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terça-feira, junho 30, 2009

VAMOS CONVERSAR COM DEUS?

Obviamente que Olorúm, Deus, sempre escuta nossas preces e pedidos e quem as encaminha a ele são nossos Orixás e Guias Protetores.

Sempre que estivermos em um problema maior, devemos nos recolher a um canto e sozinhos e em silêncio absoluto, devemos elevar nossos pensamentos a Deus e aos nossos Orixás e mentalizar tudo que está nos acontecendo e nos machucando. É imprescindível que estejamos mergulhados no maior silêncio possível para que nossa mente não vagueie nos sons externos e assim deturpe nosso pensar.

Uma hora muito boa para isso é na madrugada, pois, o silêncio reina absoluto.

Se Vista com roupas, mesmo as de dormir, mas, claras, e se possível acenda uma vela e ao lado coloque um copo com água. Se tiver mel, adicione umas três gotinhas do mesmo dentro do copo com água, se não tiver, não tem importância, apenas tente colocar água filtrada. Essa vela pode estar no chão mesmo ou em cima de uma mesa de centro, por exemplo.

Acenda ao lado um incenso de mirra, canela, ou rosas. Então, sente-se da forma mais confortável possível em posição de meditação, então, reze um Pai Nosso e uma Ave Maria e ofereça ao seu Anjo da Guarda, e também ao Orixá que preferir. Mas, reze apenas com a mente e com o coração, não permita que sua boca profira qualquer palavra.

Após a oração, deixe seu coração divagar sobre o que deseja, sobre o que o aflija e tão somente com o coração, mentalize e deseje o que deseja. Não tenha pressa em terminar, apenas se entregue ao que está fazendo, com o máximo de fé que lhe for possível.

Após o término, profira um agradecimento a Deus e aos Orixás e Guias Protetores por virem lhe assistir, e termine sempre dizendo a si mesmo, da certeza de ser atendido.

Volte para seu leito, relaxe, e durma, e deixe a vela queimar até terminar. No outro dia, após a vela ter queimado, despeje a água em uma planta sem espinho e não venenosa e a borra da vela pode colocar lá também.

Sempre que desejar, repita esse procedimento, pois muitas vezes temos que insistir em nosso sacrifício para que sejamos atendidos.

Que Olorúm nos abençoe.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@gmail.com

segunda-feira, junho 29, 2009

SERMOS ABSTÊMIOS FAZ PARTE DE NOSSO SACERDÓCIO

Com frequencia recebemos reclamações na federação na qual sou filiado e ocupo o cargo de Presidente do Conselho Sacerdotal, de que alguns zeladores teriam consumido bebida alcoólica durante os trabalhos realizados no Axé Orixá. Outros reclamam que não conseguem confiar em determinados zeladores porque constantemente são encontrados alcoolizados.

Iniciei-me nos preceitos dessa religião há 23 anos, na casa da sacerdotisa Indembeleouy, e uma das muitas coisas que aprendi com ela, foi que onde existem bebidas alcoólicas somente encontramos energias inferiores.

Vi vários rituais sendo realizados por pessoas muito antigas no santo e nunca encontrei algum deles que se dedicasse ao consumo de bebida durante os ebós ou outros fundamentos dos Orixás. Ao contrario, sempre os encontrei sóbrios e afastados de tudo que fosse do mundo.

Obviamente que como seres humanos, gostamos de tomar uma cerveja de vez em quando, saborearmos um bom vinho entre outras coisas, mas, jamais podemos misturar esses vícios e demais atitudes dentro da realização de nossos rituais.

A bebida alcoólica é uma necessidade da carne e não do espírito. Dentro de nossos assentamentos, por exemplo, colocamos gotas de vinho moscatel e não litros nem dele nem de outra bebida qualquer. E assim mesmo, utilizamos o vinho, pela representação que ele tinha para as culturas ancestrais.

Para os exús, damos sim a cachaça, mas por ser essa a sua bebida ritualística e não porque exú seja um espírito bêbado ou coisa que o valha. Se observarmos bem, veremos que nossos antepassados tinham o hábito de saborearem goles de pinga antes da refeição, pois que essa lhes abria o apetite. Dentro dos rituais de exú, damos a ele a cachaça por ser ela, um item sacro para essa entidade.

Nós que somos sacerdotes de Orixá temos a obrigação de nos mantermos afastados de tudo que for nocivo ao espírito, até mesmo porque não sabemos em que momento de nossas vidas seremos solicitados para socorrermos alguém que necessite com urgência de nossos dons.

Dentro do sacerdócio, se faz sim obrigatório que nos mantenhamos abstêmios ao menos, boa parte de nossas vidas. Por acaso alguém conhece um zelador de santo que vive enchendo a cara, como se diz, e que tenha uma vida tranquila? Ao menos eu, nunca encontrei.

Essas pessoas que vivem para o álcool, sempre teem uma vida de imensas dificuldades, nunca conseguem passar da roupa do corpo, sempre precisam da caridade alheia até mesmo para comerem, e isso mancha o bom nome de nossa religião.

Se você for realizar alguma obrigação e o zelador ou zeladora estiver consumindo bebida ou mostrando sinais de que bebeu, não faça de forma alguma suas obrigações, pois as consequências podem ser drásticas. Jamais podemos misturar o santo ao profano.

Antes de realizarmos uma obrigação, até mesmo um ebó que seja, temos que nos mantermos longe de bebida e sexo, pois que “contamina” as energias que vamos desprender durante a realização.

Ao darmos um ebó em uma pessoa, ou fazermos um holocausto ou qualquer outra obrigação, desprendemos muitas energias, uma vez que o Orixá as utiliza para interagir na vida de nosso cliente.

Que energia poderemos ceder se estamos alcoolizados ou com nosso corpo sujo de sexo? Com certeza as piores possíveis.

Nossa religião é o lido direto com a natureza e com forças elementais dela e assim, somos obrigados a nos mantermos abstêmios para que possamos estar aptos para a realização de nosso sacerdócio.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

sábado, junho 27, 2009

SERMOS CANDOMBLEZISTAS É TERMOS ORGULHO DE NOSSA FÉ.

Muito se fala em Candomblé, mas, pouquíssimos são os que teem coragem de se identificarem como seguidores dessa doutrina. Omitem-se seja por motivos de discriminação, por vergonha, e tantos outros. No quesito discriminação, teem medo de perderem seus empregos ou de não conseguir emprego, no caso dos desempregados, afinal parece mentira, mas ainda existem empresas que perguntam sobre a religião das pessoas quando solicitam uma vaga.

Outros possuem o medo de se confessarem Candomblezistas ou Umbandistas, por terem amigos na alta sociedade, frequentam sempre esse meio, e se descobrem que são dessas religiões serão discriminados, perderão as vantagens que possuem com aqueles de seu hol.

Por que termos vergonha de nossa religião? Temos sim, que nos confessarmos praticantes dessa doutrina e exigirmos que a Constituição seja respeitada, e com ela nossos direitos.

Conheço até mesmo zeladores que teem medo de se identificarem fora de seus templos, porque perderão as vantagens que possuem em determinados meios que frequentam. Outros sempre dão um jeito de mudarem de assunto quando a conversa desvia para religião, porque sentem verdadeiro horror das pessoas descobrirem que são do santo.

Hoje em dia temos tantas leis e ainda assim insistem em perseguir nossa classe. Temos a lei da homofobia, de combate à discriminação racial e também da discriminação e intolerância religiosa.

O problema é que os primeiros exigem que sejam respeitados em sua opção sexual e sua etnia, o que está corretíssimo uma vez que se a lei existe tem que ser respeitada, enquanto nós candomblezistas e umbandistas, nos escondemos atrás das regras da igreja católica, nos confessamos ser de suas fileiras de fiéis ao invés de nos anunciarmos praticantes da religião afro-brasileira.

Enquanto nos omitirmos, JAMAIS seremos respeitados, pois quem mais pode lutar por nós se nos escondemos atrás de dogmas que nunca foram nossos?

Temos que entender que a era do sincretismo já passou há muito tempo, e se era usado era tão somente porque, primeiro os senhores de escravos e depois as leis do país exigiam que fôssemos “cristãos” não podendo termos outra religião. Mas, graças aos estudos que foram à fonte de desmistificação de muita coisa, viram que nós somos tão CRENTES como qualquer membro de igreja, pois crente é todo aquele que crê em algo, e nesse caso, mais precisamente em Deus e seu filho Jesus.

Após esse entendimento, leis foram criadas, nos garantindo o direito supremo e inalienável de termos nossa religião respeitada e a Carta Máxima da Nação, segue o que foi proclamado em 1948 na Declaração dos Direitos Humanos da ONU, em seu artigo 18º que assim diz:

“Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos”.

Oras, se a Constituição do Brasil e a ONU nos garantem o direito de escolhermos e praticarmos nossa religião livremente, por que vamos no calar, perante aqueles que se julgam e agem como nossos algozes como se estivessem no século XV?

Por que nos omitirmos quanto a nossa religião, se tantas coisas belas existem nelas? E ainda existe algo gravíssimo: SOMOS PROIBIDOS DE ENTRAR EM HOSPITAIS E PRESIDIDOS PARA DARMOS ASSISTÊNCIA AOS QUE DESEJAREM, E ISSO TAMBÉM FERE A CONSTITUIÇÃO. Vejamos o que ela diz:

“VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.”“.
Ao que podemos observar, “entidades Civis e Militares” subentende-se como hospitais e presídios, então, por que nos coíbem de nossos direitos garantidos por lei? Por isso tudo irmãos amados, é que devemos sempre estarmos atentos ao que dizem nossas leis, nosso código civil e criminal e estarmos muito cientes de nossas obrigações e de nossos direitos.

