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segunda-feira, agosto 17, 2009

OXAGUIÃ O COMEDOR DE INHAMES

Esse Oxalá se apresenta novo, guerreiro, destemido e aguerrido. Segundo as lendas seria filho de Oxalufã. Na África, seu principal templo fica em Ejigbo mesmo estado da radiosa yabá Oxum. Lá, Oxaguiã ostenta o título de Eléèjigbó, ou seja, O Rei de Ejigbo.

Muitas são as suas lendas no Axé Orixá, uma delas nos dá conta de que ele teria nascido em Ifé bem antes de seu pai se tornar o rei de Ifan. Orixá valente e guerreiro desejou em determinada idade, também conquistar um reino. Assim, acompanhado de seu amigo Awolediê, partiu em busca de seu sonho.

Nesse tempo Oxaguiã não atendia por esse nome.

Chegando a um reino chamado Ejigbo, destronou o rei tornando-se assim o seu sonho em realidade. E foi aclamado Elejigbô. Tinha Oxaguiã uma paixão por uma determinada comida: o Yan amassado. Ou seja: inhame amassado.

Contam as lendas que ele comia apenas essa comida, não importando que horas fosse, bastava sentir seu estômago vazio e imediatamente determinava que lhe fosse servida essa comida. Mesmo que fosse de manhã, de tarde, de noite ou de madrugada. Nenhuma outra comida o apetecia e somente aceitava o Yan.

Tamanha era sua adoração por essa comida, que ele chegou, segundo as lendas, a inventar o pilão, para que fosse preparada sua comida. Essa sua preferência fez com que os demais Orixás passassem a chamá-lo de OXAGUIÃ, ou seja: “Orixá comedor de inhame pilado”, e com esse nome é conhecido até os dias de hoje.

Seu amigo de jornada, Awolediê, era babalawô, e sempre o aconselhava no que devia ou não realizar e Oxaguiã nada fazia sem antes consultar seu amigo. Certa feita, Awolediê, lhe determinou algumas oferendas a serem feitas e garantiu que depois dessas, seu reino que era então tão somente um vilarejo na mata se transformaria em cidade grande e de muito poder. E assim, Oxaguiã o fez.

Após essa orientação, o babalawô viajou e suas previsões tornaram-se reais. A cidade crescera espantosamente, muitos habitantes haviam e essa cidade era cercada por altos muros e por fossos muito fundos, além disso, guardas armados, vigiavam todas as vias de acesso a cidade.

Em frente ao palácio de Oxaguiã existia um magnífico mercado que atraía gente de todos os lados do mundo. E o rei vivia com muita ostentação junto de suas mulheres e de todos que o amavam.

Havia uma proibição: que seu nome Oxaguiã fosse pronunciado por ser desrespeitoso devido a sua posição. A palavra usada para se referir a ele era, KABIYESI, que significa “Sua majestade”.

Após muitos anos, Awolediê retorna de sua viajem, mas, para sua infelicidade ele não sabia que o nome Oxaguiã era tabu naquelas terras. E assim, ele ao se aproximar de um dos guardas, pediu sem maiores formalidades, que lhe dessem notícias de seu grande amigo, o comedor de inhame pilado. Espantados com aquilo que chamaram de insolência, os guardas caíram sobre ele de pauladas, chutes, socos, e o jogaram em uma prisão, dizendo ser um ultraje se referir assim a Kabiyesi.

E assim quase morto com o tratamento recebido e com a alma morta pelo ultraje Awolediê dentro da prisão resolveu que iria se vingar de seu amigo, usando a magia que tão bem conhecia; e durante sete anos a chuva não caiu naquelas terras, as mulheres não mais engravidavam, e os cavalos do rei emagreciam cada vez mais pela falta do pasto.

Assim Elejigbô tomado pelo desespero foi em busca de um outro babalawô para que esse pudesse intermediar e assim resolver a situação; então o babalawô disse: “Kabiyesi, todo esse infortúnio se da pela prisão injusta de um de meus confrades! É preciso soltá-lo e implorar seu perdão Kabiyesi!”

E assim foi feito. Porém Awolediê estava tomado de ódio e mágoa e resolveu se esconder dentro da mata. Então o rei teve que deixar de lado sua imponência e ir até lá para lhe suplicar que o perdoasse e a seu povo. Por fim ele resolveu perdoar e permitir que a chuva voltasse a cair em sua terra e que todos os males fossem embora, mas, tinha ainda uma condição: “Oxaguiã, disse ele, todo ano em sua festa você deverá enviar muitos de seus súditos na mata e eles deverão cortar trezentos feixes de varetas. Depois deverão divididos em dois campos, surrarem-se até que as varetas gastem-se ou se quebrem”.

E até os dias de hoje,depois do fim da seca, os moradores de dois bairros de Ejigbo surram-se por um dia na esperança de que a chuva volte a cair, garantindo assim o alimento e a prosperidade.

Na Bahia nas cerimônias de Oxaguiã as pessoas das roças de santo dão surras simbólicas umas nas outras com varetas de café, os atorís, e depois cada um recebe uma porção de inhame amassado.


Sérgio Silveira. Tatetú N’Inkisi: Odé Mutaloiá.

odemutaloia@hotmail.com

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