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terça-feira, janeiro 27, 2009

PARA SERMOS ZELADORES TEMOS QUE SER PREPARADOS.

Infelizmente nos dias atuais, mais e mais pessoas que se autodenominam zeladores e zeladoras de Orixá, abundam o cenário da maravilhosa religião que tanto amamos. Acontece que vão em busca de ‘conhecimentos “(?) em livros que prometem ensinar jogo de búzios, e até mesmo fundamentos secretos de nossa religião, e assim saem por aí enganando as pessoas, se dizendo preparados nessa ou naquela casa, e muitas vezes apenas ouviram citar os nomes de zeladores conceituados, e assim terminam por macular o nome de nossos antepassados e de nossa fé.

Acontece que nossos segredos não são ensinados em livros, revistas e afins, mas são passados de pai para filho e somente os verdadeiramente iniciados recebem seus direitos sacerdotais e assim mesmo se tiverem o que chamamos de Balaio de Axé, ou seja: seu santo traz aquele cargo.

Para que possamos ser zeladores de santo, somos preparados em um período nunca inferior a sete anos, e durante esse tempo aprendemos todos os atos sagrados de nossa religião, sendo uma gota aqui e outra ali, pois nada é passado sem que a pessoa esteja no tempo certo para aprender.

Para que possamos jogar búzios, são feitos rituais muito sérios e esses somente são feitos na obrigação em que nós, rodantes, ou seja: que incorporamos nosso Orixá, recebemos nosso Deká, ou seja: Nossos Direitos Sacerdotais, e assim mesmo, ainda passamos anos e anos dando satisfação a nosso pai ou nossa mãe de santo de nossas atitudes para com os orixás.

Ninguém, ninguém mesmo, recebe seu jogo de búzios antes da hora, e jogar búzios não consiste apenas em decorar quedas e sairmos por aí apenas pra ganhar dinheiro.

Somos muito bem instruídos ao recebermos nosso Deká, pois jogo de búzios é um contato direto Ayê – Orúm, ou seja: Terra com Céu, numa linguagem mais clara, o jogo de búzios é a ponte de contato de nosso mundo com o mundo sagrado dos Orixás.

É importante que antes de adentrarmos em uma casa de santo, saibamos a procedência de seu zelador e que possamos obter o maior número possível de informações sobre ele e sua casa.

O que encontramos hoje em dia, são pessoas que, na melhor das hipóteses são recém iniciados nos mistérios dos Orixás, não tendo a mínima capacidade para exercer o sacerdócio, e em outros casos e nem por isso menos ou mais agravantes, pessoas que jamais passaram por nossos fundamentos, abundam os anúncios de jornais e outros meios a fim tão somente de ludibriar as pessoas de boa fé, que buscam ajuda para seus problemas.

Se por acaso alguma pessoa desconfiar da procedência de alguma casa, basta procurar uma das federações que existem na cidade e ali verificar se essa casa e esse sacerdote possuem licença para funcionamento.

O mesmo acontece com cartomantes e afins, pois que todos nós que praticamos qualquer tipo de ato pertinente a espiritualidade, somos obrigados a mantermos vínculo com alguma federação.

Não precisamos ter um terreiro aberto para que tenhamos a necessidade de um alvará de federação, basta termos até mesmo em nossa residência o habito ou algum cômodo para atender clientes, seja com incorporação, búzios, cartas, (tarô, baralhos: cigano, dos anjos ou outros), runas ou qualquer outro processo de atendimento que ali deve conter um alvará religioso, e se aquela pessoa se desloca de sua cidade ou estado, é obrigatório que leve sua carteira de identificação fornecida pela federação a qual é filiado, e, lá chegando procure a federação mais próxima para dar satisfação dos atos que ali irá praticar.

O mesmo devemos fazer quando uma pessoa se apresenta em nossa casa com título de sacerdote. Se desconfiarmos de alguma coisa, peçamos que nos apresente a carteira de identificação da federação de sua localidade, pois se ele é realmente um sacerdote, terá tal documento. Temos que entender que tais atitudes são para que possamos moralizar nossa religião e o bom nome de nossos antepassados.

Já presenciei casos em que pessoas se diziam oriundas de casas de zeladores conceituados e após algumas poucas conversas, provaram que tudo não passava de uma tentativa de enganar.

Acontece queridos, que nós zeladores temos como sabermos se uma pessoa realmente é oriunda da casa que se diz ser. Existem determinados segredos que somente sendo de um certo templo poderemos afirmar ou não, e aí é que está a grande diferença.

