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sexta-feira, maio 29, 2009

UMBANDA, UMA TERRA DE AMOR, CARIDADE E VERDADE.


Existem por aí algumas pessoas totalmente despreparadas, que, andam debochando da Umbanda, dizendo que ela não tem nenhum fundamento, que tudo ali, é na verdade, manifestação de espíritos atrasados. Chagam a dizer que Umbanda não passa de marmotagem!

Ledo engano! Posso garantir que quem não possui fundamento algum, é a pessoa que desfaz da Umbanda e de seus mensageiros. Pois se tivessem fundamentos reais, saberiam que antes de tudo, um zelador, respeita todas as religiões e não sai por aí a dedicar seu tempo, em difamar as pessoas e seus credos.

Umbanda queridos tem sim fundamentos e muito sérios! Nela existem mil coisas a serem feitas para ajudar a quem necessite. Possui a Umbanda, verdadeiras jóias do plano espiritual: seus caboclos e pretos velhos!

Os primeiros, espíritos de índios que viveram no Brasil e fora dele, e hoje nela se manifestam tão somente com o intuito de ajudar a quem os busque. Já os pretos velhos e pretas velhas, são espíritos de seres que deram suas vidas e seu sangue nessa terra como escravos e hoje vêm na Umbanda socorrer a nós mesmos, os brancos que fomos seus algozes e de seus familiares.

Colocam eles, toda a mágoa e tristeza de lado, e, se dedicam a ajudar a todos indistintamente, não se importando nem mesmo com nosso credo.

Nas leis da Umbanda, existem códigos que devem ser seguidos e obedecidos à risca. E um deles é o do amor e perdão. Não pode um Umbandista viver desejando mal para os outros, jogando praga ou mesmo, mentindo e enganando as pessoas, mas, isso os que se dedicam a difamá-la não enxergam.

Ser médium de Umbanda é sobre tudo, uma honra para os escolhidos por ela e por seus mensageiros, e, devemos ter muito orgulho de participarmos de uma religião tão bonita quanto essa.

Muitos zeladores de Candomblé, tiverem seu inicio na Umbanda e eu sou um deles. Trabalho nessa ramificação religiosa desde meus 12 anos de idade, e por mais que ame meu Orixá, nunca deixei de amar e de honrar o nome da Umbanda sagrada.

Saibam todos, que UMBANDA É TERRA DE AMOR, VERDADE E CARIDADE, e seus mensageiros, são trabalhadores na Seara de nosso Pai Oxalá e, andam sob a ordenança dos Orixás, sendo assim uma espécie de mensageiros deles.

Não menosprezem a Umbanda; ao contrário: aprendam a amá-la, até porque ela é a única religião genuinamente brasileira.

VIVA UMBANDA SAGRADA!

SALVE OS CABOCLOS, PRETOS VELHOS, MARUJOS E TODOS SEUS MENSAGEIROS!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

segunda-feira, maio 25, 2009

O USO DA BEBIDA NOS TRABALHOS DE UMBANDA

Em vários trabalhos que pudemos presenciar nos tempos dos antigos, víamos a bebida ser utilizada pelas entidades, mesmo os Exús, de forma regrada e sem qualquer tipo de exagero.

Acreditavam os antigos zeladores, que o uso indiscriminado da bebida, poderia atrair espíritos inferiores e, uma vez dentro dos Templos, não se poderia de forma alguma, controlá-los, nem mesmo prever-se o que poderiam fazer manifestados em médiuns da corrente.

A cachaça ao contrário do que pensam alguns, não é e nem nunca será uma aberração ou se traduzirá como “gandaia” para os Exús e Pombo Giras. Na verdade, ela é sua bebida sagrada, da mesma forma que o vinho o é para os Pretos Velhos e os Caboclos. Ao beberem suas pingas, essas entidades não praticam nenhum ato irregular, apenas manifestam sua alegria em estarem em nosso meio.

Apenas não devem os zeladores, permitirem que seu uso seja de forma indiscriminada, e que menores de 18 anos, manifestados ou não façam uso da mesma.

Quando falo da forma desenfreada do consumo da bebida, avalio pelas palavras e pelo conhecimento dos mais antigos, e todos nós sabemos que essa forma de uso da bebida atrai várias entidades sem luz, e, essas uma vez dentro das casas, podem até mesmo se passarem por Guias dos médiuns e aí então praticam atos totalmente contrários à lei da Umbanda e de Deus, nosso Pai Eterno.

Se uma entidade saboreia pequenos goles de sua marafo, continuará em sintonia permanente com seu aparelho, ou médium, mas, se por outro lado, esse uso ultrapassa os limites do aceitável, terminam por se afastarem de seus médiuns, e, aí então os obssessores tomam seu lugar, e muitas vezes, provocam até mesmo brigas dentro das casas, o que fere de todas as formas as Leis de Nosso Pai.

Já com menores de 18 anos, temos aí a chance de complicações seriíssimas para o dirigente daquela casa. Primeiro, porque fere os códigos civis e penais, que regem nosso país, e segundo que; sendo um ser ainda em desenvolvimento de seu corpo, o uso do álcool em qualquer quantidade que seja, compromete seu futuro.

Nós da UNESCAP, não permitimos o uso indiscriminado da bebida nem mesmo, seu uso por entidades manifestadas em menores de dezoito anos, tanto por respeito pela lei, como pela moralização da nossa religião.

As federações hoje em dia, aliás, têm se dedicado a explanarem sobre o assunto com os chefes de terreiros, bem como para todos os corpos mediúnicos das casas a elas filiadas.

É imprescindível que o uso da bebida alcoólica, seja feito de forma moderada, sem exageros algum, e ainda mais: respeitando se o médium está tomando algum medicamento.

Claro que a entidade ao se separar do corpo mediúnico que está se utilizando, leva consigo a bebida que consumiu, mas, não podem ultrapassar as leis e determinações médicas, afinal espíritas também se cuidam com médicos e precisamos deles em vários momentos de nossas vidas. Como disse o Próprio Cristo: “Que a matéria cuide da matéria e o espírito cuide do espírito”.

Por que então seria diferente conosco? Não! Temos que obedecer às ordens médias e também as limitações de nossos corpos. Temos que nos lembrar, e lembrarmos a nossos guias, que nosso corpo é seu templo e nós, suas ferramentas e como um profissional pode executar um bom trabalho sem a ferramenta estar em perfeito estado?

Esse alerta deve partir dos sacerdotes e serem explanadas sem descanso, seja por ele, bem como também, pelas cambonas e cambonos, ogãs, ekédis e demais médiuns que não se incorporam, como também deve ser citado na doutrinação dos médiuns das casas.

