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domingo, janeiro 18, 2009

RESTRIÇÕES ALIMENTÍCIAS NO CANDOMBLÉ

Sempre, em todas as casas de Candomblé, existiram as restrições alimentícias, ou seja: o iniciado era privado do direito de ingerir alguns alimentos. Hoje em dia alguns zeladores dizem que tal privação é um equívoco, que a pessoa tem que se privar somente do lhe faz mal, pois isso sim é a quizila de seu orixá.

Mas, se os iniciados são privados de alguns alimentos, não é somente por ser quizila dos Orixás de forma geral, isso faz parte do sacrifício em prol de seu santo.

Sabemos que Orixá é antes de tudo sacrifício e abnegação, abrir mão incondicionalmente de muitas coisas que nos dão prazer na vida terrena como forma de mostrar amor a nosso pai ou mãe. E que forma mais aprofundada de mostrarmos esse amor, do que abrirmos mão até mesmo de coisas que gostamos de comer?

Existem aqueles alimentos que são sim, quizilas de forma geral, como: o caranguejo, o siri, demais frutos do mar, certas frutas e assim por diante. Mas algumas são impostas pelo zelador, seguindo uma orientação dos Orixás a fim de que seus filhos possam dedicar-lhes um sacrifício maior.

Dentro de qualquer religião, vamos encontrar restrições alimentícias, e os fiéis as seguem e respeitam por saberem, que faz parte de seus rituais sagrados e um bem maior está por trás delas. Dentro do Candomblé temos sim, que obedecer a essas restrições e entendermos que é para nosso próprio bem.

Ouvi uma vez dizerem que frutos do mar e sangue, é quizila por invenção de zeladores, que nada tem a ver com fundamentos. Engraçado, sou casado em uma família Mulçumana, me aceitam e inclusive me ensinam muitas coisas e em sua religião, eles jamais comem frutos do mar, ou alimentos feitos com sangue, como chouriço, galinha ao molho pardo etc.

Então creio eu que também praticam invenções de alguma mente obcecada? Claro que não! Essas proibições são partes de um mistério antigo e que talvez jamais nos seja revelado na atualidade dado justamente a grande modernização que tentam promover no culto aos Orixás.

Seguirmos as orientações de nossos zeladores e não inventarmos como zeladores, formas de contradizer os ensinamentos dos mais antigos, é também uma forma de amarmos nossos orixás e promovermos a fixação cada vez maior de nossa religião, pois que, quando começam a mudar regras e desejarem derrubar tabus de uma religião, com certeza ela beira a extinção, pois sem seus fundamentos ela não tem como existir.

Oriento a todos que sigam essas restrições, as respeitem, pois que dentro de nossa religião, nada é invenção de zeladores atuais, ao contrário: seguimos determinações que são passadas de geração a geração a muitos e muitos séculos.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@hotmail.com