Até mesmo o casamento celebrado em templos de Umbanda e Candomblé possuem valor jurídico, basta os nubentes estarem aptos a se casarem e a casa estar devidamente legalizada na Federação, Receita Federal e outros órgãos, isso também nos garante a lei!

Então mais uma vez eu pergunto? Por que termos vergonha de nossa religião? Por que nos escondermos em crenças e dogmas que não nos pertencem de forma alguma?

Agirmos assim é nos acovardarmos perante aos nossos antepassados, pois que plantaram seu conhecimento em nosso país, com seu suor e seu sangue, o mesmo que deram para construir essa nação que tanto amamos!

Sejamos nós mesmos! Não nos curvemos perante a imposição de outros e exijamos que nossos direitos sejam respeitados!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi. Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

sexta-feira, junho 26, 2009

NANÃ BURUQUÊ OU BURUKÚ

Grande Senhora muito cultuada em todos os candomblés e também muito temida por todos, por ser a Senhora das almas danadas e impossíveis.

Muitas são as lendas em torno dessa personagem da mitologia afro, mas, em uma coisa todos concordam, ela foi a primeira esposa de Oxalá.

Durante sua vida na terra, teria ela sido uma Yabá muito vaidosa, e foi justamente essa vaidade que fez com que ela renegasse seu filho Omulú, abandonando-o dentro do pântano. Essa atitude de Nanã foi pelo fato de ele ter nascido com várias doenças de pele, e ela, vaidosa como não havia outra igual, não se permitia cuidar de uma criança com tantas chagas, pois que essas lhe traziam repugnância.

Omulú teria sido recolhido por Yemanjá a qual comunicou o fato a Oxalá e esse tomado de ira, a condenou a gerar somente filhos anormais. Ainda não satisfeito Oxalá a expulsou de seu reino e determinou que ela fosse residir no mesmo lugar no qual abandonara seu filho.

Desde então, Nanã tornou-se o Orixá mais temido de todas tribos da África e dentre essas, algumas conservavam o ato de as pessoas se jogarem no chão todas as vezes que seu nome fosse pronunciado, pois temiam sua ira.

Tornou-se ela, a dona das doenças cancerígenas com as quais pune àqueles que lhe desobedecem ou faltam o respeito. Após se transladar ao Orúm, sempre vem acompanhada de seu filho Omulú, e ainda é a protetora dos idosos, doentes, das pessoas que possuem deficiência nas vistas e também dos desabrigados.

Sua origem religiosa se dá no antigo Daomé, hoje a atual república de Benin.

Assim sendo, ela é cultuada como Vodun por esse povo e pela nação Gêge aqui no Brasil. Já nos Kêtos e Angolas é cultuada respectivamente como Orixá e Inkisi.

Carinhosamente é chamada de avó dentro das casas de Candomblé, pois que para as lendas, ela é o mais antigo dos Orixás e através dela é que todos, inclusive os Orixás, puderam nascer. Afinal todos somos feitos à partir da lama.

Seu instrumento é o Ibiri, feito a partir de nervuras de dendezeiro e traduz seu poder entre a vida e a morte, pois é ela, quem guarda e governa os portais por onde passamos ao nascermos e depois ao morrermos.

Dado ao seu incomensurável poder, é Nanã a senhora das almas, da morte, dona da chuva, do mangue, da lama, das doenças e de várias ciências, também é dona e nos protege das enchentes.

Seu culto segundo os africanos é o mais antigo de todos, até mesmo mais antigo do que o ferro, descoberto por Ogum e cedido à humanidade para lhes facilitar o trabalho na terra, e por isso em seu culto não se usariam objetos cortantes.

Nos candomblés dos zeladores mais antigos, ao se pronunciar seu nome, se colocava a mão sobre a boca e emitia-se um som. Esse ato é ainda usado dentro da nação Angola, ao se fazer sua reza e na saída do iniciado quando gritamos: Eminakuêra, uuuuuuuuuuuu.

Segundo sacerdotes antigos, as pessoas desse santo, não podiam ter casa aberta, uma vez que não poderiam jamais raspar um yawô e isso pelo fato de ela ser a senhora da morte e nunca sabermos como ela virá em sua manifestação.

Se bem cultuada eleva seus filhos em sua vida material e financeira e esses possuem muita inteligência. Dificilmente encontramos um filho de Nanã que passe por dificuldades maiores. Sendo a fartura uma característica sua. É sincretizada com Nossa Senhora Sant’ana.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.
odemutaloia@hotmail.com



quarta-feira, junho 24, 2009

INTOLERÂNCIA CAUSA PRISÃO NO RIO DE JANEIRO

Com muita alegria li essa matéria no Site do G1 <http://g1.globo.com> e confesso que meu coração se alegrou, pois finalmente a justiça contra os que agem com menoscabo contra os Umbandistas e Candomblezistas pelo Brasil afora está sendo feita.

Diz a noticia que uma delegada do Rio de Janeiro, a Drª Helen Sardenberg, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, informou que essa seria a primeira prisão para esse tipo de crime no referido Estado.

Os citados são o pastor Tupirani e um outro membro da mesma igreja, denominada Igreja Geração Jesus Cristo, e eles foram presos na zona portuária do Rio, suspeitos do crime de Intolerância religiosa.

A delegada informou ainda, segundo a matéria, que esses presos são responsáveis pela veiculação na Internet em que uma pessoa que se diz chamar Afonso Henrique se refere com menosprezo a pais de santo.

A denúncia teria sido feita pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa ao MP, Ministério Público, registrando a queixa no dia 17, Quarta Feira e a prisão se deu no dia 19, Sexta Feira.

Embora a prisão dos dois seja ainda em caráter provisório, mas já alcança um ótimo avanço das religiões de matriz africanas. Afinal sempre somos tratados com desprezo, com termos pejorativos e nada se tinha feito até então.

Aproveito esse espaço para repassar essa notícia e solicitar a todos os irmãos e irmãs que se sentirem vítimas de tais atos, que se encaminhem a Delegacia mais próxima de seu templo ou de sua residência e ali faça um Boletim de Ocorrência, não podemos permitir que continuem agindo de forma cruel, vilipendiando nosso nome e o nome de nossa fé e de nossos antepassados.

Essa com certeza foi à primeira de muitas outras medidas que serão tomadas a partir de agora, colocando um ponto final em todas essas ondas de ataques que temos sido vítimas em toda a história de nossa fé.

Lutemos por nossos direitos e exijamos que a lei seja cumprida! Vivemos em uma democracia e temos nossos direitos garantidos por lei.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

Fonte:<http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1201265-5606,00-PASTOR+E+INTEGRANTE+DE+IGREJA+SAO+PRESOS+SUSPEITOS+DE+INTOLERANCIA+RELIGIOS.html > Acesso em: 22 jun.2009

terça-feira, junho 23, 2009

CONTRA EGUM

Dentro de todos os rituais do candomblé ele está presente e sua importância é imensa nos nossos preceitos. Mas, o que é contra egum?

É um utilitário trançado a partir da palha da costa. Sua confecção se dá com o corpo limpo das impurezas da carne e com rezas de santo feitas durante todo o tempo em que se está confeccionando o mesmo. Também existe a reza para se colocar o contra egum e para retirá-lo da pessoa.

Segundo os mais antigos, ele pertence a Obaluayê e serve para afastar espíritos desencarnados da pessoa que está passando pela obrigação. É de grande significado, pois com suas rezas e posteriormente com sua imantação através de determinados banhos, ele não permite de forma alguma que espíritos de mortos se aproximem de quem o s está usando.

Devemos utilizar os contra eguns mesmo depois de nossos preceitos cumpridos e, sempre que formos a algum hospital, cemitério, delegacias, ou mesmo visitarmos um doente crítico. Dentro de hospitais os utilizamos por ser esse local, um verdadeiro “paraíso” dos mortos, no cemitério dado a ser o local de descanso para nossos entes queridos, e em delegacias e presídios por serem locais infestados de energias negativas.

Algumas pessoas alegam que contra egum pode ser utilizado nos braços, nas pernas ou na cintura, mas isso é um erro. O contra egum somente é utilizado nos braços, o que se usa nas pernas tem outro nome, assim como o que se usa na cintura.

Nas pernas usamos o OPACHORÔ que também pertence a Obaluayê e nesse utiliza-se um guizo preso, pois seu barulho espanta os eguns. Já na cintura usa-se o cordão umbilical que representa a ligação direta do iniciado com seu Orixá.

É importante lembrarmos que ao usarmos os contra eguns nem mesmo Caboclos, Pretos Velhos ou outra entidade qualquer se aproxima de nós, muito menos se incorporam, pois são esses espíritos de desencarnados e assim não se comportam dentro dos segredos do Candomblé.

Sempre que tivermos utilizando contra egum, estamos impossibilitados de praticarmos sexo e de consumirmos bebidas alcoólicas, pois, que nessa fase, nosso Orixá está diretamente ligado a nós e como sabemos, essas coisas lhes são completamente estranhas.

Vale também lembrar que na Umbanda não se usa contra egum, porque suas rezas, sejam para confeccioná-los ou mesmo para retirá-los e colocá-los no médium, são pertencentes tão somente ao Candomblé e que na Umbanda não se conhece as mesmas.

E se por ventura você estiver usando contra egum, não se envergonhe, ao contrário; tenha orgulho do mesmo, pois pertence a uma religião muito mais antiga que o cristianismo.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com


MAIS UM CASO DE INTOLERÂNCIA ASSOLA A CIDADE DO RIO DE JANEIRO!