Se doutrinamos os médiuns, com certeza doutrinamos também suas entidades e estaremos elevando ainda mais nossa religião a um grau de aperfeiçoamento. Lembremos que nossa religião serve justamente para nosso aperfeiçoamento bem como de nossos protetores.

Assim sendo, utilizemos a bebida, mas com moderação para que nossas casas sempre estejam com harmonia tanto no desenrolar dos trabalhos, bem como em todos os momentos e assim, nossos filhos de santo, se sintam cada vez mais confiantes em si mesmo.

NOSSO CORPO É O PRINCIPAL TEMPLO DE NOSSOS ORIXÁS E DE NOSSOS MENTORES ESPIRITUAIS, CUIDEMOS DELE!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@hotmail.com


sexta-feira, maio 22, 2009

A FÉ, O PREPARO DO MÉDIUM E A GIRA SAUDÁVEL, ELEMENTOS IMPRESCINDÍVEIS PARA OBTER-SE RESULTADO EM UM TRABALHO

Tenho deparado em minha vida, com pessoas que dizem que hoje os trabalhos de Umbanda não dão mais o mesmo resultado que davam outrora. Que até mesmo as entidades parecem estar com menos força, pois que, antigamente, um caboclo, exú, preto velho ou qualquer outra entidade, riscava um ponto, cantava uma cantiga e praticamente na mesma hora tínhamos o resultado desejado. Mas, hoje em dia, lutamos meses para conseguirmos alcançar um resultado.

Mas, na verdade, não foram as entidades que perderam sua força. É a fé que parece não mais existir. Juntamos a isso a forma com que muitos médiuns vão para os Terreiros exercerem suas funções e veremos o que na realidade mudou dentro desse universo.

Em tempos outrora, as pessoas tinham a Umbanda como religião apenas e, assim sendo possuíam uma fé inenarrável em tudo que ali se realizava. E assim, consequentemente obtinham seus resultados.

Hoje em dia, as pessoas vão aos Templos em busca de soluções mágicas e, sabemos que isso não existe. Alguns, quando dentro das casas de caridade, estão com seus pensamentos voltados a qualquer coisa que seja, menos em contrição completa com seus ideais. Precisamos estar em sintonia com os espíritos ali manifestados para que possamos alcançar a graça que desejamos, mas, também estarmos cientes de que; antes de nos ajudarem em algo, as entidades levam em conta nosso merecimento.

Os médiuns por sua vez, em muitos casos, não vão para a corrente vibratória, como os mais antigos. Não se abstêm de carne vermelha na véspera dos trabalhos, não se resguardam de sexo e álcool. Os antigos tinham todo um ritual para poderem participar de uma sessão.

É certo que alguns médiuns ainda fazem valer a maneira dos antigos, mas são poucos, pois em sua grande maioria, estão mais preocupados com futilidades do que com seu mentor.

Preocupam-se com a roupa cara, e esquecem-se de que espírito não valoriza isso. Preocupam-se com a aparência como se fosse o ato mais importante do momento. Outros bebem, comem carne vermelha na véspera e no dia dos trabalhos, praticam sexo antes dos trabalhos, e isso atrapalha e muito a manifestação de seus guias.

Nossos guias são espíritos e para eles nada dessas coisas terrenas têm valor. Buscam na verdade a pureza de nossos corações e de nossas almas.

Uma corrente saudável, não possui também, um exagero de bebida alcoólica como vemos em alguns casos. Antigamente, mesmo os exús, bebiam de forma moderada seu marafo. Bebiam em coetés, e no máximo umas duas doses, em alguns raros momentos, bebiam três doses de pinga. Hoje em dia bebem de forma abusiva e isso faz com que, espíritos inferiores se aproximem daquele local e muitas coisas ruins acontecem.

Dentro de um trabalho espiritual temos que levar em conta que estamos lidando com seres que já viveram como nós, e, que hoje são partes de uma força cósmica que rege a própria natureza. Estão eles presentes seja no sol ou na chuva, no dia ou na noite, e assim sendo veem tudo que fazemos e até mesmo possuem o dom de verem nossos pensamentos.

Se fizermos nosso ritual preparatório: não comendo carne vermelha na véspera dos trabalhos, não ingerindo álcool nem praticando sexo no dia anterior e no dia de nossa corrente, se tomarmos um banho de ervas frias e cheirosas antes de nossos trabalhos, observaremos que muitas coisas melhorarão para melhor, até mesmo na comunicação de nossas entidades conosco veremos essa mudança.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@pop.com.br


quinta-feira, maio 21, 2009

A FUMAÇA DOS CHARUTOS E DOS CACHIMBOS

Dentro dos Templos de Umbanda, é comum nas giras, tanto os caboclos, exus, fumarem seus charutos, já os pretos velhos usam seus cachimbos. Costumam ainda baforarem as pessoas na hora dos passes, ato de retirar das pessoas as energias negativas, com as fumaças.

Essas fumaças, ao contrário do que pensam muitas pessoas, não são somente fumaça.

Eles a utilizam como uma espécie de defumador. Elas teem o poder de purificar tanto nossa matéria como o local onde estão sendo realizados os trabalhos. Dentro dos rituais, tudo é sagrado, até mesmo as fumaças. Quando as entidades nos baforam as fumaças, ou mesmo quando ela é expelida para cima, possui um poder incomensurável.

Se pudéssemos ver através da janela que separa nosso mundo do mundo espiritual, veríamos muitos espíritos atrasados, negativos, e obssessores sendo retirados através dela.

Por que? Muito simples:

Ao expelirem a fumaça, as entidades mentalizam seus companheiros de falange, e assim chamando-os, eles se encarregam de retirarem do local, todos os espíritos contrários à realização dos trabalhos e ao seu bom andamento.

Tudo no cosmo é energia viva! E não poderia ser diferente com nossas entidades nem mesmo com tudo que utilizam em seus rituais. Se um espírito nos incensa com seu charuto ou com seu cachimbo, ele na verdade, expulsa através da fumaça todos os nossos inimigos invisíveis que teimam em permanecerem ao nosso lado, nos compelindo muitas vezes, a praticarmos atos contrários ao nosso desenvolvimento.

Hoje em dia, as pessoas já não prestam mais tanta atenção nos rituais que as entidades praticam quando incorporadas em seus médiuns. Pensam apenas nas coisas que ali querem buscar, deixam de se atentarem para os rituais mágicos que os mentores estão praticando.

Dentro desses rituais, se formos observar, os caboclos, por exemplo, praticam a PAJELANÇA, ritual muito comum entre os silvícolas ainda nos dias de hoje, costumam nos defumarem com seus charutos, colocam as brasas desses dentro da boca e expelem a fumaça pelo lado onde usam para fumar, nos rodam, nos colocam em cima de suas costas e nos carregam, usam todos os recursos que possuem para nos ajudar.

