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segunda-feira, maio 18, 2009

CABOCLO MALUNGUINHO

“Malunguinho é rei das matas, rei das matas é Malunguinho, flecha, flecha meus Caboclos tira estrepe dos caminhos”.

Quem de nós frequentadores da Umbanda Sagrada, nunca ouviu esse ponto?

Esse ponto nos traz à lembrança esse caboclo, guerreiro, feiticeiro do bem, amigo das horas mais incertas de nossas vidas. Sempre que chamamos por ele, eis que surgem em nossas vidas esperanças, desembaraço, e vitória em todos os nossos caminhos.

Grande Mestre da Jurema, ele existiu sim, viveu em Pernambuco, Recife e foi um rei do Quilombo das Matas do Catucá, segundo o Professor Dr. Marcus Carvalho, e ainda segundo ele, o nome Malunguinho seria o diminutivo de “Malungo” como eram denominados os negros que vinham da África para o Brasil no mesmo navio negreiro.

Malunguinho como rei do quilombo, tinha uma aspiração, a mesma que levou Zumbi a ser consagrado Herói Brasileiro: A LIBERTAÇÃO DE SEU POVO!

Conta-nos o renomado Dr. Marcus Carvalho, que: “A floresta do Catucá serpenteava a área mais populosa da província, a Zona da Mata seca, ao norte do Recife. Cortada por muitas estradas e picadas, ela começava nos limites de Beberibe, antigo subúrbio do Recife, passava pelo sítio dos Macacos e por São Lourenço, mais a oeste do Recife em direção ao norte”.

E ali vivia nosso Herói. Devido a sua bravura, era temido em seu tempo e sua cabeça chegou a ser posta a prêmio, e chegou a alcançar o maior valor de sua época, ou seja: o valor de Cem Mil Réis, e esse foi o maior valor oferecido pela cabeça e / ou captura de um revolucionário, um irmão do quilombo, e somente foi superado vinte anos depois quando colocaram a prêmio a cabeça do líder da Cabanada, Vicente de Paula, que chegou a ser de Um Milhão de Réis.

Mas, Malunguinho não desistia de seu sonho que era o de vê seu povo livre, vivendo conforme as leis e cultura de sua terra natal.

Dentro de seu reino, ele era temido, amado e mesmo idolatrado por todos, muitas foram as emboscadas e a Cavalaria Real muitas vezes tentou invadir seu quilombo, mas Malunguinho astuto como ele só, abria valas nas entradas de seu território e ali fincava “Estrepes”, pedaços de pau afinados na ponta e quando os cavalos eram impelidos a passarem, tinham suas barrigas perfuradas e assim ele e seu povo podiam dar cabo dos invasores. Daí o ponto: “Flecha, flecha meus caboclos, tira estrepe dos caminhos”.

Muitos foram os feitos de Malunguinho, mas, o de maior bravura talvez seja o de ter comandado a invasão ao Recife, fato que fez com que fossem chamados até mesmo soldados do exército a fim de capturarem esse rei do quilombo. Muitos negros fugitivos foram presos então, a história nos relata cerca de 63, mas Malunguinho continuava solto para desespero de todos os senhores de terras.

Com seu desencarne, ele foi chamado a dar continuidade em seu trabalho no plano espiritual. Comanda uma grande falange que intervém em nossas vidas sob o comando de Oxossi, o Grande Caçador e chefe de todos os Caboclos.

Com sua tribo de índios e de negros guerreiros, Malunguinho nos traz a segurança de uma vida na qual podemos nos desvencilhar dos obstáculos impostos por inimigos ocultos.

Esse Valente Caboclo sempre que se manifesta, deixa na entrada das casas de caridade vários membros de sua falange, e outros adentram com ele para que possam providenciar a limpeza espiritual em todos que ali estão.

Nenhum trabalho deve ser iniciado sem antes darmos satisfação a Malunguinho para que ele possa ali estar mesmo que invisível e também para que mande seus mensageiros até aquela casa para que assim garantam a segurança tanto do Templo como do corpo mediúnico e dos assistentes que ali estão.