A intolerância religiosa, continua crescendo, e muito pouco estamos fazendo para salvaguardar nossos direitos. Vejamos o texto que me foi enviado por esse nosso irmão Yango D’Obaluayê que me autorizou sua publicação:

Madrugada do dia 10.06.09, por volta de 02 hs da madrugada, vândalos ou talvez delinquentes invadem a “Tsara Antal Kóczé" - Santuário de Santa Sara Kali - localizada na Estrada do Gabinal, 1799 - Freguesia - Jacarepaguá - Cidade do Rio de Janeiro, Brasil BR, que tem como responsável o Barô Joelmir Amrmendro (mais conhecido como Pai Joelmir D. Oxossi).

Segundo relato de Pai Joelmir o ataque deve ter acontecido de madrugada, pois naquele mesmo dia ele passará hora antes a invasão e tudo parecia normal. No dia seguinte seguindo os seus rituais de rotina e junto a sua esposa Sra. Beatriz Machado e seus filhos, viu sinais de arrombamentos, janelas quebradas, de início pensou em assalto, mas logo que a adentrou o santuário sagrado, viu o que nunca gostaria de ter visto, o seu altar totalmente depredado, imagens de Santa Sara de Kali e de NSra. Aparecida Padroeira do Brasil quebradas, vidros por toda parte, sinais de urina jogados no altar e na parede, sangue em algumas partes das dependências do Santuário, imagens ciganas e vasos totalmente destruídos, pertences de cultos espalhados por toda parte do salão, e o mais interessantes, produtosde valor intactos sem serem levados ou roubados, a cozinha foi totalmente remexida, alguns alimentos foram levados e o dinheiro sagrado do altar também já não estava mais lá.

A Ocorrência foi registrada como: Preconceito de Raça, Cor , Etnia,Religião ou Procedência Nacional (Lei 7.716/89) capitulo artigo 20 da mesma Lei (Lei Caó).

Dia 14.06.09 às 10h da Manhã haverá um manifesto em frente a Tsara, onde a Santa Sara restaurada, será imantada e posta novamente em seu altar.

IRMÃOS TEMOS QUE FAZER ALGUMA COISA, NÃO PODEMOS PERMITIR DE SERMOSVILIPENDIADOS DE PROFESSAR A NOSSA FÉ, NÃO DEVEMOS PERMITIR QUE NINGUÉM POSSA ABUSAR DE NOSSA ANCESTRALIDADE, DE NOSSOS ANTEPASSADOS, A JÓIA RARA E VALIOSA DE NOSSA CULTURA E DE NOSSA RELIGIOSIDADE, TEMOS QUE DAR UM BASTA.

A NECESSIDADE URGENTE QUE AUTORIDADES ASSUMAM SEUS PAPÉIS ESTAMOS CHEIOS DE MEIAS VERDADES, DE MEIAS POSIÇÕES, MEIAS AÇÕES, QUE NÃO VEMOS NUNCA ACONTECER, ONDE ESTÁ OS NOSSOS DIREITOS? ONDE SE ENCONTRA A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA QUE É RASGADA DIARIAMENTE! PRA QUE SERVE O CONGRESSO? A ONDE ESTA A CÂMARA DE VEREADORES QUE SÃO ELEITOS PARA DEFENDER A CIDADANIA DOS CARIOCAS, A ONDE FICA ESTA TAL FISCALIZAÇÃO QUE NÃO APARECE NUNCA! QUANDO DEFATO E DE DIREITO SEREMOS RESPEITADOS?*

segunda-feira, junho 22, 2009

SATANISMO E ADORAÇÃO AO INFERNO NUNCA FOI CANDOMBLÉ

Existem pessoas sem escrúpulos que andam a anunciar aos quatro ventos, que, nós praticantes do candomblé somos adeptos de lúcifer e de seus anjos trevosos. MENTIRA !

Porém essa mentira encontra guarida em FALSOS SACERDOTES que culminam por dizerem para as pessoas que; após sua obrigação, teem que esquecer de Deus, pois quem lhes dará tudo daquele dia por diante é o diabo. CALÚNIA, DIFAMAÇÃO E FALTA DE CARÁTER!

Sou sacerdote de Candomblé, com 23 anos de feito, pratico Umbanda por amor e nunca vi tamanha barbaridade como essa! Candomblé nada tem a ver com esse ser trevoso que nada tem para oferecer às pessoas. Temos, sim a ver com Deus nosso Pai Celestial e com seus Ministros nossos Orixás! Esses sim possuem tudo que desejamos nessa vida.

Andam por aí esses FALSOS SACERDOTES, pregando que fazem e acontecem, mas, se formos observar suas vidas veremos que vivem em petição de miséria e que muitas vezes nem mesmo o que comerem teem em suas casas.

Claro! Andar pregando os infernos para que possam trabalhar para as pessoas? Em minha opinião isso é no mínimo ridículo e deveriam essas pessoas serem presas, terem até mesmo seus direitos religiosos suspensos em todo o Território Nacional.

Se por acaso você que está lendo essa humilde página foi levado a ouvir essas arbitrariedades, não tema: denuncie o fato à federação e exija que atitudes sejam tomadas para coibir tais atos.

Esses que pregam o satanismo são tão ridículos que ensinam para seus filhos e consulentes que a palavra Candomblé significa magia negra!

Que vão primeiro se formarem como sacerdotes, aprenderem primeiro a falar coisa séria e não essas asneiras que somente saem da boca de quem não tem preparo algum para nada a não ser ROUBAR dinheiro dos outros que de boa fé, entregam seus problemas em suas mãos.

Amarmos nossos Orixás é sobre tudo, amarmos a Deus em primeiro lugar é temermos sua ira e termos a consciência de que a ELE VAMOS PRESTAR CONTAS DE NOSSOS ATOS E NÃO AO INFERNO E SEUS MÍSEROS HABITANTES!

A palavra Candomblé tem significado em nada parecido com diabo, capeta, ou seja, lá o que for. A palavra Orixá, como já expliquei inúmeras vezes tão somente significa Guardião da Cabeça, ou seja: Anjo da Guarda para ficar mais claro. Mas, pessoas sem índole, sem preparo algum, andam por aí dizendo que nossos Orixás são capetas. Só se capeta forem eles, que mentem e roubam usando o nome sagrado de nossos antepassados.

Se temos até mesmo que zelarmos da natureza, pois nele moram nossos Santos, se somos proibidos de usar drogas, se somos aconselhados a viver sem bebida alcoólica em nosso dia a dia, e também a não roubar nada, como podemos servir a esse ser Inferior?

Temos sim, que combater essa prática ridícula que macula de todas as formas nossa fé e que somente serve como meio de vilipêndio. Nunca nossa fé teve algo a ver com seres funestos. Ao contrário, amamos a natureza e Deus acima de tudo!

Não se deixe enganar prezado leitor, amamos somente a Deus e nada mais, e se amamos nossos Orixás, é somente porque esses são a expressão de nosso Criador.

Use seus direitos, exija providências da federação e se afaste de pessoas que pregam tais inverdades.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@hotmail.com


domingo, junho 21, 2009

SAUDOSAS GIRAS DE UMBANDA

Antigamente, lá pelos idos dos anos 70 e 80, os trabalhos de Umbanda eram realizados de forma bem diferentes das de hoje. Hoje as coisas mudaram muito e infelizmente parece que o respeito também é algo escasso até mesmo em alguns templos religiosos.

Lembro-me de que ao virarem a linha de caboclo ou preto velho para exú, por exemplo, as crianças eram retiradas de dentro do templo, pois os antigos não permitiam que as mesmas presenciassem esse tipo de trabalho por medo de que as crianças recebessem alguma energia que não fosse 100% compatível com seu desenvolvimento material. E se por ventura o caboclo, pretos velhos, marinheiros ou outro guia fosse realizar um trabalho de puxada, ou seja: trazer algum espírito atrasado que estivesse na vida ou na casa de alguma pessoa ali presente, as crianças e gestantes eram imediatamente retiradas da sala a fim de que não presenciassem o decorrer de um trabalho tão pesado e o mesmo acontecia quando se fazia necessário o uso do fogo de pólvora.

No tangente à bebida então, total diferença de hoje em dia: as entidades não bebiam e quando os exús se incorporavam eram dados a eles apenas uma ou no máximo duas doses de pinga em um coité. Os marujos não bebiam em demasia e assim por diante.

Hoje as coisas andam meio complicadas; realizam qualquer tipo de trabalho na frente de qualquer pessoa, não importando que seja uma grávida ou mesmo criança. Utilizam-se de artifícios mil para convencerem as pessoas a confiarem em seus trabalhos, e isso quando as entidades não chegam para brigarem com alguém pelo fato, por exemplo, de ter discutido em casa.

As bebidas são servidas como se fossem águas em torneira, tamanha a quantidade que se entrega nas salas. Penso que isso não passa de exibicionismo e pretensão, pois que as entidades não precisam de tanta bebida para trabalhar, afinal sabemos que onde existe certa quantidade de álcool somente espíritos inferiores se achegam.

Devemos respeitar as limitações dos corpos dos médiuns, afinal suas entidades precisam deles com boa saúde e disposição e se estão a se entregarem a devaneios e também a exageros, obviamente que somente seres negativos se aproximarão daquela casa e de seus trabalhos.

Também é verdade que nem todas as casas agem assim, que se procurarmos encontraremos pessoas sérias e dispostas a praticarem uma Umbanda com amor e com limitações. Sem o exagero que vemos em uma certa quantidade de templos.

Aliás, nossos templos são nossas igrejas e temos a obrigação moral de zelarmos por eles, não permitindo que nada aconteça e que venha prejudicar o bom andamento de seus trabalhos e mesmo o bom nome de nossa religião.