Temos que aprender a valorizar nossas entidades, como os mais antigos faziam. Tinham esses por hábito, elevarem seus pensamentos em tudo que desejavam, quando as fumaças eram expelidas, fossem dos cachimbos ou dos charutos.

Nesse momento, mentalizavam suas casas, seus problemas, sua saúde e de sua família, pediam mentalmente que fossem descarregados das energias ruins que atrapalhavam suas vidas.

Não se atreviam a desviar seus pensamentos de seus ideais, e com isso conseguiam alcançar graças maravilhosas. O que hoje em dia parece estar se acabando é a fé.

As entidades também se utilizam dessas fumaças para se comunicarem com as esferas espirituais mais elevadas, pois que, essa mesma fumaça serve como um tipo de comunicador, levando sua mensagem. Um exemplo claro disso, temos no seguinte ponto:

“Fumaça que vai subindo, vai falar com rosalém, nosso Pai Celestial, o peso que a terra tem”. Eis aí uma clara evidência do quanto é importante essas fumaças.

Valorizemos, pois, os rituais de nossas entidades e veremos quantas maravilhas podem operar em nossas vidas.

Sagrada é a Umbanda, Sagrados são todos seus rituais!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

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quarta-feira, maio 20, 2009

OS PRETOS VELHOS


Dentro dos Terreiros de Umbanda, essas entidades sempre operaram e ainda operam verdadeiros milagres na vida de quem deposite neles a sua fé, sua esperança.

Ao contrário do que pregam algumas pessoas sem conhecimento, eles não são espíritos atrasados, mas sim, espíritos de altíssima elevação e de muita luz, e muitas vezes abdicam do direito de elevarem-se mais, apenas para poder permanecerem entre nós, nos ajudando em nossa jornada.

Essas entidades são espíritos que se utilizam de um corpo espiritual, na forma de velhos negros, oriundos da África e que viveram e morreram nas senzalas, em troncos ou mesmo por idade avançada, mas, ainda na condição de escravos. Entre os momentos preciosos que passamos junto deles, podemos relatar as inúmeras lições que recebemos, quando resolvem nos contar casos de seu período de cativos.

São seres que desencarnaram, mas, que tiveram graças aos anos de vida aqui nessa terra, o dom de desvendarem muitos segredos, e entre eles o de uma vida longa, tão somente pela sabedoria que adquiriram através da forma cruel que viviam como escravos, e, nos mostram que, mesmo com as maiores dificuldades que possamos passar, podemos nos aprimorar cada vez mais e adquirirmos também a nossa escalada no plano espiritual, pois que nessa terra, tudo que nos acontece, serve somente para enobrecer nosso espírito e nossa alma.

Mostram que quando aqui encarnados, buscavam na fé a força maior para suportarem as agruras do cativeiro, e assim sendo, são hoje em dia, espíritos de luz e de imensa sabedoria.

Sempre que retornam na terra, trazem para todos, palavras de amor, carinho e perdão, nos incentivando a mantermos a fé e a resignação como forma de podermos ter acesso aos degraus que nosso espírito precisa galgar em sua jornada extraterrena. Apesar de serem feiticeiros de inigualável força e poder, canalizam essa força para o bem, e, rejeitam de todas as maneiras aquilo que não convir com as vontades de Deus, nosso Pai.

Sentados em seus banquinhos, geralmente nos cantos dos Templos, soltam a fumaça de seus cachimbos a fim de purificarem o ambiente e as pessoas que ali se encontram. Fazendo assim com que todas as energias se harmonizem e que possam as pessoas saíres dali de espíritos refeitos para enfrentarem o dia a dia.

São verdadeiros Mestres dentro da humildade e sabedoria. Aprenderam através de sua reencarnação como escravos na Terra, que somente através do amor, poderemos construir um mundo melhor para todos, e que somente através do Poder Divino conseguiremos superar nossas dificuldades, e, não se cansam de ensinarem isso nos terreiros.

Com a herança do sincretismo criado pelos escravos como forma de manterem sua fé e assim livrarem-se da perseguição de Roma, a Umbanda através de suas entidades e principalmente os pretos velhos, mantém a fé em Jesus Cristo, Oxalá, e assim prega a resignação, o amor incondicional como forma de auxilio para todos que buscam a solução para problemas variados.

Espíritos de altíssimo grau de elevação, sua característica principal é o aconselhamento, a todos que buscam neles o conforto para suas vidas. Nunca um preto velho instiga alguém à vingança, à guerra ou qualquer outro ato que não seja o perdão e o amor. São como psicólogos que orientam as pessoas e as ajudam a se encontrarem dentro de seu universo mental e espiritual.

Possuem vasto conhecimento de diversos assuntos, apesar de serem espíritos de negros escravos desencarnados, veem na linha de Umbanda por não aceitarem em vida, o holocausto de animais praticado no Candomblé. E não aceitavam porque essa prática os recordava das matanças que seu povo sofria, quando se rebelavam ainda na África com sua situação de cativos.

São conhecidos como vovôs, vovós, tios e tias, dado primeiro a sua idade carnal ao desencarnarem e segundo, porque era uma prática dos antigos, que todos os mais velhos eram chamados de tios e tias pelas crianças e os idosos carinhosamente eram conhecidos como avós.

E assim seguem eles, dentro da doutrina do amor e do perdão, a nos arremeterem na prática do “fazer o bem, sem olhar a quem”, nos ensinado que por mais que soframos nesse mundo, temos que manter nossos corações livres do ódio, do rancor e da mágoa, manter nosso pensamento livre do desejo da vingança, pois que, existe um Deus acima de tudo, e, nesse mundo nada acontece sem a sua observação.

Saravá os pretos velhos!

Adorê as almas!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@pop.com.br

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segunda-feira, maio 18, 2009

CABOCLO MALUNGUINHO

“Malunguinho é rei das matas, rei das matas é Malunguinho, flecha, flecha meus Caboclos tira estrepe dos caminhos”.

Quem de nós frequentadores da Umbanda Sagrada, nunca ouviu esse ponto?

Esse ponto nos traz à lembrança esse caboclo, guerreiro, feiticeiro do bem, amigo das horas mais incertas de nossas vidas. Sempre que chamamos por ele, eis que surgem em nossas vidas esperanças, desembaraço, e vitória em todos os nossos caminhos.

Grande Mestre da Jurema, ele existiu sim, viveu em Pernambuco, Recife e foi um rei do Quilombo das Matas do Catucá, segundo o Professor Dr. Marcus Carvalho, e ainda segundo ele, o nome Malunguinho seria o diminutivo de “Malungo” como eram denominados os negros que vinham da África para o Brasil no mesmo navio negreiro.

Malunguinho como rei do quilombo, tinha uma aspiração, a mesma que levou Zumbi a ser consagrado Herói Brasileiro: A LIBERTAÇÃO DE SEU POVO!