Por outro lado, as federações deveriam se preocupar mais em investigar cada casa, saber da procedência daquele zelador ou zeladora e assim, caso seja provado a sua incompatibilidade com o sacerdócio, que sua casa seja fechada em prol do bom nome de nossa fé.

O que acontece nos dias de hoje é que muitas pessoas andam enganando, mentindo, tão somente para explorar as pessoas em seus momentos de dor e sofrimento. Jamais uma federação proibirá um zelador de cobrar seu chão, o que as federações orientam é com relação à exploração da boa fé das pessoas.

Moralizar nossa religião é preciso, pois o que vemos hoje em dia são pessoas se auto intitulando isso ou aquilo, promovendo verdadeiras anarquias e enlameando o nome de uma religião muito mais antiga que o cristianismo, que é o culto aos Orixás.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@gamil.com

segunda-feira, janeiro 26, 2009

QUEM DISSE QUE A HUMILDADE E A VERDADE NÃO EXISTEM MAIS?

Como sacerdote, viajo todo o Brasil atendendo pessoas que solicitam a interferência dos Orixás em suas vidas, a fim de ajudarem a solucionar vários problemas em setores variados. E em cada estado por onde passo, sempre que o tempo favorece dado aos exercícios do sacerdócio, tento visitar algumas casas nas quais sou convidado para algum evento religioso.

Estando em Belo Horizonte, fui convidado pelo Alabê Davi de Odé, a visitar a casa de seu zelador, Kafunanguê, e qual foi a surpresa que Minas Gerais guardava para mim...!

Sábado, dia 25 de Janeiro de 2009, me dirigi a essa casa de Obaluayê, situada no Bairro Santa Lúcia, em Belo Horizonte, Orixá que amo em especial, a fim de assistir a um festejo em homenagem a Oxossi, pela passagem de seu dia. Ao chegar nesta casa, já me deparei com a primeira surpresa: humildade, e não ostentação. Por ali fiquei conversando com o ogã Davi e apreciando a energia que emanava daquele templo.

Como sacerdote, não pude deixar de observar que as energias ali eram de muita paz, amor, carinho dedicação, algo que faz bem a todos, somente de pisar em seu terreno. Observei a distribuição das Insabas sagradas, algo que se deu com o maior respeito, uma vez que aqueles que se dedicavam a tal ato, não conversavam nada sobre o mundo, mas sim, elevavam seus pensamentos aos céus em busca das energias dos Orixás a fim de manterem a positividade dentro do Ilê.

Observei que mesmo aqueles como o Ogã Davi, que saíam a fim de arejar um pouco a mente, se preocupavam em manter uma sintonia com o ato que ali seria realizado, evitando assim brincadeiras e qualquer outra coisa que não fosse coesa e coerente com os rituais, coisa que muito pouco se vê.

Ao se aproximar à hora do evento religioso, mais uma surpresa: as filhas e filhos de santo se dedicavam em formarem suas correntes, sem conversa, sem risos, apenas com seus rostos estampando a mais pura fé e amor em seus Orixás.

Finalmente os atabaques anunciaram o início do festejo. Observei que o zelador adentrou em seu salão, e com muita fé, sem mesmo desviar seu olhar para outro local que não fosse o padê de exú que ali havia sido depositado com o mesmo amor e dedicação por alguns filhos de santo.

Então após os ritos iniciais, começou o festejo tão aguardado por todos nós que ali estávamos. E nesse momento, revela-se a maior e feliz surpresa para qualquer sacerdote: vi caboclos se incorporarem de forma exata, sem maiores delongas e com tanta firmeza que suas energias podiam ser sentidas por quem quer que ali estivesse.

Após os caboclos serem vestidos e aparados pela Mãe Ekedi que ali estava a sua disposição, retornaram para a sala com as comidas a serem oferecidas na belíssima mesa que fora preparada para os caboclos. Inclusive essa mãe Ekedi que, diga-se de passagem, é de Yemanjá, me chamou a atenção dado a sua humildade e carinho que estampavam em seu rosto.

Com as comidas arriadas e as rezas de praxe proferidas, vi caboclos dançarem e até mesmo se dedicarem a descarregar todos que ali estavam, com tanto amor que era em alguns momentos, difícil até mesmo de conter a emoção.

Houve um fato em particular que me chamou a atenção: os caboclos não bebiam em exagero, apenas tomavam goles de Jurema, servida em coités e nada de excesso de bebidas, apenas o suficiente para que pudessem absorver a força que ali estava naquela bebida sagrada.