Zelando por nossos templos, estaremos zelando por nós mesmo uma vez que ali renovamos nossas energias. É ali que nossos menores se comunicam com os demais para lhes amenizar o sofrimento nesse mundo às vezes tão cruel.

E da mesma forma que zelamos de nosso templo. Temos que zelar pelo nome de nossa fé, afinal se somos nós, os primeiros a derrubarmos nossos bons costumes, o que farão as demais pessoas?

Umbanda é paz, amor, equilíbrio acima de tudo, é a união de forças celestiais, de mensageiros de paz e confraternização, e não a orgia que alguns praticam.

Precisamos recuperar o bom senso, levarmos nossos trabalhos sem maiores futilidades, termos a consciência de que somos escolhidos para uma missão divina. Se agimos contrários às leis, estaremos dispondo o bom nome de nossos Guias Protetores.

Amemos pois, a Umbanda e deixemos de lado as futilidades pois elas são necessidades da carne e não do espírito.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

sábado, junho 20, 2009

OROGBÔ OU OROBÔ

Uma fruta muito utilizada no Candomblé assim como o obi. Importantíssima e imprescindível em assentamentos, boris, feituras e demais atos do Axé Orixá. Pertence a família das Garcínias e seu nome científico é Garcinia Kola Heckel, dentro da nação Angola também é conhecido como “falso nós de cola”.

Assim como o obi, os fundamentos de Orixá estão incompletos sem ele, aliás, não fazemos um Yawô sem esse fruto. Originário da África, também é encontrado na Polinésia, Ásia e Austrália.

Ao fazermos o abô, banho sagrado utilizado dentro do Candomblé, essa fruta é um dos itens ritualísticos. Podemos também utilizar o orobô para a consulta de um vivente quando se fizer necessário e claro que não substitui o Oráculo de Ifá. Ao mastigarmos, seu gosto desagrada ao paladar, pois incomoda um pouco, porém, é de imensa utilidade nos preceitos religiosos e serve também para “fechar o corpo” em nosso dia a dia. Também sendo utilizado como banho em determinados momentos de nossa vida quando passamos por algum problema que requeira esse banho.

Ao efetuarmos rituais de Orixá, depois que rezamos e jogamos o obi, fazemos a reza do orobô e procedemos com seu jogo, para sabermos se o Orixá aceitou ou não a obrigação que está sendo realizada.

Ele pode ser utilizado para qualquer Orixá, mas tem um significado para uma determinada qualidade de Xangô que não usa de forma alguma o obi.

Fruto sagrado dos Orixás, a exemplo do obi, não pode de forma alguma ser aberto e jogado por quem não seja feito no santo ou mesmo que não tenha suas obrigações em dia. Seu uso é dentro de Candomblé não pertencendo aos rituais da Umbanda.

Também é muito apreciado por Águé, sendo que em seus rituais é bom que seja sempre usado para aláfia juntamente com o obi e mesmo na falta desse o orobô pode ser utilizado sozinho. Ainda existem algumas casas que utilizam o orobô no preparo de algumas comidas sagradas dos Orixás.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

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quarta-feira, junho 17, 2009

OS SEGREDOS DA ALUBAÇA, OU CEBOLA.

Como tempero a cebola é muito conhecida por todos nós, seja na culinária do dia a dia em nossas casas ou mesmo na cozinha de santo. Com um pH altíssimo ela é benéfica ao coração como dizem os médicos. Muito embora seu sabor não seja muito apreciado por todos quando crua, porém, sua qualidade medicinal até mesmo no combate dos sintomas da gripe são indiscutíveis.

Dentro do Candomblé, sua utilidade vai muito mais além das panelas quando é usada como tempero: ela serve para o ALÁFIA como chamamos o ato de ler a cebola para interpretarmos os problemas de um cliente e também como confirmação de uma obrigação para egum e exú.

Não que sua leitura seja tão expressa como a do jogo de búzios, mas, se o sacerdote tiver visão consegue interpretar alguns detalhes de um problema quando houver a impossibilidade de se abrir o oráculo de Ifá.

Nas matanças e outros rituais de exú e egum, ela é alafiada para que possamos ter a condição de confirmarmos a satisfação e o recebimento das mesmas, desde que seja preparada com os itens ritualísticos necessários e também com a pronunciação das palavras litúrgicas. Nesse momento deve o zelador proceder com a máxima concentração, pois estará em contato direto com a entidade a qual receberá a oferenda.

Também é utilizada a alubaça ou cebola, como forma de se conversar com Caboclos, alguns sacerdotes mais antigos, diziam ser ela o principal ato para se realizar obrigações para o Caboclo Juremeiro, uma vez que seria ele o dono desse processo. Não digo ser certo ou errado essa afirmativa, mas, sei que tudo que os antigos nos ensinavam tinham sim, seus fundamentos e podíamos ir sempre em seus ensinamentos que dificilmente erraríamos fosse no que fosse.

Pertencente a caboclo, exú ou egum, o fato é que a cebola é parte de nossos fundamentos no Candomblé e sem ela muito pouco podemos fazer para algumas entidades, uma vez que ela substitui o obi quando em suas obrigações.

Mas, fica o alerta: assim como os búzios e o obi, a abertura de uma alubaça para jogo, não pode de forma alguma ser realizada por pessoas que não sejam feitas de santo, ou se assim o forem, mas não tiverem suas obrigações em dia. Isso porque a entidade não reconhece aquele que não tem os fundamentos necessários e esses assim como as rezas para cada ocasião somente são passados para as pessoas com determinado tempo de raspados.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

terça-feira, junho 16, 2009

ORIXÁS, MITO OU REALIDADE?

Fonte: <http://aulobarretti.sites.uol.com.br>

Foto do Adê Bayanni Usada por Dadá Ajaká . Pertencente a Yêda Pessoa de Castro, Exposta no Museu Afro Brasileiro, 1983.
Sempre que questionam nossa religião, falam que são demônios, que são seres que apenas existem na imaginação popular. Eis aí um grande erro por parte das pessoas, sejam elas leigas ou mesmo de dentro do Axé Orixá.

Existem pessoas iniciadas que dizem que Orixá nunca teve vida terrena, que não passam de seres mitológicos. Outro ledo engano.

Os Orixás existiram sim, obviamente que existem suas lendas, mas eles existiram, foram pessoas que sofreram, amaram, sorriram, choraram, foram felizes e alegres.

O que acontece é que na tradição africana, se cultuam os antepassados como parte do Orúm, Céu, como composições da energia suprema de Olorúm, Deus, e não como seres que após morrerem, simplesmente deixam de existir para toso o sempre.. E isso vários historiadores das culturas e religiões veem mostrando no dia a dia com seus estudos, suas pesquisas.

Um caso muito estudado é do de Xangô, que nasceu em Nupe, terra dos Tapás a mesma cidade natal de sua mãe Torosí. Nessa época quem reinava em Oyó era Dadá Ajaká, seu irmão consanguíneo. Xangô então muda-se para Oyó e foi residir em um bairro chamado por ele de Kossô, que era o mesmo nome da cidade na qual viveu, mantendo assim seu título: Obá Kossô.

Porém, ao perceber a fraqueza de seu irmão, e sabendo que um país precisava de um Rei mais agressivo e destemido, e sendo ele astuto e com muita ânsia de poder, destronou seu irmão Ajaká transformando-se assim no quarto Alafin de Oyó. Dadá Ajaká é exilado sai de Oyó e vai reinar em uma cidade menor e de menos importância, Igboho, essa era vizinha de Oyó. Como tinha sido deposto de seu trono, não mais tinha o direito de usar a coroa real de Oyó.

Destronado ele teve que usar uma coroa de búzios chamada de Adê de Bayanni e essa foi usada por ele até a morte de seu irmão Xangô, ocasião em que Dadá voltou a reinar.

Xangô teria segundo estudiosos, reinado em 1700 a.C. Era ele um Rei severo, um soberano que amava o poder mais que tudo e com isso ele passou a ser odiado por vários de seus súditos.

Possuía ele um exército imenso que era comandado por Afonjá que recebia também o nome de Arê Onã kakanfô, o qual foi o comandante de uma revolta para abolir com o tipo de governo em Oyó. Para essa revolta Afonjá solicitou e obteve apoio de um professor nômade, da tribo dos fulanis, povos que vivem ainda hoje segundo os historiadores em todo o continente africano e são nômades. Esse professor que ajudou Afonjá chamava-se Alim al-Salih, e como bom mulçumano ajudou Afonjá, pois queria ver o culto a apenas um Deus ser introduzido em África, o que deu início para a quebra de toda uma tradição.

Xangô após ser rejeitado pelo conselho de anciãos, foi condenado a se enforcar como era o costume da época.

Aqui faço uma referência a esse fato, para mostrar que nunca, Candomblé foi baseado em lendas de seres que jamais existiram nessa terra! Ao contrário: existiram sim, foram reis, rainhas e pessoas de grande influência em suas épocas. Se estudarmos as pesquisas realizadas por vários historiadores, veremos que muito do que chamamos lendas, são na verdade, passagem da vida dessas pessoas e assim sendo, dignas de todo o respeito possível.

Lembremos também que entre os povos antigos, era costume se adorar os reis como reencarnação de deuses que aqui vinham para guiarem seu povo para um caminho de progresso e prosperidade.

Dentro de nossa religião, encontramos muito mais coerência do que imaginamos, e também encontramos respostas para a questão das qualidades de santo na nossa religião.

