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terça-feira, dezembro 25, 2007

ANO NOVO


Estamos nos aproximando de mais um ano. Uma nova etapa de nossas vidas se iniciará em 31 de Dezembro. Entraremos em 2008 e novamente renovaremos nossas esperanças e desejos de uma vida melhor, com mais justiça, menos miséria, mais paz para a humanidade e todos os antigos e velhos anseios da humanidade.

Para muitos esse ano será regido por Ogum, pois começará numa terça-feira, dia de seu culto dentro do candomblé. Dentro de sua forma de visão, cada um está certo em sua suas homenagens e ritos a fim de que possa ter um novo ano com saúde, paz, prosperidade etc. e tal.

O problema é que algumas pessoas alcançam seus ideais, mas a maioria segue sua vida da mesma forma: sofrendo e passando por problemas tantos que muitas vezes pensam até mesmo em desistir da caminhada, o que por si só, já é uma afronta a Deus, mas seguem independente de suas dores, seu caminho.

Chamo a atenção aqui para o fato de que: de nada nos adianta tantas oferendas, tantas obrigações se o principal nos esquecemos: seguir fielmente os caminhos de nosso Pai Celestial e obedecer as suas leis. Poderemos alcançar todos os nossos objetivos, neste ano e em todos os que virão posteriormente, para isso basta que nos aproximemos mais de Deus.

A humanidade afasta-se cada vez mais de nosso Supremo Criador, realizando obras totalmente avessas às suas determinações: odiamos, sentimos remorso, caluniamos, mentimos, desejamos o mal para nossos irmãos,e tantas outras coisas a mais que seria impossível relatar aqui nesta humilde página.

Creio eu como sacerdote, que a partir do momento que nos reconciliarmos com Deus, independente de nossa religião ou credo, estaremos muito perto de vermos todos os nossos objetivos alcançados. Nossos Orixás, é claro, se empenham em nos ajudar a conseguir tudo que desejamos e pedimos, tanto na passagem de ano, como durante o decorrer de nossas vidas, mas muito pouco podem fazer se nós não nos fizermos merecedores das graças que solicitamos.

Afirmo isso, pois que nossos pais e mães seguem a única lei que rege o universo inteiro: a lei de Deus. E essa lei, é incorruptível, não é uma lei falha como a dos homens, pois ela se baseia na justiça a fim de promover o bem a todos seus filhos espalhados por este mundo.

Assim, como alcançarmos as coisas boas que ansiamos se dentro de nós, apenas desejamos vingança, guardamos ódio, inveja e outros mais? Como esperar que nossos orixás, seres que governam a natureza nos dêem o que pedimos se agredimos a natureza de todas as formas, matando árvores, animais e plantas que nunca saíram de seu habitat para nos prejudicarem?

Somente no dia que realmente praticarmos as leis de Deus e seguirmos os ensinamentos de nossos antepassados estaremos prontos a receber tudo que desejamos. Temos que entender que nossos orixás, santos, inkisis, voduns, ou seja, lá a forma que os chamamos, também obedecem a essas leis e a elas estão sujeitos.

Deixemos de lado a soberba, ódio, vingança, luxúria, difamações e outros sentimentos e atos repulsivos, nos aproximemos mais de Deus e veremos o quanto nossos Orixás podem fazer por nós.

Não devemos nos esquecer jamais de que a lei de nosso amado pai é somente uma: quem deve paga, quem merece recebe.

Em minha vida sacerdotal, tenho encontrado pessoas que se alarmam com o fato de eu e outros zeladores pregarmos o nome Deus e mesmo empregarmos em nossas liturgias. Vejo pessoas que quando falamos em Jesus Cristo, se calam, pois acreditam somente em nossos orixás. Oras renegar a existência de Cristo é renegarmos a existência do próprio Deus! Não que vamos seguir os ensinamentos das igrejas cristãs, até mesmo porque nossa doutrina se afasta em muito das suas. Mas daí a acharmos que apenas nossos orixás regem nossa vida é uma larga e extensa avenida.