Em dado momento, o Caboclo Lua Nova subiu e incorporam-se os boiadeiros, afinal casa de santo não faz um samba de Caboclo sem essas entidades. Aí então tive o privilégio, a honra de conhecer o Boiadeiro do zelador, chama-se “Boiadeiro Leão do Norte”. Quanta humildade e sabedoria pude observar em suas palavras e atitudes. Pude conversar com ele mais de uma hora corrida e vi que ali estava uma entidade que apesar da imensa sabedoria, tem somente uma preocupação: honrar o nome de nosso Pai Oxalá. Nem mesmo esse boiadeiro bebia em excesso, e sua humildade era tão grande que a tudo dizia com suas palavras que assim podiam ser traduzidas: “honras e glórias, somente Deus e os Orixás merecem”.

Em dado momento nossa conversa adentrou para os caminhos da imensa preocupação que muitas vezes consome a mente e o corpo das pessoas, e ele me surpreendeu com uma frase que por mais que viva nunca esquecerei: “Aconselho a todos a serem como eu: nunca me desesperei com nada, pois sei que depois de uma noite vem o dia e depois do dia sempre tem a noite”, ou seja: por mais que os problemas existam, a vida continua e se tivermos fé em Deus tudo se resolve.

Após o término da sessão, pude finalmente entabular conversação com o zelador da casa, meu irmão Cafunanguê e vi que sua humildade transpassa os de muitos de nós. Vi uma pessoa que somente se preocupa em servir o Orixá, em buscar uma solução para os problemas daqueles que recorrem a sua interseção junto aos nossos Santos para o auxilio de seus problemas. Notei que ele, Kafunanguê, não se reportou a quem quer que fosse em momento algum, com soberba e orgulho, mas sim, com a humildade que deve ter um verdadeiro sacerdote.

Conversamos até altas horas da noite, e cada assunto que abordávamos, ele sempre dizia de seu amor aos Orixás, horas com palavras, horas com gestos que demonstravam tanto amor quanto a muito tempo não via dentro de um ser humano.

Outro fator que me chamou e muito a atenção, foi que os ogã da casa, não beberam nada em momento algum a não ser água, nem mesmo a Jurema dos Caboclos eles provaram.

Relato esses fatos queridos, não no intuito de jogar confetes em quer que seja, pois os que me conhecem, sabem que jamais me preocupo em falar seja lá o que for para agradar a quem quer que seja ao contrário: falo o que sinto e penso não me importando com outra coisa que não seja a verdade, e também sabem que minha única preocupação é com o nome de minha religião e de meus Orixás. Se relato esses fatos é porque tão somente desejo mostrar o que há muito tempo venho proclamando:

Uma casa de santo se faz com seriedade, com amor e com muita humildade acima de tudo. Fui iniciado nos preceitos dos Orixás, sendo ensinado que por mais que tenhamos anos e anos de santo, nunca seremos mais que servidores de nossos orixás. Aprendi que um zelador vive para servir tanto seu Orixá, como os de seus filhos de santo, que somos hierarquicamente superiores a nossos filhos, mas que perto de seus orixás, somos como uma formiga perto de um elefante, afinal são seres que governam a natureza e com certeza nos conhecem muitíssimo bem.

Parabenizo aqui ao meu irmão Kafunanguê por sua casa e rogo à Olorum e a todos os Orixás, para que possa essa casa se erguer cada vez mais e assim, dar seguimento as raízes deixadas para nós pelos africanos que aqui plantaram seu axé.

Parabéns meu irmão, e que Obaluayê te cubra de bênçãos e prosperidade,e que sua vida possa ser tão prospera quanto os grãos de areia em uma praia.

Parabéns Alabê Davi! Parabéns por sua conduta e a de seus irmãos e filhos e que sua casa possa sentir toda a prosperidade de Odé meu pai.

ZAMBI NO AKUATESSÁ!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

domingo, janeiro 25, 2009

EXÚ O GRANDE GUARDIÃO

Muitas são as pessoas que louvam essa entidade nas casas de Umbanda e Candomblé, mas poucos são os que o compreendem em sua forma real. Confundem normalmente essa entidade com o diabo, o capeta do cristianismo, mas na realidade, sua função é muito mais importante do que pensam todos.