Ajaká por exemplo, que a história relata como Supremo General das forças armadas de Oyó, é cultuado como uma forma de Xangô, e com toda a razão, pois foi graças a sua ousadia que o povo yorúba passou a ter um governo mais aberto e com uma certa liberdade a qual era imensa para o tempo ao qual se refere essa história, vejamos que nos reportamos aqui a um tempo de 1700 a.C.

Todas as vezes que rezamos para nossos Orixás, rezamos para ancestrais da raça humana, dado que a ciência já vem provando que foi justamente no continente africano que a vida teve início na terra, e para os africanos foi mais precisamente em Ifé.

Não que Ifé tenha sido o berço de toda a raça humana, mas, da raça a qual pertencemos nos dias atuais.

Sermos candomblecistas é sobre tudo pertencermos a uma religião que cultua o ser humano como parte de um cosmo de tamanho e força incomensuráveis e também a natureza como expressão máxima de Deus Onipotente.

Ao confirmarem que zelamos por lendas, as pessoas geram uma grave falta contra essas pessoas que em seu tempo construíram literalmente o mundo que conhecemos atualmente.

Se faz necessário que amemos nossa religião e que tenhamos orgulho de pertencer a uma etnia que sem a qual não estaríamos hoje aqui.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

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sábado, junho 13, 2009

O ORIXÁ OGUM


Rebento de Odudúa e yembo, sendo assim irmão de Xangô, Oxossi, Oxum, Eleguá e Exú. Seu pai foi o grande herói do povo yorubano, e segundo pesquisadores, fundador da cidade sagrada de Ifé. As histórias mostram que certa vez, Odudúa foi acometido por uma cegueira temporária e seu varão Ogum reinou por ele.

Em outros mitos seria ele, filho de Oxalá e yemanjá.

É ele um Orixá de suma importância tanto na África como aqui no Brasil, suas histórias remontam datas em que o homem nem mesmo caminhava pela Terra. Seria ele o primeiro Orixá a descer do céu para a terra. Por isso ser ele o primeiro dos Orixás a ser homenageado e nenhum outro, com exceção de Exú pode receber qualquer oferenda antes dele.

Contam as lendas africanas que os duzentos deuses que residiam à direita de Olodumarê, Deus, se rebelaram contra ele, e assim foram punidos e destruídos por Deus, como Ogum foi o único desses deuses que não se rebelou, coube a ele a tarefa de guiar os quatrocentos deuses que residiam à esquerda de Deus.

Na mitologia yorúba Ogum é o Orixá ferreiro, senhor absoluto dos metais e tudo que temos hoje em dia, devemos a ele. Contam as histórias africanas que foi Ogum quem ensinou a humanidade a forjar o aço para que pudesse assim desenvolver melhor a agricultura e também para que pudessem construir armas para se defenderem dos ataques de seus inimigos.

Em seu fetiche ele carrega sete instrumentos feitos a partir do ferro: machado, enxada, pá, picareta, espada, foice e martelo e com esses instrumentos ele ajuda os homens a vencerem a natureza que em muitas vezes se mostra cruel não permitindo nem mesmo que a aragem seja realizada.

Teria sido Ogum, um destemido guerreiro que brigava constantemente com os reinos vizinhos e sempre que guerreava jamais voltava perdedor, pois era um grande estrategista e assim sendo, seus soldados não temiam ir à guerra onde fosse que esta estivesse.

De suas guerras, Ogum sempre trazia valorosos espólios e também muitos escravos. Em uma de suas lutas contra a cidade de Ará, ele a destruiu completamente além de ter saqueado vários outros reinos vizinhos.

Após essa matança, ele marchou contra Irê e lá, após ter destruído por completo a cidade, matou seu Rei e colocou seu filho no trono, e de volta Ifé, ele adotou o titulo de Oní Ifé, que significa Rei de Ifé.

Aqui no Brasil, seja na Umbanda ou no Candomblé, esse valoroso Orixá é de suma importância e nada se faz sem dar satisfação a esse Orixá que não somente sabe manipular o aço e o ferro, mas que acima de tudo é um exímio e destemido guerreiro.

Os antigos nos ensinam a sempre darmos um sacrifício a ele ao recebermos algum favor dele, pois assim, aplacaríamos sua ira, que ainda segundo a sabedoria dos mais antigos em nossa religião, é a pior que pôde se vista até hoje no mundo.

Nada se promete a Ogum e não se cumpra, pois ficará cego de raiva e aí as consequencias podem ser terríveis. Afinal, ele é ainda sincretizado com o Deus Ares, grande deus da guerra.

Como filho, sempre foi obediente a seu pai e sua mãe, e jamais fará algo que contrarie suas ordens. Bom filho, sempre foi amado por todos e desejado por todas as mulheres. Suas filhas são geralmente mulheres de temperamento calmo, porém determinadas e nunca aceitam o julgo de um homem por mais que o ame.

Temos que nos acautelar ao lidar com esse Orixá, pois possui temperamento forte e por qualquer motivo, demonstra um ira jamais vista. Porém se bem agradado, nos abre caminhos maravilhosos e segundo dizem nossos mais velhos: “caminhos que Ogum abre, ninguém fecha”.

Salve Ogum, Principal Orixá em nossas cabeças!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

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quinta-feira, junho 11, 2009

OBI, A FRUTA SAGRADA DOS ORIXÁS

Na verdade obi é uma semente. A nós de cola. Muito usada em todos os preceitos do Axé Orixá, e nada se faz sem que ela esteja presente, seja para confirmar uma obrigação, seja para ser ingerida no dia a dia como forma de proteção contra todos os males que atingem os seres humanos.

Nada podemos realizar dentro do Candomblé sem abrirmos um obi e jogarmos para que o Orixá nos diga se está ou não satisfeito com os rituais realizados.

Segundo as crendices africanas, assim surgiu o obi e sua importância para nossos ancestrais:

Olodumarê, o Deus supremo, percebeu em determinada ocasião que os Orixás estavam se digladiando e, antes de descobrirem que as brigas aconteciam devido às artimanhas de Exú, que sendo brincalhão e esperto não podia deixar passar uma oportunidade de criar uma desavença, ele, Olodumarê, resolveu chamar as quatro divindades calmas para em conjunto encontrarem uma solução para o problema que surgira. Essas divindades eram: paz, Harmonia, Concórdia e Ayê. Sendo que essa última seria segundo as lendas, a única divindade feminina presente.

Por mais que conversassem, não encontravam uma resposta definitiva para os motivos de os mais novos não obedecerem e respeitarem as determinações dos mais velhos, conforme Deus havia determinado que fosse.

E como não se achavam uma solução para tal, começaram a rezar na Terra, pedindo que o equilíbrio voltasse a existir. E enquanto rezavam na Terra, Olodumarê abriu e fechou sua mão direita e depois à esquerda, prendendo assim o ar.

Com o ar preso em suas mãos, ele saiu do ambiente em que estava acontecendo a reunião e ao chegar do lado de fora, plantou o ar que tinha aprisionado em suas mãos. Na realidade não era o ar que ele apanhara, mas sim as orações que eram feitas na terra.

Após o plantio das mesmas ele esperou pelo dia seguinte e eis que uma árvore havia surgido no lugar em que Deus havia feito o plantio.

Ela cresceu de forma rápida e de forma rápida também deu frutos. As frutas ao alcançarem o ponto da colheita, caíam pelo chão. Ayê, ou seja, a Mãe da Terra, apanhou as frutas e as levou para Olodumarê e esse determinou que ela as levasse consigo e as preparasse da melhor maneira que pudesse.

Chegando em casa ela tostou as frutas, mas, o gosto não era nada bom, e no dia seguinte ela cozinhou as frutas, porém, elas mudaram de cor e de forma alguma podiam ser consumidas dado ao gosto horrível. E todas as formas que tentaram ela e os demais, a fruta não ficava boa para ser consumida.

Eis que uma divindade chamada Elenini, que era a divindade do obstáculo, se colocou à disposição para guardar as frutas. Assim, os Orixás colheram todas as frutas e as entregaram a Elenini, para que as guardasse.

Elenini limpou bem as frutas e as guardou e após 14 dias elas continuavam frescas como no dia em que foram colhidas. Então ela decidiu experimentar as frutas e as degustou cruas. Mais 14 dias se passaram e as frutas continuavam frescas.

Então ela levou as mesmas para Deus e disse-lhe que o fruto das preces que ele havia plantado podia ser comido cru, sem qualquer tipo de problema.

E com sua sabedoria suprema, Deus ordenou que como a divindade mais velha de sua casa, foi quem conseguiu descobrir os segredos do fruto das orações, daquele dia em diante as nozes, o obi, seria a partir daquele dia, o alimento não só do céu, mas de todo o lugar, e onde quer que fosse servido os primeiros que deveriam recebê-los seria o mais velho que ali estivesse e depois aos mais novos, e que todos que fossem comer dessa fruta deveriam antes de tudo proferirem uma reza.

Sendo Deus, a supremacia em justiça, determinou ainda que, a árvore de obi, somente crescesse no local onde os mais novos respeitassem os mais velhos. E a primeira fruta que foi comida naquela reunião foi partida pelas mãos do próprio Deus e ela possuía duas partes apenas.

O obi não pode de forma alguma ser partido ou alafiado como dizemos no Candomblé, por pessoas que não sejam feitas de santo, da mesma forma que não pode ser partida por pessoas feitas, mas que ainda não receberam seus direitos sacerdotais.

Utilizamos o obi para a confirmação de uma obrigação, mas, também para tirarmos alguma dúvida com relação à vida de uma outra pessoa, porém, ele não serve para ser jogado como os búzios, pois que suas quedas são limitadas.

