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domingo, julho 20, 2008

MUKUIU, KOLOFÉ, MOTUMBÁ.

Saudosos os tempos em que essas palavras eram usadas com amor e orgulho pelos iniciados no Axé Orixá. Tínhamos orgulho em pedir a benção de uma pessoa mais velha, pois, significava para nós a proteção, o reconhecimento, enfim, tudo de melhor que poderíamos ter e desejar.

Hoje as pessoas parecem sentir vergonha de pedirem nossa benção e quando o fazem, podemos notar que é de forma automática, somente por obrigação mesmo e como se desejassem nos fulminar.

Aprendi dentro da casa onde me iniciei que uma benção de uma pessoa do santo, é na verdade a benção do próprio Orixá, e que jamais deveríamos nos negar a pedir a benção de quem quer que fosse, uma vez que mais tarde nos tornaríamos um zelador ou zeladora e essas as bênçãos recebidas em nossa jornada como yawô, seriam nossa principal base de sustentação.

As pessoas de hoje, sentem repúdio ao pedirem um Mukuiu, Kolofé, Motumbá, acham-se poderosos demais para tal atitude, esquecendo-se de que dentro de nossa religião, o que conta é a humildade acima de tudo. Arrogância e prepotência nunca foram partes da iniciação de uma pessoa, ao contrário éramos repudiados quando demonstrávamos tais ações e atitudes.

Os nossos mais velhos eram respeitados e amados, até por que precisávamos de sua experiência como uma criança precisa da experiência de seus pais. Nunca vimos nossos mais velhos desrespeitando as leis do santo como vemos hoje em dia. Tanta coisa a ser aprendida e perdem seu tempo com fofocas, orgulho, soberba, esquecendo-se de que é justamente com os antigos que aprendemos até mesmo a acender uma vela para nosso orixá.

Mas, a religião segue em frente, muito embora cada dia mais as igrejas estejam cheias de dissidentes do Candomblé, que ao verem suas ânsias de aprendizagem frustradas, se dedicam noite e dia a difamarem quem os acolheu em seus momentos mais difíceis quando não tinham nem mesmo um caminho a seguir. E por que fracassaram? A resposta é simples: fracassaram porque Orixá e humildade acima de qualquer coisa e nossos mais velhos jamais passam seus verdadeiros conhecimentos a quem não faça por merecê-los.

Refaçamos nossa jornada, aprendamos a nos colocar a mercê de nossos guardiões e veremos tudo se transformar para melhor em nossas vidas.

Sérgio Silveira, Tatetú N’inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

terça-feira, julho 15, 2008

PERSEGUIÇÃO AOS TEMPLOS DE UMBANDA E CANDOMBLÉ

Estamos em pleno Século XXI, mas a sensação que temos é que estamos no início ou meados do Século XX, onde os templos de Umbanda e Candomblé eram invadidos, e sofriam todos os tipos de perseguição assim como seus seguidores. Temos recebido várias reclamações sobre tais acontecimentos, os sacerdotes das religiões afro-brasileiras, estão sendo perseguidos em suas casas, por seguidores de igrejas evangélicas, que jogam pedras, e promovem todos os tipos de retaliação e perseguição as casas de caridade.

Solicitamos a esses sacerdotes que entrem em contato com a UNESCAP através do E Mail uniaoespiritacapixaba@yahoo.com.br ou pelo telefone 27 3282-1860 e falem com o Presidente de nosso Conselho Sacerdotal e Religioso, para que possamos encaminhar suas reclamações e denúncias ás autoridades policiais para que tais atos sejam coibidos.

Não podemos nos calar diante de tanta arbitrariedade, e lembramos aos dirigentes de igrejas que estamos amparados pela Constituição Federal que garante a livre prática religiosa a todos os brasileiros.

Orlando Santos, Presidente da UNESCAP.

Sérgio Silveira, Presidente do Conselho Sacerdotal.

quarta-feira, julho 09, 2008

A RELIGIÃO PEDE SOCORRO

Há muito tempo, vários seguidores do Candomblé e da Umbanda, vêm abandonado as casas de santo, sacerdotes antigos estão preferindo fechar as portas de seus templos, a continuar atendendo clientes e filhos de santo. Quem mais perde com isso, somos nós, sacerdotes que poderíamos com isso aprender mais ainda com esses antigos zeladores, e também perdem os filhos nossos que se vêm recebendo bem menos fundamentos que os de outrora.

Quem vive nesse hall, sabe que santo é um eterno aprendizado acima de qualquer coisa, sabe que quanto mais vivemos, mais aprendemos que nosso aprendizado só se dá por encerrado quando Olorúm (Deus) nos chamar de volta para sua morada.