Exú para ser mais compreendido deve-se primeiro ter a explicação correta de seu nome: essa palavra em yorubá se traduz como esfera e não como capeta. E sua função dentro dos templos religiosos é algo de suma importância e de um valor incomensurável: é ele quem guarda os portais que dão acesso ao nosso mundo, esses portais são utilizados pelos espíritos para virem e voltarem de nosso mundo.

Sabemos que o universo paralelo, existe e simplesmente vivemos em nosso dia a dia sem termos a noção do que acontece em nossa volta, sem nos darmos conta de que seres invisíveis estão a nossa volta noite e dia, trabalhando em nosso favor. Porém para que eles possam permanecer ao nosso redor, utilizam de portais para irem e virem conforme suas necessidades e permissão. E é justamente aí que exú desempenha seu papel principal, ele guarda essas portas a fim de que forças terríveis não invadam nosso mundo e consumam de vez com a humanidade.

Que temos uma alma e que essa é imortal, todos sabemos, que após nosso desenlace nos transformamos em eguns, conforme nossas atitudes, também sabemos, mas, e para que esses eguns não atravessem as portas sem permissão? É aí que esse grande guardião entra: ele abre ou fecha as portas conforme a solicitação de esferas, inclusive a nossa.

Sem exú não teria como existirem as casas de santo, nem mesmo as de Umbanda, uma vez que ao iniciarmos os trabalhos, eles se apresentam em meio a nós e se incumbem de purificar o ambiente a fim de que nossos guias de luz e mesmo nossos Orixás possam trabalhar em nosso favor. Claro que alguns perguntarão: “mas se existem esses guardiões, por que volta e meia nos deparamos com pessoas vítimas de entidades inferiores”? A resposta é simples:

Como seres encarnados e utilizadores dessas forças astrais, somos responsáveis direitos por tudo que acontece em nosso mundo. Se chamamos uma entidade para ajudar um enfermo, um pai de família desempregado, essa entidade virá e trabalhará sim em prol desse pedido, não impostando se ela for um exú, caboclo, preto-velho ou mesmo um egum. Mas, por outro lado se utilizamos essas portas pra chamarmos entidades para destruírem a vida de outros, virão seres inferiores, infernais mesmo e aí desencadearemos forças que jamais poderemos controlar. E para desmancharmos algum trabalho desse gênero, é que entra nosso Guardião o Exú.

Sendo o primeiro a ser homenageado, é ele quem se incumbirá de abrir os portais para que esses seres sejam levados de volta para seus habitats ou mesmo para prisões onde ficarão a espera de julgamento e formas de se redimirem do mal que fizeram aqui em nosso mundo.
Se compararmos nosso mundo com o mundo dos espíritos, poderemos observar que lá existem exércitos assim como os daqui e neles, a exemplo do que acontece nos exércitos terrenos, existem os sentinelas e os guerreiros e cada um desempenha sua função para que possa seu lado sair vencedor.

Exú em nada pode ser lembrado como um guerreiro dos infernos, mas sim, como um guardião dos mistérios de Deus, aquele que guarda os segredos de nossos Orixás, caboclos e Pretos velhos, e também como disse anteriormente os portais que ligam os dois mundos.

Ainda perguntarão os céticos: “mas se exú não é o diabo, por que se apresentam em sua estátuas, com chifres e em seus assentamentos com tridentes”?

Muito simples: a sua aparência com chifres em suas estátuas são apenas formas dadas por eles mesmos a fim de mostrem sua força. O chifre, corno, ou seja, lá como chamamos, sempre foi utilizado por povos antigos, como sinônimo de poder, riqueza, virilidade. Apenas seguindo uma influencia negativa do catolicismo, usaram esse símbolo de exú para mostrarem-no como servo de satã, que, aliás, nunca existiu na mitologia afro, nem em outras, por ser apenas uma expressão do cristianismo. E suas ferramentas com o tridente, é fácil a explicação:

O tridente representa os caminhos que temos a escolher e dependerá de nós mesmos o qual escolheremos. Também o tridente é tão somente uma arma de guerra muito utilizada em tempos remotos, sendo em época mais atual, pelos gladiadores romanos. Exú também está ligado à agricultura, pois o tridente se formos observar, é um instrumento utilizado na mesma, principalmente pelos que lidam com a cultura do feno, tão utilizado para alimentar os animais. Como vemos nada de satânico existe em exú, e se houver algum satanismo em sua cultura, esse pertence tão somente aos seres humanos que dele se utilizam para tentarem derrubar seus desafetos.