Como posso, por exemplo, ir aos pés de meu pai Odé, pedir perdão por meus erros, se sou incapaz de perdoar àqueles que me ofenderam ou magoaram? Como posso solicitar aos orixás que me ajudem na solução de qualquer problema, se meu coração é somente ódio, se meu pensamento é somente vingança?

Temos que aprender que nossos conhecimentos são para ajudar as pessoas e JAMAIS para prejudicá-las. Se assim agirmos garanto que muita coisa mudará em nossas vidas. Quem de nós nunca sentiu raiva de alguém que nos roubou, que fez com que perdêssemos um emprego? Mas, aprendi um ditado com meu saudoso pai biológico que diz assim: “quando o diabo nos fecha uma porta, é porque em algum lugar Deus nos abriu uma janela, e a janela aberta por Deus, vale mais que 100 portas do diabo”.

Com esse ditado, não quero fazer apologias aos ensinamentos das igrejas sobre esse ser, até mesmo porque como candomblezista acredito em Deus e em meus Orixás e não nesse tal de diabo. Mas uso-o como forma ilustrativa e para mostrar a grandeza dos ensinamentos nele contidos.

Deus meus irmãos, é amor, paz, humildade, solidariedade, alegria, compartilhamento. E assim também são nossos orixás. Quem de nós teria hoje coragem para acusar alguém? Seríamos capacitados para dizer que fulano ou fulana está errado em seus atos e assim o condenarmos? Claro que não! Somos seres ainda em aperfeiçoamento e estamos longe de merecermos e possuirmos tal direito.

Se alguém nos fez mal, lembremos de que Deus tudo vê e tudo sabe. Entreguemos em suas mãos a decisão sobre tal ato. Mas também agradeçamos a ele por aquela chance de nos tornarmos dignos de seu nome e de suas bênçãos, pois acredito que o mal que nos fazem, é na verdade forma de Deus nos fazer crescer e aprimorar nossa alma e nossos conhecimentos. Deixemos que ele julgue a todos nós seres humanos. Façamos nossa parte para o crescimento da humanidade em geral e colheremos frutos maravilhosos.

Um dia, em minha adolescência, reclamei com meu pai carnal, de dificuldades que eu passava, pois que me casei muito cedo, fui pai com 19 anos e estava muito dificultoso carregar aquela responsabilidade. Falei com ele que em alguns momentos achava a vida muito injusta, e ele me respondeu apenas: “ANTES DE RECLAMAR DE SUA COLHEITA, LEMBRE-SE DE SUA SEMEADURA”.

Meu pai era Kardecista e seguia as leis de Deus no maior rigor que podia: não odiava a quem quer que fosse não reclamava das dificuldades, não se lamuriava, nunca vi meu pai desejar mal a quem quer que fosse ele simplesmente se conformava com as coisas que Deus impunha em sua jornada, pois dizia que: VIVER É TÃO SOMENTE COLHER HOJE O QUE PLANTAMOS ONTEM”.

Nunca foi rico financeiramente, mas nunca o vi passar fome, ao contrário, seu dinheiro era suficiente para a família e para ajudar a quem dele precisasse. E seu desencarne foi algo muito bonito, pois desencarnou em casa, em meus braços e de minha mãe e foi uma morte digna, pois não sofreu como já vi outros sofrerem, simplesmente teve o que a medicina chama de morte súbita.

O que desejo com isso? Mostrar que devemos nos preparar para o dia de voltarmos para junto de nosso verdadeiro pai. Limparmos nossos corações e deixarmos que nossa alma caminhe nos preceitos de Deus e de nossos Orixás.

Neste fim de ano, brindemos, regozijemos junto dos que amamos, mas não nos esqueçamos de perdoar a quem nos machucou, e sobre tudo: APROXIMEMOS-NOS DE DEUS E ASSIM CONSEGUIREMOS ALCANÇAR TUDO QUE DESEJAMOS E MUITO MAIS.

FELIZ ANO NOVO!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá. Escritor, pesquisador e Babalorixá.

odemutaloia@pop.com.br

odemutaloia@hotmail.com