Sempre antes de abrirmos um obi, temos que nos prepararmos, deixando nosso corpo limpo de sexo e bebida alcoólica, e temos que proferir as rezas necessárias para esse ato sagrado.

Por mais que façamos os rituais bem feitos, nenhum deles estará pronto se o Orixá não der o aláfia através do obi.

Existem o obi branco que é servido a todos os Orixás e o roxo que é servido a exú. Em todas as obrigações, se faz imprescindível a degustação dessa fruta oriunda da África.

O obi também é conhecido pelo nome cientifico de, cola acuminata, e durante um bom tempo foi usado como dinheiro na África antiga.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

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quarta-feira, junho 10, 2009

JOGO DE BÚZIOS

A arte do jogo de búzios é um procedimento que encanta tanto os praticantes do Candomblé, como também a todas as pessoas. Quem nunca sentiu curiosidade de saber como podemos fazer uma leitura da vida das pessoas através daquelas conchinhas tão bonitas?

Essa é uma ciência pertinente somente às pessoas iniciadas no Candomblé, não pertencendo de forma alguma a Umbanda ou qualquer outro seguimento religioso.

Os búzios foram introduzidos na África no ano 890 D.C por mercadores árabes que já o utilizavam desde tempos muito remotos como moeda corrente, prova disso nos dá o Historiador Eduardo Fonseca Júnior em seus livros sobre a África e é relatado no sítio yourbana.com.

Na África ele foi utilizado sempre, desde sua introdução como moeda e posteriormente em adornos de roupas tanto de pessoas comuns, como mesmo nas utilizadas pelos Reis e Imperadores africanos, mais tarde passou a ser utilizado também nos adornos dos ancestrais cultuados em África.

Os búzios foram muito utilizados na África como na Arábia, como fonte de fertilidade e também como forma de afastar maus espíritos.

Ainda na África ele começou a ser utilizado pelas mulheres como forma de “adivinhação” dado ao Opelê Ifá, ser utilizado somente por homens, os Babalaôs.

Sua prática enraizou-se por todo o mundo praticamente principalmente nos paises da América do Sul. Segundo alguns historiadores, sua origem seria na Turquia, isso em tempos muito remotos à civilização que conhecemos. Esses estudiosos afirmam que os turcos introduziram o jogo de búzios na África depois de que os árabes o introduziram como moeda.

No Brasil sua prática deu-se início ainda durante a escravidão e a primeira noticia que temos de seu uso, foi quando as três princesas africanas foram abrir o primeiro candomblé em nossa terra. Ele foi utilizado para informar que Xangô queria ser a cumeeira da casa.

Dentro do Candomblé sua prática ganhou simpatizantes em todas as esferas uma vez que políticos e até mesmo artistas recorriam aos zeladores a fim de pedirem orientação para sua vida e seu negócios.

Hoje em dia, ele é mais conhecido do que o próprio Opelê Ifá, usado desde tempos imemoriais pelos babalaôs na África.

Existem varias formas nesse processo: dentro da nação Angola ele é utilizado com suas quedas baseadas nos Orixás, Inkisis, e nas nações Gêge e Kêto, suas quedas baseiam-se nos caminhos dos Odús. Ainda existem aquelas pessoas que mesclam seu jogo entre Orixás e Odús.
O jogo de búzios é realizado com 16 conchas, búzios, mas também temos o jogo realizado com 04 búzios, mas esse é utilizado apenas na confirmação de algo que desejamos saber.

É imprescindível que o zelador reze os búzios todos os dias de manhã, e assim eles estão prontos para serem utilizados durante o dia para as pessoas que procurem a casa de santo, em busca de intercessão em sua vida.

Também se recomenda aos zeladores que façam todos os dias, após a reza do jogo, uma leitura para sua casa para que possa saber, por exemplo, qual Orixá estará reinando naquele dia em sua casa e assim possa ofertar-lhe presentes para que seu dia seja de paz e prosperidade, bem como para saber se algo está errado em sua casa.

Mesmo sendo uma forma muito comum de consulta aos Orixás e demais espíritos, o jogo de búzios somente pode ser feito por pessoas iniciadas no culto aos Orixás e com sua obrigação de sete anos em dia. E ainda assim, o zelador que iniciou a pessoa, consulta Ifá para saber se a pessoa tem o DOM para exercer o sacerdócio e até mesmo para jogar búzios.

Não existe jogo de búzios para Umbanda, ao menos os mais antigos no Candomblé e na Umbanda diziam isso, e qualquer pessoa que realize essa prática sem ser iniciada e com suas obrigações em dia, está MENTINDO, ENGANANDO AS PESSOAS A FIM DE EXTORQUIREM SEU DINHEIRO, APROVEITANDO DE SUA BOA FÉ PARA ENRIQUECIMENTO ILÍCITO.

Portanto, antes de adentrar em uma casa de santo, procure saber se aquela pessoa é iniciada nos mistérios do Candomblé, se tem autorização da Federação para isso e somente depois de se certificar, adentre e confie sua vida a ele.

Temos que observar que ao jogarmos búzios, temos a pessoa a nossa mercê e precisamos sermos honestos acima de tudo.

O jogo de búzios foi introduzido no Brasil pelos escravos para que pudéssemos ter acesso aos nossos Orixás e assim sendo, termos como interagir nas mais variadas causas.

Se realizado com seriedade, os búzios têm uma ótima margem de acertos na vida dos consulentes, dependendo é claro de quem os manuseiam. Dificilmente vemos búzios manuseados com seriedade, errarem nas previsões para uma pessoa.

Temos que atentarmos para o que nos diz Ifá dentro de seu oráculo e tomarmos as providências para realizar as obrigações que ele nos determina. Jamais devemos procurar uma casa de santo para testarmos o zelador, pois poderemos ter grandes decepções e muita coisa pode ser prejudicial a nossa vida.

Ifá jamais pede uma obrigação sem que haja real necessidade para a mesma. Pois que ele é o responsável de transmitir as mensagens dos demais deuses para nós seres humanos.


Ifá Ocifuó.

Zambi no Akuatessá.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi, Odé Mutaloiá.

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segunda-feira, junho 08, 2009

HISTÓRIA DO GLORIOSO SÃO JORGE.


Eis aí um dos santos mais cultuados no Brasil, seja na Igreja Católica, na Umbanda ou no Candomblé, sendo que nos dois últimos seguimentos religiosos, ele é cultuado como Ogum o que fez com que fosse EXPULSO, dos cultos do catolicismo.

Segundo os relatos de sua história, ele teria nascido no século III D.c na cidade de Capadócia na Turquia, e, era então o Imperador de Roma, Diocleciano.

Jorge era nascido em berço cristão e com seus pais, aprendeu a amar e a temer a Deus acima de todas coisas. E tinha Jesus Cristo como seu salvador bem como de toda a humanidade.

Após a morte de seu pai, ele muda-se com sua mãe para a Palestina. Devido a seus atos de bravura, dedicação a Roma, e também à sua grande habilidade como guerreiro, ele que já era um dos soldados do imenso exército romano foi promovido a Capitão por Diocleciano que muito o admirava.

Nessa época Jorge, teria 23 anos e passou depois da promoção a residir na corte Imperial de Roma, e também recebeu o título de Conde, pelo Imperador.

Diocleciano tinha uma aspiração: matar todos os cristãos, pois como seus antecessores, acreditava ele, ser Jesus Cristo mesmo depois de morto uma ameaça a seu trono.

Durante a sessão em que o Senado iria confirmar o decreto imperial que levaria todos os cristãos a uma morte certa, Jorge para espanto de todos, levanta-se e se confessa cristão e afirma serem todos os ídolos dos Templos Romanos, falsos deuses.

Diante dessas afirmativas, todos os presentes ficaram perplexos, afinal nenhum membro da corte romana, tinha se atrevido a tal ato, afinal Jorge proclamava que Jesus Cristo era seu senhor e salvador do mundo! Um insulto, pois que somente o Imperador era visto como senhor absoluto de tudo e de todos, e também como a fonte única de poder para salvar a humanidade, era o Imperador, aclamado DEUS!

Então um Cônsul levantou-se e dizendo-se indignado com tal atitude, inquiriu-o sobre a origem de tamanha ousadia. E Jorge prontamente o respondeu que era, devido a sua afirmativa ser a mais pura verdade. O Cônsul não satisfeito e se mostrando ainda mais indignado quis saber dele o por que, ao que ele prontamente respondeu: “A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguíeis, eu sou seu servo e nele confio e me pus em meio de vós para prestar depoimento e testemunho de minha verdade”.

Após essa afirmação, o Imperador imediatamente se dispôs a fazer com que Jorge, abrisse mão de sua fé, e com sua relutância, o entregou a seus carrascos para que lhe impusessem as mais variadas e terríveis torturas.

Após cada tortura sofrida por Jorge, Diocleciano perguntava-lhe se ele renegaria seu Deus e sua fé, e passaria a adorar os ídolos da fé romana, ao que Jorge respondia: “Não Imperador, meu Deus é vivo e sou seu servo, somente a ele temerei e adorarei”. Então mais se intensificavam as torturas.

Como sua fé era imbatível e a noticia se espalhou por Roma, dando mostras de que Deus amava a seu sevo, muitas pessoas se convertiam ao cristianismo e abandonavam os ídolos romanos. Vendo suas intenções frustradas, Diocleciano não teve outra saída que não fosse matar Jorge, e determinou que ele fosse degolado. E a sentença foi cumprida em 23 de Abril de 303.

Segundo pesquisadores, sua sepultura está em Lídia, sua cidade, na Palestina. E esta fica próxima de Jerusalém.