Ao invocarmos exú, invocamos antes de tudo um guardião, um guerreiro que a sabedoria infinita e suprema de nosso Pai Criador, disponibilizou para nós, a fim de nos livrar dos seres inferiores que nada mais são que pessoas que aqui nesse mundo foram más, e que depois de desencarnarem, foram aprisionadas em “infernos” que eles mesmos criaram.

Saibamos, pois, nos utilizarmos desses seres para a prática do bem, e veremos o quanto podem nos dar de riquezas espirituais incomensuráveis, como por exemplo, a retirada de véus que nos impedem de vermos a beleza real que existe no Reino de Deus nosso Supremo Criador.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gamil.com

odemutaloia@hotmail.com

quarta-feira, janeiro 21, 2009

A REALIDADE DOS GONGÁS DE UMBANDA

Eis uma parte muito mais sagrada nos templos de Umbanda do que muitos podem pensar. Às vezes tem-se a impressão de que se trata apenas de uma mesa na qual estão dispostas as imagens de Caboclos, Pretos Velhos, Boiadeiros e outros, além dos Santos Cristãos que ali se misturam.

Em primeiro lugar vale à pena esclarecer de que essas imagens de Santos estão no lugar certo sim, ao contrário do que pensam os que são contra o sincretismo. Essas imagens referem-se a seres que viveram sua vida na Terra e foram mortos por amor a Deus nosso Pai e a seu filho Jesus. Esse sincretismo utilizado desde os mais remotos tempos de existência da Umbanda forma o tripé na qual se apóiam os mensageiros Divinos que se manifestam na Umbanda com o sublime trabalho de nos auxiliarem em nossa jornada.

O gongá é de suma importância nos preceitos da Umbanda.

Quando proferimos as preces de iniciação dos trabalhos e defumamos a casa e os presentes, seres da natureza se apresentam a fim de purificarem com suas energias, tanto o ambiente quanto as pessoas que ali estão, sejam elas do corpo mediúnico, ou apenas assistentes.

Ao cantarmos os hinos de invocação de nossos guias protetores, é que o gongá mostra sua verdadeira realidade e funcionabilidade: a de ser um portal! Sim, nosso gongá é um portal que dá acesso aos espíritos ao mundo material.

Quando após a abertura, damos início aos trabalhos invocando a proteção do Glorioso Ogum, seus soldados adentram pelo portal aberto e imediatamente iniciam a limpeza do local, retirando o maior número possível de energias negativas, se tivermos o dom da visão, veremos Ogum com sua armadura, sua espada, entrando por essa passagem tridimensional e determinando que seus soldados comecem a limpeza espiritual que se fizer necessária.

Quando invocamos nossos protetores através de seus pontos (hinos) sagrados, forma-se uma corrente imediata entre nosso mundo e o dos espíritos, e assim, o gongá se abre como uma porta e através dele, vêm nossos guias na seguinte ordem:

Primeiro adentra pelo portal, o Guia Chefe da casa, olha, observa e então permite que venham os seus mensageiros, a fim de que purifiquem o ambiente e as pessoas, depois então o Guia Chefe se manifesta em seu médium para em seguida dar permissão, para que os demais Guias dos demais médiuns possam se incorporar e assim dar-se inicio aos trabalhos.

Durante toda a sessão, esse portal permanece aberto e conforme os cânticos evocados, por ele passam espíritos a fim de efetuarem os trabalhos necessários.

Por exemplo: se o guia canta um ponto para que seja descarregada a pessoa que está com problemas com obsessores e este ponto pede para que aquele espírito seja encaminhado preso para as ondas do mar sagrado, imediatamente, espíritos que residem nesse ambiente, passam pelo portal que é o gongá e começam a retirar aquele ser e encaminhá-lo para o mar, onde ficará aguardando determinações do plano superior.

Se aquele irmão for em paz, não oferecer resistência, o trabalho se desenvolve de melhor forma para ele, mas, se ele oferecer resistência, não aceitar que seja separado daquela pessoa que sofre, então, imediatamente, espíritos que servem como guerreiros do mar, atravessam o portal e uma batalha se trava, prendem o obsessor e o levam acorrentado para o mar.

O mesmo acontece com todas as esferas do plano espiritual, para onde seja solicitado que aquele irmão seja encaminhado. Por isso que o médium tem que estar sempre, muito bem preparado antes de ir para a corrente mediúnica, pois, depende dele estar bem preparado para que seu Guia possa efetuar o trabalho na pessoa. Temos que nos preparar, pois que somos ferramentas que nossas entidades utilizam em seus trabalhos em busca de aperfeiçoamento.

