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domingo, julho 06, 2008

POR QUE TANTA SUNTOSIDADE?

Em tempos outrora, as pessoas que praticavam a religião de nossos antepassados, tinham-na apenas no sentido religioso, e não como fonte inesgotável de renda. As pessoas que buscavam ajuda nas casas de santo, iam em busca de auxílio espiritual para a solução de seus problemas, e em nada significavam para elas, o poder, o luxo, ou qualquer outra coisa que não fossem os conhecimentos dos sacerdotes.

Mas, hoje em dia, sacerdócio tem que ser sinônimo de poderio econômico, de luxo e suntuosidade, muito pouco tem valor os conhecimentos dos zeladores das casas de orixá.

Os barracões antigamente, eram construções simples, mas hoje em dia, se não forem palácios luxuosos, não têm valor junto aos pretensos clientes. Uma vez que essas pessoas avaliam os fundamentos dos zeladores pela imponência de seus templos. Não vêm que com isso estão colaborando para que pessoas de má índole ganhem espaços maiores, e quem termina pagando caro por isso, é justamente esse consulente.

Verdadeiros sacerdotes não se preocupam com luxo, não têm avareza, e quando cobram por seus serviços, os valores não são de forma alguma exorbitantes como os cobrados por charlatães. Esses exigem muitas vezes que as pessoas até mesmo se desfaçam de bens que possuem para pagar por seus serviços, e sempre os resultados são ínfimos e até mesmo jamais aparecem.

Trocaram-se o conhecimento por valores econômicos, tiraram as verdadeiras razões de existir do orixá, e as substituíram por valores e interesses comerciais. Apenas me pergunto onde vamos parar com tanta ganância e ânsia de poder. As pessoas não buscam mais os terreiros apenas por amor aos orixás, mas sim, para obterem favores totalmente equívocos diante das forças desses seres que governam a natureza.

Se observarmos algumas imagens de televisão, por exemplo, veremos que em sua grande maioria, as pessoas que se dedicam ao santo, são de pouca cultura, pessoas que lutam no dia a dia pelo pão de cada dia. Que mesmo que cobrem o chão, ou axé, o que é de direito sim, não exploram as pessoas, não fazem essa cobrança de forma errônea, uma vez que, ao pedirmos valores exorbitantes ao consulente, estamos deixando de lado a principal identidade de nossos orixás: A Religião.

Religião ao que me consta, não combina com essas práticas, ao contrário, muitas vezes as pessoas que buscam ajuda nos terreiros, já não possuem recursos fartos, e nessa hora devemos praticar a fé acima de tudo.

É imprescindível que pratiquemos uma religião verdadeira e não apenas o interesse financeiro e comercial. Lembremos que a situação de uma pessoa hoje, pode ser perfeitamente a nossa no amanhã.

Lembremos que fé nunca foi suntuosidade, e conhecimentos não são medidos por templos luxuosos e muito menos soberba.

Mantenhamos nossos pés no chão, tratemos os assuntos de nossos antepassados e de nossos clientes com mais responsabilidade e aí estaremos combatendo de forma direta os meios que usam membros de outros seguimentos religiosos para nos atacarem e nos difamarem.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

Babalorixá, escritor, pesquisador e Presidente do Conselho Sacerdotal da UNESCAP, União Espírita Capixaba.

Contatos:

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