Depois de sua morte, sua fé e devoção a Cristo, se espalhou rapidamente e seu culto alastrou-se por todo o Oriente e mais tarde com as cruzadas, adentrou pelo Ocidente.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

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ODODÚA, O GRANDE SENHOR DE ILÊ IFÉ

Dentro da mitologia afro, muitas são as lendas que formam o maravilhoso universo religioso que muitos brasileiros bem como cidadãos de vários países aprenderam a amar e cultuar.

Muito se fala nessas lendas, mas, de forma como se fossem elas, apenas lendas, parte do imaginário popular. Mas, diz um antigo ditado popular que, “toda lenda tem seu fundo de verdade”.

Quando começamos a nos embrenharmos nos caminhos do aprendizado de uma cultura, muito estudamos de suas lendas, suas práticas religiosas, e até mesmo sua culinária.

E com o mundo da África não seria diferente. Entramos em seu universo, sabendo que temos um Orixá e que esse coordena nosso destino segundo as vontades e determinações de Olorúm (Deus). Aprendemos que nosso Orixá, sempre estará disposto a nos auxiliar, desde conseguirmos nosso emprego, até mesmo a constituirmos uma família saudável e harmoniosa.

Aprendemos que nesse mundo existem lendas, e que essas lendas reportam-se à vida terrena de nossos antepassados. Muito poucos, no entanto, sabem que essas “lendas”, muitas vezes são na verdade fatos reais e que constituíram a vida de determinado ser quando de sua passagem aqui na Terra.

Observando os relatos dos antigos sacerdotes e sacerdotisas, nos é ensinado uma vasta gama de conhecimento de nossos Santos, e depois comparando esse aprendizado, com estudos realizados por historiadores, pesquisadores e demais estudiosos, vemos que na verdade, nos foi passado por nossos mestres espirituais, verdadeiros conhecimentos da história de um povo, suas glórias, vitórias, derrotas, tristezas e mais fatos.

Descobrimos então que fazemos parte de uma raça que existiu de forma sobre maneira às demais, e que escreveu seu nome com sangue e suor, fossem como escravos no Brasil ou ainda, como escravos em sua terra natal, servindo a seus próprios irmãos como servos insignificantes.

Essa servidão se dava, porque era comum nas guerras que o vencido se submetesse ao vencedor, sob pena de verem seu povo ser morto, suas mulheres e filhas estupradas e vários outros meios de torturas, e assim sendo, por pior que fosse a escravidão, essa seria melhor que as maldades que lhes seriam impostadas.

Estudando a cultura de povos antigos, vemos que a escravidão era comum e os indivíduos escravizados, muito pouco poderia ter. geralmente seus reis eram guerreiros imbatíveis e temidos, e não poderia ser diferente com a África e os fundadores de seus reinos.

Na África existiu um Rei que foi segundo historiadores, um dos mais temido guerreiros que já existiu, seu nome: Nimrod, no Brasil é conhecido por Ododúa.

Ele existiu segundo estudiosos no período de 2000 à 1800 A.c e, era um temível guerreiro e invasor, não conhecendo limites para suas conquistas nem mesmo a palavra medo e seu significado. Quando seu exército se aproximava de um determinado reino, seu governante sabia que, mesmo que mandasse todos os homens de seu reino, mais os de outros reinos vizinhos, não conseguiria deter Nimrod e sua legião.

Como valoroso e temido guerreiro, ele invadiu e dominou muitos reinos da África antiga e tornou-se o Patriarca de várias nações, entre elas a famosa Oyó que segundo os Pesquisadores, foi onde se deu início a nossa atual civilização.

Nos relata a história que Nimrod, teria descido do Egito até o reino de Yarba local onde fixou sua morada. Contam que no decorrer do caminho do Egito até Yarba, Nimrod teria fundado vários reinos e nomeou governadores para agirem em seu nome. Afinal naqueles tempos uma viajem como essa levava anos.

Na Bíblia encontramos relatos de que Abraão teria feito um pacto com Jeová, e esse determinou que ele viajasse, fundasse novos reinos e se tornasse o Patriarca de vários povos e de sua Geração. Com Nimrod, teria sido um pacto com Olodumarê, Olô = Senhor, dono, Odú = Destino, marê = Supremo; Olodumarê, senhor supremo do destino, = Deus.

Nas pesquisas encontramos relatos de que Olodumarê, teria mandado que Nimrod viajasse para a África para que ele pudesse redimir os descendentes de Caim, que assim como esse, traziam um sinal em suas testas.

Então ele seguiu a viajem e por onde passava, fundavas reinos que mais tarde fariam parte de um só Império: Oyó. Afinal sua missão vinha diretamente do Deus que a tudo criou.

Após fundar Ilê Ifé, ou seja Oyó, Nimrod adotou o nome de Ododúa, que significa, aquele que tem existência própria. Ele adotou esse nome, segundo a história, pelo fato de cultuar uma entidade santa, chamava, Oduá. Essa divindade por sua vez, nos relata a história, era Odulobojé e seria a representação feminina da criação, ou seja. Aquela que tem o poder da gestação.

Temos inclusive relatos na história de que, um branco vivia entre os negros em Oyó e governava a tudo e a todos, e Nimrod, ou Ododúa, vinha do Egito, local onde as pessoas como o Faraó, os sacerdotes e mesmo aqueles que pertenciam a nobreza, possuíam a pele mais clara.

Segundo Pesquisadores, ele como outros Reis e Guerreiros valorosos de seu tempo, passou a ser cultuado após sua morte, afinal esse era o costume dos yorúbas: cultuarem seus ancestrais. Assim, criou-se ainda em África, o culto a Ododúa, que aqui no Brasil, teve seu nome associado ao Próprio Deus, devido a esse pacto entre eles firmado.

Como tal poder não se consagra a qualquer um, ele passou ainda em África a ser cultuado como Divindade Máxima, ou seja: não tinha filhos a ele iniciados e assim o permanece até hoje.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

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sexta-feira, junho 05, 2009

SAMBA DE CABOCLO




Festa muito concorrida, realizada esporadicamente pelos Candomblés de Angola, para homenagear esses mensageiros de nossos Inkisis, (Orixás).

Geralmente essa festa é realizada uma vez por ano, e, na ocasião, são oferecida todas as comidas que eles gostam, frutas e outras iguarias, além da Jurema, uma bebida ritualística e preparada com ervas dentro de um segredo muito bem guardado.

Durante o ano, são realizadas várias festas em homenagens aos Orixás, Inkisis, e nelas se ofertam suas comidas preferidas a eles e a todos que dela participam. Mas, em determinada época, que varia de casa para casa, é realizada a festa chamada Samba de Caboclo.

Geralmente começa-se com a louvação e a entrega de presentes a Exú para que ele não permita que forças estranhas se aproximem e culminem por perturbarem o evento. Depois então se pemba a casa, e após a louvação de ogum e Oxossi, canta-se para os caboclos. Obviamente que o ritual de iniciação varia de acordo com a casa e com o sacerdote e seu aprendizado.

Depois os ogãs, começam a entoar cantigas próprias para a evocação desses mensageiros dos Santos. Uns cantam primeiro para os chamados, “Caboclos de pena” que são indígenas que servem aos Orixás, e depois se entoam a toada, cânticos próprios para invocar os boiadeiros.

E chegam eles, cada um com seu brado, Ilá, e depois de serem vestidos com laçarotes que enfeitam seus tórax, rodilhas de pano da costa na cabeça, cumprimentam as pessoas e são servidos com charutos e coetés contendo a Jurema.

Dá-se início às cantigas de cada Caboclo, ocasião em que ele se apresenta, dizendo seu nome e de onde vem. Alguns Caboclos preferem dançar e beber sua Jurema, mas, outros querem consultar as pessoas, agradá-las da mesma forma que são agradados. Desejam compartilhar de sua alegria com todos que ali estão para homenageá-los e assim segue-se a festa em plena alegria.

O Caboclo do zelador da casa sempre é o primeiro a incorporar-se em seu médium e depois de satisfeitas suas necessidades e vontades iniciais, começa a chamar pelos Caboclos de seus filhos de santo.

Quem já participou de uma festividade dessas, sabe a maravilha que são os momentos que passamos com essas entidades. Sempre possuem uma palavra de conforto para os que precisam, gostam de se sentirem amados e muitas vezes mostram seu amor por nós, seres humanos que ali estamos a lhes homenagear.

Muito dificilmente um Caboclo de Nação, como são chamados, vira em ocasiões que não seja sua festa, e isso se deve ao fato de ser ele, o mensageiro de nosso Orixá e assim sendo, passa todo tempo servindo o Santo ao qual é submisso e trabalhando em favor da casa e das pessoas que compõem seu universo. Sempre que desejamos sua intervenção em algum assunto de nossa vida, lá estão eles, prontos a nos atenderem segundo as determinações de nossos Orixás. Bastando que para isso, ofereçamos a obrigação adequada para cada um.

Esses caboclos são assentados da mesma forma que todas as entidades do Candomblé, e seus assentamentos variam de conformidade com sua qualidade.

Obviamente que sendo o Caboclo, um mensageiro de nosso santo, conhece sua face e assim sendo têm de ser muito respeitados por seus filhos e demais pessoas que frequentam a casa de Candomblé.

Comumente vemos os Caboclos afirmarem em suas cantigas, sua procedência tanto quando na vida material, como também a qual Orixá serve e onde vive no mundo espiritual, basta que para isso prestemos atenção a tudo que eles cantam e nos falam, aliás, as cantigas são orações cantadas e sempre devem ser seguidas de respeito.

Muitos são os Caboclos que se incorporam no Candomblé:

Caboclo Lírio d’água.