Como um médium que não se prepara devidamente, poderá ser utilizado por seu Guia? É importante que na véspera da reunião, não pratiquemos sexo, se pudermos, no dia devemos evitar a carne vermelha, nos abstermos na véspera e no dia do trabalho, de bebida alcoólica e nunca irmos para a sessão sem tomarmos um banho de descarrego.

Agindo assim, estaremos contribuindo para que nossas entidades possam se comunicarem sem interferência alguma conosco. Temos também que orarmos com fé à Deus, para que seus mensageiros venham até nós.

Outro fator de suma importância é o de antes de darmos início aos trabalhos, alimentarmos o Exú da casa, com velas, marafo e até mesmo uma farofa, para que ele fique de prontidão na entrada do templo, a fim de coibir a entrada de espíritos inferiores que poderão destruir com os trabalhos que ali serão realizados.

Essas entidades funcionam como Guardiões dos templos, como Protetores das entradas e até mesmo das estradas que dão acesso aos terreiros, e sem eles, qualquer entidade inferior se aproximaria e adentraria nos trabalhos. Existem aqueles seres inferiores que até mesmo se passam por nossos mensageiros, a fim de deixarem fluidos altamente negativos em nosso meio.

O portal em que se tornou o gongá permanece aberto até a finalização total dos trabalhos, oportunidade em que nossos Guias após realizarem suas tarefas, retornam por ele, aos seus locais de moradia, para lá, darem seguimento aos trabalhos que se iniciaram no templo.

Como podemos ver, o Gongá de Umbanda é de suma importância para nós e para nossos mensageiros, pois sem ele a sua vinda ao nosso mundo não se daria com tanta facilidade. E também por isso, é importante que mantenhamos nosso Gongá limpo, tanto das formas materiais, quanto das espirituais, trocando a cada sete dias a água de nossa vidência, mantendo- aceso com vela de sete dias e sempre que pudermos defumando-o a fim de que as energias possam estar renovadas sempre que delas precisarmos.

Honremos, pois, o nome de nossa Umbanda e respeitemos seus fundamentos e mistérios, e nos esforcemos para dar aos nossos Guias, todo o suporte possível para que tenhamos condições de fazer de nossa casa, UMA CEARA DE NOSSO PAI.


Sérgio Silveira Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

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domingo, janeiro 18, 2009

RESTRIÇÕES ALIMENTÍCIAS NO CANDOMBLÉ

Sempre, em todas as casas de Candomblé, existiram as restrições alimentícias, ou seja: o iniciado era privado do direito de ingerir alguns alimentos. Hoje em dia alguns zeladores dizem que tal privação é um equívoco, que a pessoa tem que se privar somente do lhe faz mal, pois isso sim é a quizila de seu orixá.

Mas, se os iniciados são privados de alguns alimentos, não é somente por ser quizila dos Orixás de forma geral, isso faz parte do sacrifício em prol de seu santo.

Sabemos que Orixá é antes de tudo sacrifício e abnegação, abrir mão incondicionalmente de muitas coisas que nos dão prazer na vida terrena como forma de mostrar amor a nosso pai ou mãe. E que forma mais aprofundada de mostrarmos esse amor, do que abrirmos mão até mesmo de coisas que gostamos de comer?

Existem aqueles alimentos que são sim, quizilas de forma geral, como: o caranguejo, o siri, demais frutos do mar, certas frutas e assim por diante. Mas algumas são impostas pelo zelador, seguindo uma orientação dos Orixás a fim de que seus filhos possam dedicar-lhes um sacrifício maior.

Dentro de qualquer religião, vamos encontrar restrições alimentícias, e os fiéis as seguem e respeitam por saberem, que faz parte de seus rituais sagrados e um bem maior está por trás delas. Dentro do Candomblé temos sim, que obedecer a essas restrições e entendermos que é para nosso próprio bem.

Ouvi uma vez dizerem que frutos do mar e sangue, é quizila por invenção de zeladores, que nada tem a ver com fundamentos. Engraçado, sou casado em uma família Mulçumana, me aceitam e inclusive me ensinam muitas coisas e em sua religião, eles jamais comem frutos do mar, ou alimentos feitos com sangue, como chouriço, galinha ao molho pardo etc.

Então creio eu que também praticam invenções de alguma mente obcecada? Claro que não! Essas proibições são partes de um mistério antigo e que talvez jamais nos seja revelado na atualidade dado justamente a grande modernização que tentam promover no culto aos Orixás.

