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terça-feira, janeiro 27, 2009

PARA SERMOS ZELADORES TEMOS QUE SER PREPARADOS.

Infelizmente nos dias atuais, mais e mais pessoas que se autodenominam zeladores e zeladoras de Orixá, abundam o cenário da maravilhosa religião que tanto amamos. Acontece que vão em busca de ‘conhecimentos “(?) em livros que prometem ensinar jogo de búzios, e até mesmo fundamentos secretos de nossa religião, e assim saem por aí enganando as pessoas, se dizendo preparados nessa ou naquela casa, e muitas vezes apenas ouviram citar os nomes de zeladores conceituados, e assim terminam por macular o nome de nossos antepassados e de nossa fé.

Acontece que nossos segredos não são ensinados em livros, revistas e afins, mas são passados de pai para filho e somente os verdadeiramente iniciados recebem seus direitos sacerdotais e assim mesmo se tiverem o que chamamos de Balaio de Axé, ou seja: seu santo traz aquele cargo.

Para que possamos ser zeladores de santo, somos preparados em um período nunca inferior a sete anos, e durante esse tempo aprendemos todos os atos sagrados de nossa religião, sendo uma gota aqui e outra ali, pois nada é passado sem que a pessoa esteja no tempo certo para aprender.

Para que possamos jogar búzios, são feitos rituais muito sérios e esses somente são feitos na obrigação em que nós, rodantes, ou seja: que incorporamos nosso Orixá, recebemos nosso Deká, ou seja: Nossos Direitos Sacerdotais, e assim mesmo, ainda passamos anos e anos dando satisfação a nosso pai ou nossa mãe de santo de nossas atitudes para com os orixás.

Ninguém, ninguém mesmo, recebe seu jogo de búzios antes da hora, e jogar búzios não consiste apenas em decorar quedas e sairmos por aí apenas pra ganhar dinheiro.

Somos muito bem instruídos ao recebermos nosso Deká, pois jogo de búzios é um contato direto Ayê – Orúm, ou seja: Terra com Céu, numa linguagem mais clara, o jogo de búzios é a ponte de contato de nosso mundo com o mundo sagrado dos Orixás.

É importante que antes de adentrarmos em uma casa de santo, saibamos a procedência de seu zelador e que possamos obter o maior número possível de informações sobre ele e sua casa.

O que encontramos hoje em dia, são pessoas que, na melhor das hipóteses são recém iniciados nos mistérios dos Orixás, não tendo a mínima capacidade para exercer o sacerdócio, e em outros casos e nem por isso menos ou mais agravantes, pessoas que jamais passaram por nossos fundamentos, abundam os anúncios de jornais e outros meios a fim tão somente de ludibriar as pessoas de boa fé, que buscam ajuda para seus problemas.

Se por acaso alguma pessoa desconfiar da procedência de alguma casa, basta procurar uma das federações que existem na cidade e ali verificar se essa casa e esse sacerdote possuem licença para funcionamento.

O mesmo acontece com cartomantes e afins, pois que todos nós que praticamos qualquer tipo de ato pertinente a espiritualidade, somos obrigados a mantermos vínculo com alguma federação.

Não precisamos ter um terreiro aberto para que tenhamos a necessidade de um alvará de federação, basta termos até mesmo em nossa residência o habito ou algum cômodo para atender clientes, seja com incorporação, búzios, cartas, (tarô, baralhos: cigano, dos anjos ou outros), runas ou qualquer outro processo de atendimento que ali deve conter um alvará religioso, e se aquela pessoa se desloca de sua cidade ou estado, é obrigatório que leve sua carteira de identificação fornecida pela federação a qual é filiado, e, lá chegando procure a federação mais próxima para dar satisfação dos atos que ali irá praticar.

O mesmo devemos fazer quando uma pessoa se apresenta em nossa casa com título de sacerdote. Se desconfiarmos de alguma coisa, peçamos que nos apresente a carteira de identificação da federação de sua localidade, pois se ele é realmente um sacerdote, terá tal documento. Temos que entender que tais atitudes são para que possamos moralizar nossa religião e o bom nome de nossos antepassados.

Já presenciei casos em que pessoas se diziam oriundas de casas de zeladores conceituados e após algumas poucas conversas, provaram que tudo não passava de uma tentativa de enganar.

Acontece queridos, que nós zeladores temos como sabermos se uma pessoa realmente é oriunda da casa que se diz ser. Existem determinados segredos que somente sendo de um certo templo poderemos afirmar ou não, e aí é que está a grande diferença.

Por outro lado, as federações deveriam se preocupar mais em investigar cada casa, saber da procedência daquele zelador ou zeladora e assim, caso seja provado a sua incompatibilidade com o sacerdócio, que sua casa seja fechada em prol do bom nome de nossa fé.

O que acontece nos dias de hoje é que muitas pessoas andam enganando, mentindo, tão somente para explorar as pessoas em seus momentos de dor e sofrimento. Jamais uma federação proibirá um zelador de cobrar seu chão, o que as federações orientam é com relação à exploração da boa fé das pessoas.

Moralizar nossa religião é preciso, pois o que vemos hoje em dia são pessoas se auto intitulando isso ou aquilo, promovendo verdadeiras anarquias e enlameando o nome de uma religião muito mais antiga que o cristianismo, que é o culto aos Orixás.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

odemutaloia@gamil.com