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segunda-feira, outubro 15, 2007

O DOCE SABOR DE SER INCIADO


Em tempos saudosos, os iniciados na doutrina e nos mistérios dos orixás, sentiam verdadeiro orgulho em serem chamados de Yawôs, de tomarem a benção aos mais antigos, como também em se referir a todos os zeladores e zeladoras, como seus pais e mães.

Mas o que acontece hoje em dia é no mínimo desastroso, pois os iniciados sentem vergonha de serem chamados de Yawôs, e até mesmo de se referirem aos mais velhos como seus pais e mães. Infelizmente isso reflete a péssima doutrina e exemplos que estes estão tendo em suas casas, local onde deveriam aprender com seus zeladores, a importância de um Mukuiu no Zambi, um Kolofé Olorúm, ou de um Motumbá Axé.

Estes zeladores estão mais tendenciosos às pompas do que aos preceitos de nossos antepassados. Mais buscam a soberba e o orgulho do que a humildade, um exemplo que nossos deuses tanto apreciam e amam.

Os antigos costumavam dizer que ser zelador é antes de tudo ser servidor de seu santo como dos santos de seus filhos. Nunca davam importância nem espaço para certos fatores que tanto denigrem a imagem de suas casas e de seus orixás.

Se bobearmos, somos agredidos por estes iniciados sem que seus orixás nada façam para coibir tanta arrogância e tanta soberba. Somos invadidos por pessoas que não levam em conta nosso tempo de santo, tão somente por se intitularem dofonos ou dofanitinhos deste ou daquele orixá. Mas, esquecem-se de que com certeza nosso Adôxo ou Oxú, possuem muito mais tempo que os seus.

Não valorizam as pessoas tão somente por serem de outro axé que não seja o seu. Mas, isso se deve especialmente à arrogância de seus sacerdotes que não sabem impor a doutrina e lei de nossos antepassados, o que com certeza os entristecem lá em seu mundo.

Faz-se necessário que esta doutrina de respeito e abnegação seja refeita antes que nossa fé sucumba em um mundo que em hipótese alguma condiz com esses seres maravilhosos que guardam e regem a natureza.

Sinto saudade dos tempos em que achávamos Doce o Sabor de sermos Iniciados e tínhamos orgulho em sermos chamados de Yawôs, pois sabíamos que um dia estaríamos sentados em nossas cadeiras de Ebomis, um direito que conquistaríamos com nossa humildade e amor e não comprando com dinheiro, ou seja, lá o que for.

Lembremo-nos sempre que orixá é amor e humildade e jamais soberba e orgulho.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange, Odé Mutaloiá. Escritor, pesquisador, babalorixá e vice-presidente da UNESCAP, União Espírita capixaba, e membro de seu conselho sacerdotal.

Contatos:

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odemutaloia@hotmail.com