Conta-nos o renomado Dr. Marcus Carvalho, que: “A floresta do Catucá serpenteava a área mais populosa da província, a Zona da Mata seca, ao norte do Recife. Cortada por muitas estradas e picadas, ela começava nos limites de Beberibe, antigo subúrbio do Recife, passava pelo sítio dos Macacos e por São Lourenço, mais a oeste do Recife em direção ao norte”.

E ali vivia nosso Herói. Devido a sua bravura, era temido em seu tempo e sua cabeça chegou a ser posta a prêmio, e chegou a alcançar o maior valor de sua época, ou seja: o valor de Cem Mil Réis, e esse foi o maior valor oferecido pela cabeça e / ou captura de um revolucionário, um irmão do quilombo, e somente foi superado vinte anos depois quando colocaram a prêmio a cabeça do líder da Cabanada, Vicente de Paula, que chegou a ser de Um Milhão de Réis.

Mas, Malunguinho não desistia de seu sonho que era o de vê seu povo livre, vivendo conforme as leis e cultura de sua terra natal.

Dentro de seu reino, ele era temido, amado e mesmo idolatrado por todos, muitas foram as emboscadas e a Cavalaria Real muitas vezes tentou invadir seu quilombo, mas Malunguinho astuto como ele só, abria valas nas entradas de seu território e ali fincava “Estrepes”, pedaços de pau afinados na ponta e quando os cavalos eram impelidos a passarem, tinham suas barrigas perfuradas e assim ele e seu povo podiam dar cabo dos invasores. Daí o ponto: “Flecha, flecha meus caboclos, tira estrepe dos caminhos”.

Muitos foram os feitos de Malunguinho, mas, o de maior bravura talvez seja o de ter comandado a invasão ao Recife, fato que fez com que fossem chamados até mesmo soldados do exército a fim de capturarem esse rei do quilombo. Muitos negros fugitivos foram presos então, a história nos relata cerca de 63, mas Malunguinho continuava solto para desespero de todos os senhores de terras.

Com seu desencarne, ele foi chamado a dar continuidade em seu trabalho no plano espiritual. Comanda uma grande falange que intervém em nossas vidas sob o comando de Oxossi, o Grande Caçador e chefe de todos os Caboclos.

Com sua tribo de índios e de negros guerreiros, Malunguinho nos traz a segurança de uma vida na qual podemos nos desvencilhar dos obstáculos impostos por inimigos ocultos.

Esse Valente Caboclo sempre que se manifesta, deixa na entrada das casas de caridade vários membros de sua falange, e outros adentram com ele para que possam providenciar a limpeza espiritual em todos que ali estão.

Nenhum trabalho deve ser iniciado sem antes darmos satisfação a Malunguinho para que ele possa ali estar mesmo que invisível e também para que mande seus mensageiros até aquela casa para que assim garantam a segurança tanto do Templo como do corpo mediúnico e dos assistentes que ali estão.

Comumente ele é confundido com Exú, mas na verdade, ele é um encantado da Jurema e Mestre da Jurema praticada no Nordeste do Brasil. Sua fama de exú se dá, por ter ele acesso a todos os tipos de caminhos e assim sendo, muitas vezes vai girar nas encruzilhadas a fim de manter sob observação os seres que ali moram.

Sua força é incomparável e ele a usa sempre que precisa defender alguém das forças do mal, afinal nesse planeta somos constantemente assaltados por seres que tenta de todas as formas nos desviarem dos caminhos do bem.

Malunguinho, um Herói que a história mantém vivo em nossas mentes!

“Malunguinho é, Malunguinho há, Malunguinho é um Caboclo real!”.

Salve Caboclo Malunguinho!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com








OGUM XOROQUÊ

Em primeiro lugar temos que nos lembrar de que Ogum Xoroquê existe aqui no Brasil, na África ele era conhecido como Xoroquê ou, mais precisamente Exú Xoroquê, ele era o guardião das porteiras de Gêge. Mais tarde teria sido roubado por outras tribos. Uns dizem os Yorúbas outros dizem que os Bantos o roubaram, mas o certo mesmo é que ele foi roubado.

Cultuamos Xoroquê como uma dualidade. Metade exú metade ogum. Sempre que fazemos algo para ele, temos que ter em mente que essas duas entidades distintas fundem-se em um só quando realizados os seus atos.

Ao lidarmos com essa entidade toda precaução é pouca, uma vez que ele sempre está pronto para ajudar, mas, não conhece a palavra perdão. Dono do ouro e da magia é constantemente chamado para abrir caminhos, algumas pessoas despreparadas insistem em chamar esse Orixá para ajudar na solução de problemas variados, desde a abertura de caminhos até mesmo nas questões financeiras e amorosas. Mas, se por ventura não alcançam seus objetivos, se enfurecem e alguns até mesmo blasfemam.

O que acontece é que Xoroquê assim como os demais Orixás, não atende pessoas que não sejam devidamente preparadas para a realização de seus atos ritualísticos secretos.

Na realidade Xoroquê sempre atende os pedidos a ele feitos com fé e amor, desde que seja o consulente orientado por um zelador devidamente preparado, mas, a pessoa que a ele se dirige deve tomar alguns cuidados como, por exemplo, dar a ele tudo o que for prometido, pois uma vez com Raiva da pessoa, ele pode tirar tudo que deu.

Se bem tratado, se respeitado e amado com veemência, dará muito mais do que a pessoa pediu e claro, que esteja em seu merecimento receber. Seus iniciados quando praticam qualquer ato contrario às determinações dele, são cobrados de forma severa, e, essa cobrança pode ser de três, sete ou vinte e um anos, dependendo do erro.

Para alguns zeladores, ele é um Ogum muito briguento e feroz, e quando bravo se transforma em um Exú. Tem por hábito pegar as quizilas e problemas de seus filhos e adeptos para ele mesmo. Seu nome em Yorúba significa: Xoro = Cortar, Ké = feroz. Assim sendo, Xoroquê, se traduz como: aquele que corta ferozmente. Apenas pela tradução de seu nome podemos ver que se trata de uma entidade totalmente sem controle algum de nossa parte e assim sendo precisamos tratá-lo com muito zelo.

Grande guardião das forças espaciais, daquelas que habitam as esferas altas, Xoroquê tem assim livre passagem entre o mundo dos vivos e o mundo dos Orixás, encantados e dos mortos.

Uma ambiguidade que sempre está disposta a ajudar a nós seres humanos, com seus conhecimentos e com sua magia. Senhor absoluto das magias viaja através do tempo ajudando as pessoas que a ele recorrem.

