da boca do próprio Sebastião a confissão de que era realmente cristão. Diocleciano então, tentou fazer com que ele abdicasse de sua fé, ao que ele com firmeza disse que não, e ainda mostrou vários motivos que o convenciam cada vez mais a seguir sua fé, usando-a para socorrer os aflitos e perseguidos.

Tomado de uma ira descomunal, Diocleciano ordenou aos soldados que o matassem a flechadas, ordem esta que foi cumprida imediatamente: os soldados o levaram para um descampado, tiraram-lhe toda a roupa, amararam-no em uma árvore e atiraram uma imensa quantidade de flechas (que posteriormente passaram a ser seu símbolo). Depois foram embora, deixando-o pr que morresse de tanto sangrar.

Mas como a providência Divina não falha, ao cair de noite, a mulher de um outro mártir chamado Castulo, foi com algumas amigas onde se deu a execução, a fim de retirar de lá seu corpo e conceder-lhe uma sepultura. Esta mulher chamava-se Irene. Ao se aproximarem de Sebastião, viram que ele ainda estava vivo, o que de forma alguma poderia ter acontecido, dado a quantidade de flechas que lhe foram atiradas, fazendo com que fosse impossível a qualquer ser humano sobreviver. Assim elas o tiraram da árvore, e Irene o escondeu em sua casa, cuidando para que suas feridas cicatrizasse. Após completamente recuperado daquele mortífero ataque, Sebastião rejeitou a idéia de se esconder, e deu continuidade ao seu processo de evangelização, terminando por se apresentar ao Imperador e até mesmo censurando as perseguições e injustiças praticadas por ele contra os cristãos.
Porém mesmo com todas as provas dos poderes que vinha dos céus, Diocleciano ignorou todos os pedidos de seu antigo comandante, e determinou que ele fosse morto com pauladas e golpes de bolas de chumbo. Se negava assim Diocleciano a reconhecer um poder maior que o seu: O Poder de Deus! Insatisfeito com a morte de Sebastião, o Imperador a fim de impedir que seus seguidores levassem seu corpo e o venerassem, mandou que o jogassem em um esgoto público de Roma.
Mas uma piedosa mulher chamada Luciana recolheu seu corpo e deu-lhe uma sepultura nas catacumbas. Estes fatos se passaram no decorrer do ano de 287. Muito depois, no ano de 680, seus restos (relíquias) foram transportados com solenidade para uma basílica construída pelo Imperador Constantino, onde se encontram até hoje. Uma terrível peste destruía Roma na época e desde o translado de seus restos mortais, ela simplesmente desapareceu.
Foto:São Sebastião, por Mantegna
Odé Mutaloiá
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segunda-feira, janeiro 15, 2007

Cancelamento de e mail

Venho informar a todos, que à partir desta data, por motivos de troca de provedor, não mais estarei usando o e mail do uol. Todas as mensagens deverão ser encaminhadas apenas para os endereços: odemutaloia@hotmail.com, e, odemutaloia@pop.com.br.
Pena que as pessoas aos nos procurarem para resolver uma questão seja ela qual for, pensem que somos possuidores de poderes mágicos, ao invés de enxergarem que apenas somos sacerdotes e sacerdotisas. Não vêem que não possuímos Varinha Mágica, e que assim sendo Jamais poderemos resolver suas questões da noite para o dia. Muitos quando nos procuram, pensam que ao entregarem uma oferenda aos Orixás, seus problemas desaparecerão imediatamente, mas se esquecem de que no plano espiritual, o tempo não é o mesmo da terra, e de um outro fator importante: O Merecimento! Sim, sem o merecimento nossos antepassados pouco podem fazer por nós, afinal eles cumprem a mesma lei que rege tudo e todos; a lei de Deus nosso pai.

Existem ainda aqueles que pensam que ao se iniciarem no santo, levarão uma vida de paz, alegria e prazeres tão somente. Doce engano. Não procuram aprender e se o fazem simplesmente se esquecem de que nosso espírito se aperfeiçoa dia a dia, e este aperfeiçoamento se deve justamente em nosso aprendizado diário e infinito. Temos que enxergar que nossos problemas são nada mais nada menos que degraus que galgaremos um de cada vez, são os temperos de nossas vidas, são as maiores formas de aprendermos a valorizar aquilo que temos e que possuímos de maior valor: NOSSA VIDA! Ao nos proporcionar a vida, nosso Criador tão somente espera que cumpramos nossa tarefa de aprender e assim podermos voltar para junto dele cientes de nossas responsabilidades mesmo como espíritos desencarnados.

Mas nossos consulentes, filhos e amigos esperam algo que não podemos oferecer: a eliminação de seus problemas. Tudo que nossos antepassados podem fazer e que é importantíssimo é dar-nos a fé e o amor para passarmos por nossas provações com humildade e tolerância. Humildade para nos resignarmos e tolerância para sabermos que além de toda esta tribulação que é o planeta terra, existe um mundo melhor, onde a justiça e a paz reinam absolutas. Tanto nossos orixás e até mesmo nossos caboclos e pretos-velhos, ajudam-nos constantemente, mas nossa incoerência faz com que apenas olhemos as tormentas de nossa vida, e não a ajuda e amor indispensáveis que nos chegam dia após dia. Claro que todos queremos um mundo melhor, isso não pecado algum, mas este mundo está longe de alcançarmos, pois que nossa arrogância, impaciência e incompreensão nos levam cada vez mais a um caminho de sofrimento. Somente com muito amor, paz e humildade poderemos construir este mundo tão sonhado.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambaranguange, Odé Mutaloiá.

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