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sábado, julho 18, 2009

A DUALIDADE DE UMA ENERGIA CHAMADA EXÚ

Sabemos que a palavra Exú se traduz ao pé da letra como Esfera, nada tendo com o capeta cristão. Mas, para que serve essa energia afinal?

A verdadeira função desse Orixá é vigiar os portais que ligam nosso mundo, Ayê, ao mundo dos Orixás, Orúm. Além disso, desempenha papel de suma importância no jogo de búzios, uma vez que é ele quem vai buscar as respostas para os consulentes. Nada fazemos sem Exú, esse valoroso guerreiro e místico guardião.

Ao criar o mundo, Olorúm, Deus, deu a cada um de seus Ministros, nossos Orixás, uma função, e a Exú ele deu o poder da adivinhação, a força para proteger o reino dos Orixás a fim de que esse não fosse invadido por forças ocultas.

No Brasil e no resto do mundo, essa divindade é associada ao diabo, mas esse é um dos maiores enganos por parte das pessoas. Primeiro porque, na cultura Yorúba, Olorúm, Deus, não tem um rival como no cristianismo, ele é a força máxima e assim sendo nada nem ninguém poderia competir com ele.

Exú é simplesmente a dualidade das energias criadas. Para entendermos melhor essa ação, façamos uma comparação com a energia elétrica e algumas forças naturais: a mesma eletricidade que nos beneficia, ao fazer funcionar os motores de um ar condicionado para nos aliviar do calor, da geladeira, da televisão e de nosso computador, por exemplo, é a mesma que nos mata se entrarmos em contato com ela diretamente. A mesma chuva que irriga nossas plantações e nos traz o alimento, é a que nos mata se cair em excesso. O mesmo Sol que nos aquece para não morremos de frio, nos mata, se formos expostos de forma errônea a seus raios.

Assim como podemos ver, em tudo existe a dualidade e com Exú não seria diferente. Não que ele nos mate, mas, representa a magia, ou melhor, a dualidade da magia, o encanto em seus vários aspectos.

Na África, Exú é representado por chifres e falo. Mas, nada de imoral ou demoníaco possui nisso, e os estudiosos sérios, que não se deixam levar pelo fanatismo, sabem que, esses símbolos apenas representam força, virilidade e poder, e assim sendo nunca foi relacionado a uma energia como a do tal do capeta.

Exú inclusive é o responsável por nos ajudar em nossa manutenção, nos trazendo as condições para que possamos ter o dinheiro necessário para nos sustentarmos e á nossa família.

Em nossas lendas, nunca encontramos vestígios desse ser nas culturas dos povos africanos. Ao contrário: todas elas pregam que existe somente um Deus, chamado Olorúm, o qual a tudo criou e a tudo governa, com sabedoria e amor. E ele não possui nenhum rival, pois seu poder jamais será igualado a outro.

Da mesma forma que Exú conhece o planeta terra, conhece também os Orúns, céus, que formam a moradia de Deus e dos Orixás. Se usa o falo, não é por se tratar de uma imoralidade, mas sim, por representar a masculinidade necessária para que uma nova vida possa ser desenvolvida dentro do útero materno.

A complexidade desse Orixá é tanta e se reflete em seus eleitos, por isso é raro vermos uma pessoa que seja seu filho. Agradarmos a Exú em primeiro lugar significa muito em nossos rituais, e isso se dá porque ele é quem leva nossos pedidos aos nossos Orixás, é ele quem ronda ininterruptamente os portais que separam os mundos, além de ser ele o mensageiro entre os mundos, o encarregado de executar as tarefas que nossos Orixás não executam. Ainda temos que nos lembrar que Exú é o único Orixá que mais se aproxima de nosso mundo, uma vez que os demais vivem no Orúm, Céu.

Se seus conhecimentos são utilizados para o mal, nenhuma culpa lhe cabe, uma vez que deixou para nós, os segredos da guerra e da paz, da vida e da morte, devido a sua vontade de ajudar, mas, se esses segredos são utilizados para o mal, então o capeta somos nós mesmos.

Zelarmos dessa entidade é algo de imprescindível e insubstituível para o bom funcionamento das casas de santo, pois somente ele pode abrir os portais para que nossos Orixás entrem em comunicação conosco, e até mesmo para que nossos Guias e Protetores possam atravessá-lo e virem se comunicar através de seus médiuns.

É justamente essa grandiosa e maravilhosa dualidade que nos permite até mesmo o transe necessário para que possamos nos incorporar. Assim sendo, por que deixarmos que seja ele, associado a algo tão malévolo? Complicado e controverso é Exú? Sim! Mas, o que, dentro da criação divina não o seja, para nossa limitada compreensão?

Sergio Silveira, Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@gmail.com

odemutaloia@hotmail.com