Xoroquê então é na verdade nosso amigo, pronto a nos ajudar sem medir esforços, basta que saibamos como lidar com ele, como invocarmos sua força e com certeza ele virá em nosso socorro.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com















quinta-feira, maio 14, 2009

ORIXÁ TEMPO

Este é um Orixá primordial nas casas de Angola. Seria ele o verdadeiro Rei da nação Angola. É sincretizado com São Lourenço. Nada se faz numa casa de Angola sem esse Santo. Aliás, uma casa de Angola não existe sem ele.

Segundo algumas crenças africanas, Tempo teria sido criado por Zambi Apongue, para ser uma espécie de assessor direto de Zambi(Deus), e esse se incube de anotar tudo que fazemos nesse mundo bem como todas as decisões do Supremo Deus do Universo.

Ele é um Orixá pouco conhecido por grande parte dos seres vivos, uma vez que toda a criação está de alguma forma incluída nos desígnios desse Santo. Ele é implacável e cobra de forma imparcial e até mesmo dura, o cumprimento de nossos carmas, independente de nossa religião. É ele quem determina de acordo com as ordens recebidas de Zambi, o inicio e o fim de tudo.

Em seus vários sincretismos, encontramos na Mesopotâmia, sua correspondência com Enki, o famoso Leão Alado, que acompanha a nós humanos desde o nosso nascimento até o nosso desencarne. No Egito seu correspondente seria Anúbis, o que determina nossa caminhada desde nosso nascimento até nossa morte, segundo o Livro dos Mortos dos egípcios.

Até mesmo entre nações extintas como os Incas e os Maias, sendo que entre os primeiros ele tem como correspondente Teotihacan e entre os Maias seria Viracocha. Isso sem citarmos ainda Cronus que seria seu correspondente entre os Gregos e os Romanos, Cronus era conhecido como o Senhor do Tempo e do Espaço e era implacável em sua cobrança.

Em suas representações, vemos vários formatos de sua ferramenta e variando de casa para casa, nessa ferramenta deve ter uma ou duas cadeiras, trabalhadas no mesmo ferro no qual foi fabricado seu fetiche.

Sincretizado com São Lourenço tem também uma identidade comum com Obaluayê, com quem se identifica em muitos aspectos, inclusive no uso da palha da costa. Somente se assenta esse Santo para quem está abrindo sua casa, pois ele responde como guardião pessoal do Sacerdote da mesma, sendo responsável por sua saúde, trabalha em conjunto com o Orixá dono daquela casa.

Não se assenta dois Tempos em uma mesma casa, e segundo alguns zeladores mais antigos, um zelador somente raspa um Tempo em toda a sua vida, não podendo em hipótese alguma raspar outro.

Orixá de muita sabedoria, muito antigo possui também um temperamento forte e deve ser tratado com carinho e respeito, porque todos os demais Orixás respondem junto com ele, de Exú a Oxalá. Pois todos os Orixás dependem do Tempo para se manifestarem em seus iniciados, aliás, nós precisamos do Tempo para tudo!

Quando se oferece sacrifício a esse Orixá, entrega-se também um bori completo, de Ogum a Oxalá, pois todos os demais comem junto com ele, é nos pés de Tempo que respondem todos os mistérios de uma roça de Angola.

A cada determinado dia do mês, deve-se entregar a ele oferendas como: ebô de Oxalá, doburú, frutas diversas sempre brancas, e vela. Essa oferenda serve tanto para abrir os caminhos do Zelador como de seus filhos e clientes e também serva para que ele ajude com Obaluayê na saúde de todos os membros daquele Templo.

Segundo alguns mais antigos dentro dos mistérios da nossa religião, quando Tempo se zanga, muita coisa de ruim pode acontecer, desde a queda financeira das pessoas daquela roça, como na saúde dos mesmos. E se por ventura, Tempo se zangar em demasia, todos os demais Santos, de Exú a Oxalá, respondem por ele, e cobrarão de quem o ofendeu.

Independente do Santo da casa, Tempo reina absoluto nas roças de Angola e sem ele, sem se dar satisfação a esse Grande Rei e Pai, não se pode fazer nenhuma obrigação na casa, seja um obi, um bori ou mesmo uma feitura de Yawô.

É de lei que atrás de seu assentamento repouse fincado no chão, um tronco no qual é feito ritual secreto para uma entidade que trabalha junto com ele, e ainda atrás do mesmo e ao lado desse tronco, cava-se um buraco no qual outros rituais secretos são realizados.

Também, deve se ter atrás de tudo, uma vara de bambu bem alta e na ponta desse, uma bandeira branca que é a representação dos fundamentos de Tempo e indica que ali existe uma Roça de Angola. Existem algumas pessoas que dizem que os escravos costumavam amarrar um pano branco em uma vara de bambu para indicar que ali existia uma comunidade negra, mas o certo é que essa bandeira tem a representação do Tempo e a mesma pede paz a Olorúm.

É muito comum também se cuidar deste Santo toda segunda Feira, pois que esse dia representa para nós no Brasil, a abertura da semana, mas cuidando-se dele uma vez por mês já é o suficiente, desde que seja sempre no mesmo dia.

Como todos os Orixás são representados por ele, e todos comem junto com o mesmo, seu dia de culto pode ser todos da semana, devendo se resguardar as Sextas Feiras em respeito a nosso Pai Oxalá.

Seu mês é Agosto ocasião que na Bahia nas casas de Angola se toca a Festa de Tempo, uma das mais concorridas.

Sua cor é Verde e Branca, mas também pode se mesclar todas as cores dos demais Orixás em uma conta, espécie de colar e colocar em seu assentamento.

Suas comidas são as de todos os Santos, quando se oferece a ele holocaustos, e ebô, frutas brancas, arroz, e doburú quando apenas desejamos presenteá-lo.

Seus bichos são o cabrito, frangos, pombo, pato e galinha de angola.

Seu assentamento é sempre do lado de fora das casas, não se colocando telhado sobre ele, deve ser colocado em baixo de uma árvore que deve ser encantada para ele.

Sua saudação: elá Tempo, elá mano, elá compadre! Zará Tempo, Tempo Zará! Tempo mavile caçange!


Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

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terça-feira, maio 12, 2009

CABOCLO ARARIBÓIA

Dentro da Umbanda Sagrada, essa entidade é louvada com um símbolo máximo de bravura, de guerreiro e de homem capaz de suplantar todas as adversidades da vida. Isso é uma verdade.

