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sexta-feira, novembro 09, 2007

QUAL NOSSO ERRO?

A cada dia que passa mais me assusta a situação na qual nos encontramos como praticantes das religiões afro-descedente. Temos sido massacrados dia após dia, sem que nada seja feito realmente por parte de nossos representantes, para coibir tais males que tanto denigrem o nome de nosso país.

As igrejas evangélicas, vêm se destacando cada vez mais, pela prática de denegrir nosso nome, nossa fé. Basta que assistamos a seus programas de televisão para termos consciência de tal situação. Ainda outro dia, se não me falha a memória, Quarta Feira, dia 7 de Novembro, estava a procurar algo interessante nos canais de t.v quando deparei-me com uma senhora que se dizia EX MÃE DE SANTO, ou melhor, EX MÃE DE ENCOSTO, relatando fatos que com certeza jamais existiram em casas de verdadeira fé e culto aos nossos ante passados.

Segundo ela, “O ENCOSTO QUE NELA SE MANIFESTAVA, ENGANAVA AS PESSOAS, POIS PEDIA MATERIAIS E DINHEIRO PARA RESOLVER ALGO, MAS QUANDO O SERVIÇO NÃO DAVA RESULTADO, ELES PEDIAM VALORES CADA VEZ MAIS ALTOS, LEVANDO A PESSOA A GASTAR CADA VEZ MAIS SEM QUE NADA FOSSE RESOLVIDO”.

Queridos, dentro de minha vida espiritual, mesmo antes de me tornar sacerdote, nunca vi em casas sérias, espíritos que pedissem quantias em dinheiro para resolverem os problemas dos consulentes. Vi sim, pedirem materiais, e indicarem que a pessoa conversasse com seu médium, quando era um serviço mais complicado para saber se ele cobraria por tal, e se assim fosse, as pessoas JAMAIS tinham que gastar exorbitâncias alguma.

Só me pergunto se esta senhora realmente foi algum dia uma Zeladora mesmo, pois que ao que parece, era dessas pessoas que usam de má fé, e quando são descobertas pelas pessoas que freqüentavam suas casas, simplesmente saem da religião e começam a se dedicarem a difamar a anterior.

Tenho visto até mesmo filhos que simplesmente ignoram seus pais biológicos, quando estes praticam o candomblé ou umbanda, e eles, os filhos são freqüentadores de igrejas evangélicas. Seria isso uma prática condizente com quem se diz seguidor da doutrina de Jesus Cristo?

Posso afirmar que essa prática em nada condiz com as normas de Cristo, uma vez que ele pregou a união entre todos sem discriminação, pregou a tolerância e pediu: “faça a teu próximo somente aquilo que gostaria que ele lhe fizesse”. Vemos nesta passagem a maior clareza de amor e pedido de perdão e tolerância entre a humanidade em geral.

A revolta vem crescendo dentro de muitos praticantes de nossa religião e isso pode culminar com ações gigantescas na justiça, basta para isso que nos unamos independente de sermos ou não de nações semelhantes de candomblé, se somos umbandistas somente ou não. Temos que nos conscientizar de que antes de tudo somos irmão de fé, e se juntarmos nossas forças poderemos sim, exigir na justiça que nos respeitem em nossa crença, pois que vivemos em um país livre e a constituição e até mesmo a carta dos direitos humanos da ONU, garantem a todos o direito de professar sua fé sem sofrerem qualquer tipo de constrangimento ou impedimento.

Afinal o que fizemos de tão grave contra essas igrejas e seus sacerdotes? Qual nosso erro? Nunca queimamos pessoas em fogueiras, não saímos por aí invadindo templos cristãos, não patrocinamos guerra a fim de ficarmos com parte do botim. O que fizemos para sofrer tanto na mão dessas pessoas que se dizem seguidores de Cristo, mas que agem como se fossem Pôncius Pilatos ou seus carrascos?

Unamos-nos irmãos antes que eles, os verdadeiros FALSOS PROFETAS, culminem por transportarem-se e a nós também em uma viagem no tempo, e retomem as fogueiras em praça pública.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá. Escritor, pesquisador e babalorixá.

odemutaloia@hotmail.com

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