Comumente ele é confundido com Exú, mas na verdade, ele é um encantado da Jurema e Mestre da Jurema praticada no Nordeste do Brasil. Sua fama de exú se dá, por ter ele acesso a todos os tipos de caminhos e assim sendo, muitas vezes vai girar nas encruzilhadas a fim de manter sob observação os seres que ali moram.

Sua força é incomparável e ele a usa sempre que precisa defender alguém das forças do mal, afinal nesse planeta somos constantemente assaltados por seres que tenta de todas as formas nos desviarem dos caminhos do bem.

Malunguinho, um Herói que a história mantém vivo em nossas mentes!

“Malunguinho é, Malunguinho há, Malunguinho é um Caboclo real!”.

Salve Caboclo Malunguinho!

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com








OGUM XOROQUÊ

Em primeiro lugar temos que nos lembrar de que Ogum Xoroquê existe aqui no Brasil, na África ele era conhecido como Xoroquê ou, mais precisamente Exú Xoroquê, ele era o guardião das porteiras de Gêge. Mais tarde teria sido roubado por outras tribos. Uns dizem os Yorúbas outros dizem que os Bantos o roubaram, mas o certo mesmo é que ele foi roubado.

Cultuamos Xoroquê como uma dualidade. Metade exú metade ogum. Sempre que fazemos algo para ele, temos que ter em mente que essas duas entidades distintas fundem-se em um só quando realizados os seus atos.

Ao lidarmos com essa entidade toda precaução é pouca, uma vez que ele sempre está pronto para ajudar, mas, não conhece a palavra perdão. Dono do ouro e da magia é constantemente chamado para abrir caminhos, algumas pessoas despreparadas insistem em chamar esse Orixá para ajudar na solução de problemas variados, desde a abertura de caminhos até mesmo nas questões financeiras e amorosas. Mas, se por ventura não alcançam seus objetivos, se enfurecem e alguns até mesmo blasfemam.

O que acontece é que Xoroquê assim como os demais Orixás, não atende pessoas que não sejam devidamente preparadas para a realização de seus atos ritualísticos secretos.

Na realidade Xoroquê sempre atende os pedidos a ele feitos com fé e amor, desde que seja o consulente orientado por um zelador devidamente preparado, mas, a pessoa que a ele se dirige deve tomar alguns cuidados como, por exemplo, dar a ele tudo o que for prometido, pois uma vez com Raiva da pessoa, ele pode tirar tudo que deu.

Se bem tratado, se respeitado e amado com veemência, dará muito mais do que a pessoa pediu e claro, que esteja em seu merecimento receber. Seus iniciados quando praticam qualquer ato contrario às determinações dele, são cobrados de forma severa, e, essa cobrança pode ser de três, sete ou vinte e um anos, dependendo do erro.

Para alguns zeladores, ele é um Ogum muito briguento e feroz, e quando bravo se transforma em um Exú. Tem por hábito pegar as quizilas e problemas de seus filhos e adeptos para ele mesmo. Seu nome em Yorúba significa: Xoro = Cortar, Ké = feroz. Assim sendo, Xoroquê, se traduz como: aquele que corta ferozmente. Apenas pela tradução de seu nome podemos ver que se trata de uma entidade totalmente sem controle algum de nossa parte e assim sendo precisamos tratá-lo com muito zelo.

Grande guardião das forças espaciais, daquelas que habitam as esferas altas, Xoroquê tem assim livre passagem entre o mundo dos vivos e o mundo dos Orixás, encantados e dos mortos.

Uma ambiguidade que sempre está disposta a ajudar a nós seres humanos, com seus conhecimentos e com sua magia. Senhor absoluto das magias viaja através do tempo ajudando as pessoas que a ele recorrem.

Xoroquê então é na verdade nosso amigo, pronto a nos ajudar sem medir esforços, basta que saibamos como lidar com ele, como invocarmos sua força e com certeza ele virá em nosso socorro.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com