”Seu nome já traduz sua força e determinação: ARARIBÓIA – do tupi, Ararib, tempestade, tormenta, tempo mal, e Bói – Cobra. Assim Araribóia seu nome traduz como ‘Cobra das Tempestades’”.
[1]

“Valoroso chefe dos Temiminós residia com sua gente, na Ilha do Governador, mas, seu povo era massacrado pelos Tamoios, esses eram liderados por Cunhambebe, e aliados dos franceses, se dedicavam dia após dia a atacar os Temiminós de Araribóia”.
[2]

“Seu pai, Maracajaguaçú, (Gato Grande Selvagem), tinha outro filho chamado Mamemoaçu e com eles e todo seu povo, habitavam a Ilha de Paranapuã, hoje Ilha do Governador. Segundo historiadores, Araribóia teria nascido em 1524 na Ilha do Governador”.
[3]

“Atendendo pedido do Padre Brás Lourenço, o então Donatário da Capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho, acolheu os Temiminós. Pois os Tamoios estavam, exterminando essa aldeia” .
[4]

Nesse estado, E.S, Araribóia fundou o Bairro de Carapina que se traduz como Carpinteiro. Sua vida foi de marcante bravura e composta de várias batalhas, e, em cada uma delas Araribóia se mostrava mais valente que na anterior. Depois de realizados vários empreendimentos valorosos, dentro do Espírito Santo, ele retornou para o Rio de Janeiro, mais precisamente em 1560, ocasião em que Mem de Sá retornava para aquele estado a fim de dar combate aos franceses.

Nessa expedição, Mem de Sá levava entre suas tropas, Maracajaguaçú, seu filho Araribóia e mais índios flecheiros, do Espírito Santo. Em 15 de Março, segundo relata a história, Mem de Sá, promoveu o famoso a ataque à Ilha de Henri, e conseguiu vencer, graças à bravura de Araribóia e sua gente.

Porém com tantos feitos, Araribóia ou qualquer outro daquele tempo, não poderia imaginar que ele, o Cobra das Tempestades, estaria escrevendo seu nome, não somente nos anais da história do Brasil, mas, que se inscrevia como Valoroso Guerreiro que serviria na Umbanda, como um dos mensageiros de Oxossi, e consequentemente, chefe de uma falange inigualável em força e poder.
Essa falange de Araribóia é constantemente invocada, quando inimigos do plano espiritual tentam destruir alguma pessoa, família ou mesmo um grupo de amigos; então, essa falange liderada por esse Valoroso Cacique, dedica-se a dar combate às forças inferiores.

Araribóia sempre foi e sempre será um Caboclo valente e amigo constante de todos nós que amamos a Umbanda Sagrada.
Seu poder é também demonstrado em um de seus pontos: “ai Jesus, Jesus morreu na cruz, chegou” seu “Araribóia, salvou Jesus na cruz, chegou seu Araribóia, salvou Jesus na cruz”.

Esse ponto mostra-nos a capacidade de poder desse índio, desse caboclo que pode viajar através dos tempos, e também seu reconhecimento a Jesus, nosso Pai Oxalá, como mestre e salvador do mundo. Ao reverenciar Jesus nesse ponto cantado, Araribóia curva-se perante a soberania de Deus, nosso Amado Pai, mostra-nos que pouco somos nesse mundo e ainda nos ensina que somente através da humildade conseguiremos seguir em nossa vida, sem maiores complicações.

É importantíssimo que lembremos que esse índio, mesmo sendo tão bravo quando encarnado, não deixou de lado o reconhecimento de Deus como soberano absoluto do Universo, e serve nas fileiras comandadas por Oxossi, São Sebastião, a fim de poder assim continuar dando combate às trevas, em nome de Zambi, Todo Poderoso.

Valente em sua tribo, Araribóia continua sendo ainda mais valente no plano espiritual, uma vez que, lá as batalhas são de dimensões muito maiores que as daqui da terra.

Temos que nos orgulhar desse silvícola, que colocou sua vida e a dos seus em risco em nome de nosso país, e ainda hoje se confronta em nome da soberania de Deus, ajudando seus filhos encarnados.

Cobra das Tempestades, nos mostra também que é preciso servir mais do que ser servido, que tudo que fazemos nessa terra, devemos fazer com amor ao próximo e muitas vezes abdicarmos de nossas vidas em prol de nossos irmãos.

Aprendamos, pois, com a bravura e o desprendimento desse Caboclo iluminado e veremos muita coisa mudar em nossas vidas. Vários legados, ele nos deixou, mas, o mais importante de todos, foi com certeza, a verdade, a honra e o amor a Deus e suas criaturas. Deu sua vida muitas vezes para ser ceifada em nome de um ideal que ele nem mesmo nunca ouvira falar, mas sabia ser necessário, para a consolidação das gerações futuras.

Não temeu a morte quando o sacrifício se fazia necessário e seus mentores espirituais, com certeza o amparavam em toas as fases de sua vida, pois, confiou acima de tudo, na verdade do amor de Deus e de seu filho por todos nós.

Saravá Caboclo Araribóia!

Saravá Oxossi o Rei das Matas!

Saravá Nosso Pai Oxalá!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@pop.com.br


[1] Índios Temiminós do Espírito Santo: Maracajaguaçu e Araribóia. Disponível em:
<
http://www.clerioborges.com.br/temiminosarariboia.html>. Acesso em: 12 maio 2009.
[1] Ibid.
[1] Ibid.
[1] Ibid.





quinta-feira, maio 07, 2009

EWÁ


Eis um Orixá de grande complexidade dentro do Candomblé. Ewá seria uma virgem de beleza raríssima que reside no rio Yweá, que deu origem a seu nome. Para algumas tribos da África, ela seria uma yabá dos Mahi, qualidade de povos Gês, que habitavam o antigo Daomé, hoje a atual república de Benin.

Segundo essas tribos, ela teria sido introduzida no culto Yorúba, pois esses a identificaram como uma “similar” de Oxum Marê. Existem aqueles que defendem a filosofia de que Ewá sempre pertenceu aos Nagôs, e seria originaria de Abeokutá, que se traduz como a cidade em baixo da pedra. Sua existência assim como seu culto mantém-se envolto em um mistério, e sua origem muito mais.

Senhora de magnífica beleza encantou Xangô que por ela se apaixonou e não deu tréguas até que ela se entregasse a ele, mas, sua esposa Oyá, descobriu o romance entre eles e assim passou a perseguir Ewá, o que a deixou muito assustada, amedrontada, afinal todos conheciam a ira da senhora dos raios, do fogo e das guerras.

Em uma coisa todos são concordantes. Ela domina a vidência, uma vez que essa, foi-lhe concedida por Orumilá, o Deus supremo de todos os oráculos.

Com o passar do tempo, Oyá ia aumentando cada vez mais a perseguição contra ela, e, sem mais ter como se esconder da fúria da guerreira, Ewá optou por fugir para as matas, em local mais inacessível e lá conheceu Odé, o grande caçador, guerreiro e feiticeiro. Esse a amparou e a escondeu para que a fúria de sua rival não a alcançasse.