Boiadeiro menino.

Lajedo.

Sultão das Matas.

Pena Azul.

Pena Branca.

Cabocla Jussara.

Cauíza.

Erú.

Pena Roxa.

Caboclo Iluarada.

Aqui citamos apenas alguns desses maravilhosos seres que se dedicam a nos ajudar em nossa cainhada, e citar seus nomes todos, seria humanamente impossível, assim sendo, espero que todos se sintam homenageados nessas humildes páginas.

Também são muitas suas cantigas mas algumas mais conhecidas, servem aqui como forma de homenagear aos mensageiros de nossos ancestrais:

“Maré encheu, maré vazou, de longe muito longe, eu avistei Iluarada, a sua cabaninha, coberta de sapê, seu arco sua flecha, sua cabaça de mel”.

“Pedrinha, miudinha na Luanda ê, Lajedo, tão grande, tão grande na Luanda ê”.

“Nos caminhos da Lapa, gangará, cercado de espinhos gangará, quanta gente boa gangará e eu aqui sozinho gangará”.

“Táta mona e ta, aroeira, pelos caminhos que eu andar, aroeira, eu só vê Luanda, aroeira, sou filho de Gangazumbá aroeira”.

“Valente na sua tribo, caçador Irajá, na tribo dos guaranis, ele foi cacique ele foi pajé, na tribo dos guaranis, o seu nome é Aimoré, Aimoré, moré, moré, Aimoré, moré moré, moré”.

Salve todos os caboclos de nação, e, que possam nos ajudar em nossa jornada nessa vida.

Axé.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com





quarta-feira, junho 03, 2009


Sinal da Cruz Yorubá

L'ORULÓ BABÁ ÓMÓ
ATI ÓMO MIMÓ
AMIM




Pai Nosso em Yorubá
BABÁ UÁ TINGBÉ LORUN AWÓ LORÓ KORÉ IJÓ GBAREDÉ IFÓ TIRÉ NIKÁ SI LAIÉ; DINÁUON TUN SI LI ORUN FUN - AWÁ LONJIEJÓ A LONIN DÁRI ESÉ UÁ JI ÁUON TÓ - ESÉ UÁ MAFAUÁ SINURÉ IDAN UÔ SUGBON BUCURÓ LONIN TUN LA SIM, AMIN.

BABÁ UÁ TINGLÉ AWÓ LORÓ KORÉ IJÓ GBAREDÉ IFÓ
TIRÉ NIKÁ SI LAIÉ; DINAUON TUN SI LI ORUN FUN - AWÁ
LONJIEJÓ A LONIN DÁRI ESÉ UÁ JI ÁUON TÓ - ESÉ UÁ
MAFAUÁ SINURÉ IDAN UÓ SUGBON BUKORÓ LONIN TUN LA
SIM, AMIN.
Sérgio Silveira. Tatetú N'Inkisi, Odé Mutaloiá

segunda-feira, junho 01, 2009

UMBANDISTAS E CANDOMBLECISTAS PODEM SIM, VIVEREM EM HARMONIA.


Comumente vemos Candomblecistas falando contra a Umbanda, mas também vemos Umbandistas falarem mal do candomblé. Alegam que Candomblé tem magia negra, tem coisas erradas, que seus zeladores só pensam em dinheiro e por aí vai...!

Em primeiro lugar desejo lembrar a essas pessoas que não podemos falar contra ou a favor daquilo que não conhecemos e se conhecemos e por ventura formos vítimas de pessoas ruins, não temos o direito de julgar toda uma classe.

É de conhecimento de todos que, em todos os lugares existem pessoas boas e más, o que temos que fazer é separar o joio do trigo. No caso das casas de Umbanda e Candomblé, basta procurarmos informações nas federações com relação à casa ou ao sacerdote o qual pretendemos confiar a solução de nossos problemas. O que não podemos fazer é nos mantermos no anonimato, nos preocupando em caluniar toda uma classe por conta de uma ou duas pessoas.

Candomblé queridos irmãos umbandistas e coisa séria, tão séria que existe todo um preceito até mesmo com as coisas que comemos para que assim não cometamos o erro de ingerirmos alimentos que sejam nocivos a nossa espiritualidade, e, esses alimentos são nocivos por se tratarem de tabus em nosso meio, seja porque são alimentos de egum, até mesmo por nosso Orixá simplesmente ser avesso a tal alimento.

Nos abstemos de bebida, sexo e as drogas são completamente proibidos para nós. Se por ventura foste enganado, teve sua índole agredida por um sacerdote de candomblé, não seja omisso, denuncie-o a federação que ela saberá o que fazer. A omissão tem contribuído em muito para que falsos sacerdotes fiquem por aí destruindo vidas humanas.

Nossos Orixás, amados umbandistas, nada de mal possuem, e se oferecemos holocaustos a eles, são por esses fazerem parte de seus rituais, e assim sendo são sagrados, e o sagrado não se revela.

Uma outra coisa errada é Umbanda cantar cantigas de Candomblé e até mesmo alguns umbandistas quererem de todas as formas até mesmo jogar búzios. O oráculo de Ifá, os búzios, é reservado para os iniciados nos preceitos do Sagrado do Candomblé e assim sendo, não é qualquer um que pode sair por aí jogando búzios. E entidades também não precisam recorrer a essa prática, afinal se os utilizamos para nos comunicar com os espíritos e como são eles, os espíritos, por que se utilizam dessa forma de consulta? Eis uma resposta que não existe!

O que temos que fazer mesmo é convivermos em harmonia e respeitando cada um, o espaço do outro, buscarmos formas de extinguirmos males como a fome, por exemplo, que vem destruindo boa parte de nossos irmãos menos favorecidos.

Tantas coisas existem para que possamos atuar, então, por que perdermos tempo precioso nos ocupando com algo que não seja de nossa competência e mesmo, sairmos por aí nos difamando uns aos outros?

Tenhamos a consciência de a omissão é que faz com que a coisa errada se perpetue. Façamos nossa parte: vivamos em harmonia e assim estaremos agradando a nossos Orixás e aos nossos Guias Protetores.

Sérgio Silveira, tatetú N’inkisi, Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com



O USO DE BEBIDAS NÃO FAZ PARTE DO AXÉ ORIXÁ

Como Presidente do Conselho Sacerdotal da UNESCAP, tenho recebido denúncias de que “zeladores” de santo estão utilizando bebidas durante os atos ritualísticos do Candomblé. Ao serem questionados pelas pessoas, eles alegam que a bebida faz parte dos fundamentos.

Oras! Se a bebida fosse parte de ritual, por que iríamos nos mantermos afastados de tudo quando praticamos nossa religião? Dentro de meus 23 anos de iniciado, andei por muitas casas, vi muita coisa com os mais antigos, e posso afirmar que NUNCA os vi se utilizando de bebidas alcoólicas dentro do Axé Orixá.

A bebida toma nossos sentidos, deturpa nossa visão e nossa mente é uma droga, então se assim o é; por que nos utilizaríamos dela enquanto mexemos com o santo?

Ao contrário: a lei pregada pelos antigos sacerdotes e sacerdotisas nos ensina que, ao lidarmos com nossos antepassados, temos que nos abstermos três dias antes de sexo, álcool, e tudo o mais que for contra seus princípios. Temos que manter nosso corpo limpo e nossa mente também, para que nosso Orixá possa nos utilizar para que assim sendo consiga emanar boa energia para os consulentes e filhos de santo. JAMAIS, podemos manter contato com os atos sagrados e com tudo que se utiliza dentro do Candomblé, com nosso “corpo sujo” como se diz.

E a palavra faz jus a seu significado: ao nos utilizarmos de bebidas e sexo, estamos sujando nosso corpo, pois que antigamente para se ter uma idéia, se bebêssemos um copo de cerveja, por exemplo, nosso Orixá não se manifestava jamais em nós.

O uso da bebida então, é muito pior dentro dos rituais, pois corremos o risco de que egum receba a obrigação no lugar do santo, e aí as consequencias serão terríveis na vida da pessoa que passou pela obrigação.

Nada de errado podemos fazer quando lidamos com Orixá, uma vez que, a vida das pessoas está diretamente sob nossa responsabilidade. Por isso que volta e meia, encontramos pessoas que se confessam avessas a tudo que se diz Candomblé, por CULPA DESSES FALSOS ZELADORES QUE NÃO ESTÃO NEM AÍ COM A VIDA DE TERCEIROS, POIS QUE FAZEM DO SANTO APENAS COMERCIO.

Repito que não sou contra o pagamento de nosso chão ou axé, mas, sou contra a exploração e as coisas erradas que acontecem dentro das casas de Candomblé.

Se você que ler essa mensagem foi vítima de uma pessoa que fez suas obrigações com álcool na cabeça, que desrespeitou seu corpo, de sua esposa, filha ou filho, ou mesmo de qualquer pessoa de sua família ou amigo, não se acanhe; PROCURE UMA FEDERAÇÃO, FAÇA UMA DENUNCIA E EXIJA QUE A FEDERAÇÃO PUNA O RESPONSÁVEL. SE NÃO SOUBER A QUE FEDERAÇÃO ELE É FILIADO, VÁ A UMA DELEGACIA DE POLÍCIA, POIS SE CASO ELE NÃO FOR FILIADO, SUA CASA É CLANDESTINA E ASSIM SENDO ELE ESTÁ ATUANDO SEM LICENÇA, FERINDO O CÓDIGO CIVIL E CRIMINAL DE NOSSO PAÍS.

Lembre-se; candomblé é uma religião séria e nela não se admite nada que contrarie a lei de nossos Orixás.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Lambanranguange: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com