Enquanto vemos VERDADEIRAS LENDAS de nossa religião se afastando, vemos por outro lado, um MAR DE FALSOS PROFETAS, DE CHARLATÃES se aproveitando da boa fé dos consulentes que recorrem aos seus préstimos sem saber que na verdade, estão entrando uma verdadeira arapuca. Temos visto pessoas sem o mínimo preparo, atendendo através de algo sagrado como o Oráculo de Ifá, falando asneiras para as pessoas, com o intuito tão somente de ganhar dinheiro.

Vemos também as Igrejas se encherem de pessoas que se dedicam sem dó nem piedade a nos atacarem, a nos difamarem e com isso difamarem nossos ancestrais, nossos Orixás. Temos acompanhado através de jornais e televisão um crescente número de notícias de assassinato, sendo associadas a nossa religião. Culminam por dizerem: “tal ato aconteceu em um terreiro de macumba”! E nada fazemos para coibir tais arbitrariedades.

Precisamos com urgência rever nossos conceitos, solicitarmos que esses mais antigos zeladores retomem seus cargos e suas casas e assim sendo, nos submetermos à humildade de aprendermos com eles.

Sabemos que uma pessoa até mesmo para acender uma vela e invocar o nome de um orixá, tem que estar preparado para isso, pois do contrário terá sido em vão até mesmo a vela, que dirá as oferendas.

Quantos de nós não se encontra com um sentimento de vazio em nosso peito e nossa alma devido a tantos acontecimentos? Levantemo-nos, pois, e busquemos na natureza a força para que nossos mais velhos se voltem novamente para a religião e nos ensinem como procedermos dentro de nossa fé para que nossas oferendas sejam plenamente aceitas por todos os santos e possamos assim realmente praticar o Candomblé e a Umbanda que herdamos de nossos antepassados.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Mutaloiá.

Contatos:

odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@pop.com.br

domingo, julho 06, 2008

POR QUE TANTA SUNTOSIDADE?

Em tempos outrora, as pessoas que praticavam a religião de nossos antepassados, tinham-na apenas no sentido religioso, e não como fonte inesgotável de renda. As pessoas que buscavam ajuda nas casas de santo, iam em busca de auxílio espiritual para a solução de seus problemas, e em nada significavam para elas, o poder, o luxo, ou qualquer outra coisa que não fossem os conhecimentos dos sacerdotes.

Mas, hoje em dia, sacerdócio tem que ser sinônimo de poderio econômico, de luxo e suntuosidade, muito pouco tem valor os conhecimentos dos zeladores das casas de orixá.

Os barracões antigamente, eram construções simples, mas hoje em dia, se não forem palácios luxuosos, não têm valor junto aos pretensos clientes. Uma vez que essas pessoas avaliam os fundamentos dos zeladores pela imponência de seus templos. Não vêm que com isso estão colaborando para que pessoas de má índole ganhem espaços maiores, e quem termina pagando caro por isso, é justamente esse consulente.

Verdadeiros sacerdotes não se preocupam com luxo, não têm avareza, e quando cobram por seus serviços, os valores não são de forma alguma exorbitantes como os cobrados por charlatães. Esses exigem muitas vezes que as pessoas até mesmo se desfaçam de bens que possuem para pagar por seus serviços, e sempre os resultados são ínfimos e até mesmo jamais aparecem.

Trocaram-se o conhecimento por valores econômicos, tiraram as verdadeiras razões de existir do orixá, e as substituíram por valores e interesses comerciais. Apenas me pergunto onde vamos parar com tanta ganância e ânsia de poder. As pessoas não buscam mais os terreiros apenas por amor aos orixás, mas sim, para obterem favores totalmente equívocos diante das forças desses seres que governam a natureza.

Se observarmos algumas imagens de televisão, por exemplo, veremos que em sua grande maioria, as pessoas que se dedicam ao santo, são de pouca cultura, pessoas que lutam no dia a dia pelo pão de cada dia. Que mesmo que cobrem o chão, ou axé, o que é de direito sim, não exploram as pessoas, não fazem essa cobrança de forma errônea, uma vez que, ao pedirmos valores exorbitantes ao consulente, estamos deixando de lado a principal identidade de nossos orixás: A Religião.

Religião ao que me consta, não combina com essas práticas, ao contrário, muitas vezes as pessoas que buscam ajuda nos terreiros, já não possuem recursos fartos, e nessa hora devemos praticar a fé acima de tudo.

É imprescindível que pratiquemos uma religião verdadeira e não apenas o interesse financeiro e comercial. Lembremos que a situação de uma pessoa hoje, pode ser perfeitamente a nossa no amanhã.

Lembremos que fé nunca foi suntuosidade, e conhecimentos não são medidos por templos luxuosos e muito menos soberba.

Mantenhamos nossos pés no chão, tratemos os assuntos de nossos antepassados e de nossos clientes com mais responsabilidade e aí estaremos combatendo de forma direta os meios que usam membros de outros seguimentos religiosos para nos atacarem e nos difamarem.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

Babalorixá, escritor, pesquisador e Presidente do Conselho Sacerdotal da UNESCAP, União Espírita Capixaba.

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