Assim, Ewá passou a morar nas matas e com a proteção de Oxossi, pode andar livremente por seus domínios e mais tarde começou com ele a aprender a arte da caça, todas os mistérios que envolviam esse oficio. Primeiro ela se interessou em aprender dada a necessidade de se alimentar, pois como Oxossi passasse muito tempo embrenhado em outros locais da mata, ela precisava se alimentar e assim deu inicio a seu aprendizado.

Mais tarde, quando já se tornara uma exímia caçadora, ela se interessou pela arte da guerra e deu mãos à empreitada e logo se transformou em grande guerreira. Assim ela se tornou em eximia caçadora e excelente guerreira.

Dado a sua decepção com Xangô, ela pediu a seu pai, Obatalá, o direito de sair do mundo, e ele prontamente a atendeu, enviando-a para o reino dos mortos, onde ela passou a governar, esse local era temido por todos que viviam na terra. Assim, seu domínio passou a ser o cemitério, e lá ninguém ousa incomodar a bela ninfa. Ela se encarrega de entregar os mortos a Oyá que por sua vez juntamente com Obaluayê, os mantém até que chegue o dia de seu julgamento.

Dado a sua decepção com Xangô, Ewá segundo as lendas, nunca mais quis contato com homens, e passou a ser a protetora das virgens, bem como de todos os elementos da natureza que se conservam intocados como, mata virgem, rios e lagos onde o homem não consegue entrar ou navegar, incluindo em seus domínios, segundo as lendas, a pororoca, o encontro violento das águas doces e da salgada.

Alguns zeladores acreditam que Ewá não tome a cabeça de mulheres que não sejam virgens, mas isso é contestado por outros. As lendas africanas nos ensinam que ela tornou-se a virgem cujos lábios são de mel e assim sendo a virgem das matas.

Ewá é também em outras lendas, filha de Nanã e consequentemente irmã de Bessém, Omulú e Ossanha. Ela representa o horizonte, o encontro da terra e do céu. Bem como, do oceano com a terra, perpetuando nessa fase, o eterno amor entre Oxalá e Yemanjá os grandes pais de todos os seres humanos e de todas as divindades africanas.

Nessas lendas, vemos que Ewá era a virgem solitária. Sua mãe preocupada com essa solidão, e com seu jeito calado, pediu a Orumilá que arranjasse um casamento para sua filha, pois achava que assim ela se alegraria. Mas, ela ao contrário do esperado, não se preocupava com isso e preferia manter-se em sua tarefa de criar a noite no horizonte, e assim mandando o sol com sua energia a cada manhã para que esse provesse a terra com sua força revitalizadora.

Como sua mãe insistia que ela devia se casar pediu a seu irmão Bessém, que a escondesse, e como ele é o arco íris, atendeu o pedido de sua irmã e a escondeu em baixo dele, na parte onde termina seu corpo. Assim sendo, ela ficou escondida por baixo do imenso horizonte sua mãe nunca mais a viu.

Desde esse tempo Ewá e seu irmão Oxum Maré, passaram a viverem juntos, lá no lugar longínquo onde o céu se encontra com a terra.

Em uma outra lenda, Orumilá que era um grande babalaô, ou seja, aquele que lê o futuro nos oráculos, estava com um grande problema, ele fugia de Ikú, a morte, pois esse queria por fim a sua vida.

Então, Orumilá fugiu de sua casa, mas por mais que ele corresse, Ikú o seguia de forma incansável. Em sua fuga desesperada, chegou a um rio, e lá viu uma ninfa de beleza inigualável, e ela lavava roupas, era Ewá.

Ao ver que aquele senhor corria tanto, ela perguntou o motivo de tamanha corrida, afinal somente quem tentasse fugir de uma perseguição correria tanto. Porém, como estava ofegante devido a tamanha corrida ele apenas respondeu: “há, há”, e ela imediatamente adivinhou que ele fugia da morte.

Ela então, compadecida de ver aquela pessoa com tamanho sofrimento, pediu que se acalmasse e disse que o ajudaria, e assim sendo, escondeu-o em baixo de sua tábua de lavar, que era nada mais que um tabuleiro de Ifá, cujo fundo estava colocado para cima.

Após escondê-lo em baixo do mesmo, ela voltou a lavar sua roupa e cantando alegremente. E, em dado momento chega à morte, desarvorada, causando náuseas a quem a visse, pois que moscas cobriam seu corpo inteiro.

Ao ser indaga por Ikú se tinha visto Orumilá, ela respondeu que ele atravessara o rio e naquelas horas já devia estar longe demais, longe mesmo dos quarenta rios que banhavam todo aquele país. Com a desistência de Ikú, Ewá, retirou Orumilá de debaixo da tábua e o levou para sua casa.

Depois desse socorro, os dois se apaixonaram e se casaram, e Ewá, fez várias oferendas para Ifá, pois que o mesmo tinha lhe mostrado o que estava acontecendo e solicitou que ela levasse o tabuleiro e escondesse a pessoa em baixo dele.

Contam que após o casamento e como Ewá estava já, grávida, houve uma grande festa e nela Ewá cantava: Orumilá me deu um filho. Orumilá cantava: Ewá me livrou da morte. E todos os presentes cantavam: Ewá livra da morte, Ewá nos livra de Ikú.

Assim se completam as lendas de Ewá.

Sua saudação no Candomblé: Ri, Ro, Ewá.

Seu dia é o Sábado.

Suas cores são: Vermelho vivo, Coral e Rosa.

Seus domínios são: Florestas, Céu, Astros e Estrelas, e as Águas dos Rios e Lagoas.

Suas comidas são: Cabras, Galinhas, Frutas, Acaçás e outras.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

domingo, maio 03, 2009

SINCRETISMO



Todos nós sabemos que o sincretismo vem desde nossos antepassados nas senzalas. Sabemos que foi uma forma que os escravos encontraram para que pudessem driblar a vigília constante da igreja e assim poderem cultuar seus deuses sem o risco de pararem numa fogueira ou mesmo de serem torturados, terem seus olhos, unhas e outras partes de seus corpos arrancados, como era o costume da igreja de Roma fazer com quem não seguisse seus rituais.

Com o passar dos anos e dos séculos, esse sincretismo foi se enraizando em nosso meio e hoje em dia não conseguimos imaginar nossos altares de Umbanda sem as imagens dos santos católicos. Nada tenho contra, afinal é uma forma saudável de reverenciarmos pessoas que viveram e morreram em prol de sua fé.

Muitos Caboclos e Pretos Velhos, não permitem que seus gongás fiquem sem essas imagens, que misturadas as de índios, boiadeiros, pretos velhos, marujos, Janaina, e tantas outras, formam o maravilhoso misticismo que seduz não somente aos praticantes da Umbanda, mas a todos de uma forma geral.