Seguirmos as orientações de nossos zeladores e não inventarmos como zeladores, formas de contradizer os ensinamentos dos mais antigos, é também uma forma de amarmos nossos orixás e promovermos a fixação cada vez maior de nossa religião, pois que, quando começam a mudar regras e desejarem derrubar tabus de uma religião, com certeza ela beira a extinção, pois sem seus fundamentos ela não tem como existir.

Oriento a todos que sigam essas restrições, as respeitem, pois que dentro de nossa religião, nada é invenção de zeladores atuais, ao contrário: seguimos determinações que são passadas de geração a geração a muitos e muitos séculos.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

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sábado, janeiro 17, 2009

DEFUMAÇÃO

Um ato comum em terreiros de Umbanda, que é utilizado antes de começarem os trabalhos em qualquer casa deste seguimento. Mesmo dentro do Candomblé ao darmos um ebó em uma pessoa, costumamos defumá-la depois do banho e também, a casa, para que as energias se renovem.

Mas, poucas as pessoas dão o verdadeiro valor a esse ato, muitas inclusive nem mesmo sabem seu significado, pensam que é somente uma fumacinha cheirosa. Ledo engano!

A defumação é algo de suma importância dentro das religiões afro descendentes e até mesmo a Igreja Católica adota o uso da defumação em seus rituais. Esse ato tem um simbolismo magnânimo dentro dos preceitos do catolicismo, pois que durante esse ato, tem-se a idéia de que a fumaça cheirosa suba até Deus levando até ele um aroma agradável de louvor à sua soberania. Como os sacerdotes do tempo de Moisés que queimavam as carnes do carneiro sacrificado para que a fumaça subisse até Deus.

Dentro da Umbanda e do Candomblé, a idéia do aroma suave subindo até Deus, não se descarta, porém, no ato da defumação, gênios se apresentam a partir da fumaça, incumbindo-se de retirar do local, espíritos errantes e atrasados que atrapalhariam os trabalhos.

O mesmo acontecendo no Candomblé, pois que esses gênios se fazem presente levando para o astral, toda a energia negativa que estava junto daquela pessoa que passou pela limpeza, eliminando assim qualquer chance dessas energias permanecerem na casa de santo.

A defumação não é apenas um ato sem motivo real e sério, como, aliás, tudo que se refere aos assuntos da Umbanda e do Candomblé.

Existem defumadores para cada ocasião, e para cada caso em particular, temos que ter noção dos tipos de defumação e para que cada uma se aplica, existem defumações para purificar o ambiente, para atrair clientes para um comércio, para afastar energias de egum e exú quando essas estão atrapalhando a vida de alguém, temos a defumação para atrair amor e até mesmo virilidade para um casal.

Mas, seja qual for a utilização do defumador, é importantíssimo que o usemos com respeito e na certeza de que espíritos estão trabalhando a partir daquela fumaça emanada e assim são e devem ser respeitados e a defumação deve ser realizada com seriedade e amor, e acima de tudo: fé que nossos problemas serão resolvidos.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

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terça-feira, janeiro 06, 2009

NOS MOMENTOS MAIS DIFÍCEIS A FÉ É NOSSA SALVADORA!

Sabemos que o mundo anda perdido em um mar de crises que talvez seja um dos piores de todos os tempos. Temos a consciência de que é necessário lutarmos braviamente para que possamos transpor esse momento difícil que atravessa todo o planeta. Muitas vezes temos a impressão que estamos em um barco naufragando.

A crise seja ela por motivos alheios das grandes nações, seja por causa espiritual, mas, nos atinge da forma mais cruel que possa existir: se não mantivermos a calma, a paciência, ela atinge nosso convívio familiar.

Nessas horas é que nossa fé tem que ser mais forte que nunca! Temos que buscar em nossos Orixás, guias e mentores, a forma de solucionarmos esses problemas. Porém, não adianta recorrermos a eles, na esperança vã, de que vão com um passe de mágica resolver nossos problemas, afinal a crise é mundial!

Temos nesse momento, é que mostrar o amor que temos por Deus e nossos Orixás, a fé de que tudo se resolverá no momento mais propício para nós, e veremos que apesar da crise, manteremos nossas vidas, em certo nível que, se não nos for possível manter nossos padrões, ao menos não ficaremos com nossa mesa vazia.

Temos que nos acautelar muito, pois que, nessas horas, as forças do mal, tentam nos arrebatar para seu mundo de dor e sofrimento, e com certeza nossa vida tornar-se-á, um verdadeiro caos.