Se por um lado essa forma nos é benigna, por outro se não tomarmos cautela, pode nos levar a perder a nossa identidade religiosa. Obviamente que dentro de nossos Terreiros e Tendas, nunca deixarão de existir essas imagens, nem tão pouco nós perderemos nossa fé.

Apenas temos que nos cuidar para que não percamos a identidade de nossas entidades. Temos que termos dentro de nossas mentes que as nossas entidades, possuem suas próprias identidades, da mesma forma que as entidades do catolicismo possuem as suas.

Nossas entidades são sim, portadores de suas identidades próprias, de suas vontades, de seus desejos. Quando aqui na terra, possuíam suas crenças particulares, e é aí que não podemos deixar que o sincretismo influa de forma negativa.

Ao perdermos a identidade de nossas entidades, desvalorizamos completamente nosso culto e nossa crença. Claro, que confessarmos contrários, por exemplo, aos ensinamentos de Cristo, seria negarmos a existência do próprio Deus. Irmos de contra a sua santidade, seria INSANIDADE e todos nós sabemos que Cristo existiu sim, padeceu e morreu em uma cruz em nome da humanidade, como forma de aliviar nossos crimes.

Da mesma forma, a santidade dos santos da igreja devem sim, serem respeitadas. Mas, não porque um ser humano declarou que fulano passa a ser santo de dia tal em diante. Falo da santidade daqueles que padeceram como carneiros em nome de Cristo, essa sim, a meu ver, é a verdadeira santidade.

E temos que nos render a eles sim, mas de forma a mantermos a identidade de nossos Orixás e Guias Protetores, de forma que possamos cultuar nossa fé, de forma coesa e coerente com nossa realidade.


Não misturarmos as identidades de umas e de outras entidades, não significa deixarmos de amá-los. Mas sim, amarmos de forma correta e sabendo que suas identidades, suas ações, são independente das ações de nossos Guias e de nossos Orixás.

Podemos ter as duas coisas sem conflito? Sim, podemos!

Basta que saibamos discernir ente dois seres, respeitando a identidade de cada um, por exemplo: sabendo que Ogum é Ogum e São Jorge é São Jorge, mas respeitando uma ligação feita há séculos quando os escravos eram perseguidos.

Se cantarmos para Ogum, invocamos sua falange, e dentre essas fileiras, pode sim, existir algum espírito que teve uma afinidade com São Jorge e assim, vem nas fileiras de Ogum, amando sua bandeira e fazendo sua caridade sem desrespeitar a quem quer que seja.

Aprendendo a vivermos com essa maravilha chamada sincretismo e sem misturar as identidades, poderemos sim, termos um culto sadio, na respeitabilidade de ambas a s partes.

O sincretismo repito, foi usado em um passado onde a inquisição mandava para a fogueira, todos que não convivessem nas leis de Roma, mas hoje com a garantia por lei das praticas religiosas, por que deixarmos de abrangermos mais nossas raízes, para abrangermos as dos outros em uma totalidade?

Amemos, pois, os santos do catolicismo que assim como nossos Orixás deram suas vidas por algo que acreditavam, mas, amemos muito a identidade e a forma de nossos Orixás.


Sérgio Silveira, Tatetú N’inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@gmail.com



sábado, maio 02, 2009

OYÁ GBALE OU OYÁ BALÉ


Uma forma de Oyá que requer muito cuidado ao se lidar com ela. Nessa qualidade, Yansã, governa de forma essencial, os eguns, ou, os espíritos dos mortos. Como matriarcas de egum, essas Oyás são mais agressivas que as demais, e sempre se apresentam prontas para a guerra.

Seus rituais em nada lembram os dos demais Orixás, uma vez que até mesmo para solicitar que ela deixe a matéria, ou seja: “ir ao ló”, é feito de forma diferenciada, uma vez que os demais Orixás são suspensos dentro do barracão, e essa Yabá é suspensa no tempo.

Como toda Yansã, ela é altamente sensual, muito embora guerreira destemida é comum vermos essa divindade se apresentar dançando para os mortos. Na concepção yorubana, a morte nunca foi o ponto final de nada, ao contrário, eles acreditam piamente na reencarnação, creem que as pessoas voltam a se encarnarem na mesma família, que o espírito volta a terra na pessoa de seus descendentes.

Nessa fase em que são eguns, são guardados por Oyá Gbale. Nas crendices africanas, temos vários momentos em nossa vida e também depois de nossa morte. Acreditam os africanos que ao desencarnarmos, nosso espírito se desliga do corpo e prontamente é recolhido por uma qualidade de Oxossi que o entrega a Obaluayê e esse por sua vez, entrega o espírito a Oyá Gbale para que ela o guarde enquanto espera o julgamento que será feito no Orúm, Céu.

Ao chegar o dia do julgamento daquela alma, Xangô Agodô abre as portas do Orúm para que ele possa entrar, então, Logum Edé, sincretizado com São Miguel, pesa em sua balança todos os atos daquela pessoa em vida e Yansã se encarrega de o levar para seu local determinado pela justiça Divina.

Oyá Gbale, é também conhecida como Oyá Mensan Orúm, ou seja: a mãe dos nove céus ou dos nove planetas. Recebeu parte dos poderes de Omulú o grande senhor conhecedor de todos os mistérios da morte e consequentemente dos eguns.

Segundo as lendas africanas, ela recebeu esse poder após socorrer Omulú que estava passando por uma dificuldade muito grande. Omulú carregava então os ancestrais, eguns, sozinho e a partir dessa data, Yansã do Balé, passou a dividir com ele essa missão, que somente lhe foi entregue com a permissão de Olodumarê, Senhor Supremo do Destino, ou seja, um dos nomes de Deus para os africanos.

Seus assentamentos podem ser feitos com todos os utensílios de barro, mas, existem também aqueles zeladores que a assentam em louça branca, o que de forma alguma está errada.

Carrega chifres de búfalo, Irukerê, espécie de chicote feito com rabo de cavalo ou boi, símbolo de realeza na África e que ela utiliza para guiar os eguns. Também compõe seu fetiche, a espada, o escudo, e demais fetiches que a lembram como guerreira.

Foi casada com Ogum e depois com Xangô. Com seu Eroexim, ou Irukerê, ela separa os vivos dos mortos. Senhora absoluta dos ancestrais tem sua morada nos bambuzais, mas especialmente nos cemitérios.

É uma Orixá muito amada, festejada e temida dentro do candomblé, porque alem de todos esses atributos, é ela quem divide com Xangô o mistério de carregar o fogo na boca.

Come acarajé, cabra, frutas, e demais comidas. Suas vestimentas são brancas, simbolizando a detenção do poder dos segredos de egum. Na África, branco representa luto.

Seu dia de culto é a Quarta Feira, dia que podemos entregar-lhe presentes solicitando que interceda por nós.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

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FOTO: Oyá-Iansã - escultura de Carybé.