É imprescindível que busquemos à Deus e seus Ministros, nossos Orixás, e eles com certeza nos retribuirão com a calma que precisamos para resolvermos nossa situação. Afinal Deus é amor, o amor mais puro que possa existir.

Se nos deixarmos levar por forças estranhas às de Deus, condenaremo-nos e a nossos familiares a uma situação que dificilmente encontraremos solução mais tarde.

Diz uma célebre frase de William Shakespeare: “Não há noite tão longa que não encontre o amanhecer”! E essa frase é de uma incomensurável sabedoria! A noite nesse caso é a situação caótica que se encontra o mundo, onde para piorar, nação se volta contra nação, num brado de guerra, que tão somente tenta destruir inocentes, e mostra a estupidez e loucura do ser humano, esse ser que foi criado para ser a Imagem e Semelhança de Deus, mas que tão somente se assemelha em alguns casos a seres infernais.

Ao buscarmos o amor de Deus e nossos Santos, formamos uma barreira à nossa volta e esta impede a passagem das forças das trevas para nossas vidas. Certa vez ouvi de um sacerdote de religião cristã, que, “o diabo existe, mas somente entra em nossas vidas e nossa casa se for por nós convidado”. E como convidamos esse ser para nossas cassas? Xingando, esbravejando, blasfemando, brigando, soltando palavras e pensamentos negativos.

Acredito como todo candomblecista, de que inferno é alegoria, mas temos que aceitar que uma força do mal existe sim. E isso me foi passado por grandes sacerdotisas que temiam apenas o mencionar de alguns nomes e palavras. Essas Yalorixás me ensinaram que temos que nos ater ao que falamos, pois palavra solta no ar torna-se arma poderosa e pode se voltar contra nós mesmos.

É preciso queridos, amarmos a Deus mais que nunca, termos a certeza absoluta de que “somente o amor constrói”. E essa certeza é a mais pura fé que anima nossos espíritos e nos mantém na caminhada por esse mundo.

Termos fé em momentos tão difíceis é nos mostrarmos dignos da presença de Deus e de nossos Orixás, pois esses, tão somente esperam o momento certo, designado pela sabedoria Divina para interagirem em nossas vidas e assim nos trazer a solução para os problemas que nos afligem.

As obrigações são necessárias sim, mas, sobretudo como forma de solicitar a nossos Orixás, a força para nos manter firmes em nossa jornada, sem desistirmos de nossa cruz, que aceitamos antes mesmo de nos encarnarmos nessa terra.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

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quinta-feira, janeiro 01, 2009

2009 O ANO DE ODÉ E OYÁ

2009 chegou! Nesse ano teremos a regência de Odé, o grande caçador que nos traz boas notícias com relação a prosperidade e fartura. Junto dele reinará Oyá, que vem brandindo sua espada, trazendo justiça para o mundo, e anunciando guerras.

Temos que nos acautelar com esse novo ano, pois que, apesar da regência do caçador, o odú wáris governa todo esse ano. É um odú pesado, que pode nos levar a excessos variados, comprometendo assim nossa estrutura física, emocional, espiritual e até mesmo os relacionamentos amorosos.

Ifá orienta a evitarmos excessos de bebida, e todos os demais para que possamos passar esse ano sem maiores complicações. Temos também uma chance de termos mais um ano com muitas barbaridades acontecendo em vários locais do planeta, uma vez que esse odú traz não somente Oyá, mas Exú. Assim sendo pode ser que tenhamos um ano de muitos crimes bárbaros na terra.

O mais aconselhado é que as pessoas busquem sacerdotes sérios e solicitem que seja feito um jogo de búzios e uma cabala de odús a fim de se ver qual o número que rege a vida de cada um, e assim sendo, que se possam tomar as medidas necessárias a fim de evitar que danos maiores aconteçam em nossas vidas.

Devemos manter sempre que possível vela acesa para nosso anjo da guarda, regrada com mel de abelhas, e um copo com água ao lado para que as energias negativas sejam transmutadas para positiva. Resguardar as sextas feiras e as quintas, também são boas opções para que possamos caminhar com mais segurança nas estradas que esse ano de 2009 nos oferecer.

Mantenhamos nossa fé em Deus acima de tudo e em seus Ministros, nossos Orixás e com certeza teremos um ano de glória e prosperidade, pois o Grande caçador que Alimenta todas as Tribos está de novo nos regendo.

FELIZ 2009 COM MUITO AXÉ ODARA.

Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

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