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sexta-feira, abril 16, 2010

OGUM NA FORTALEZA DO HUMAITÁ

Dentro da Umbanda é comum ouvirmos o entoar de cânticos para Ogum, sempre valorizando sua condição de valoroso guerreiro, pronto a ajudar a quem esteja precisando de sua ajuda. Vejamos como exemplo alguns pontos entoados nas casas de Umbanda:

“Lá no Humaitá, onde Ogum guerreou, lá em alto mar, onde Yemanjá lhe coroou. Se a tua espada é de ouro, sua coroa é de rei, Ogum é táta de Umbanda, seu canjira de Umbanda, Ogum ieê”.

"Bandeira linda de Ogum, está içada lá no Humaitá, representando o general de Umbanda, Ogum vence demanda em qualquer lugar”.

Nesses dois pontos, temos a afirmação inequívoca de que Ogum foi invocado nesse campo de batalha. Mas, infelizmente, algumas pessoas acham que Humaitá não passa de uma alegoria, de um local que somente encontramos no imaginário da população. Mas, essa é uma forma equivocada de ver as coisas.

Humaitá existiu sim, era um forte existente no Paraguai, mais precisamente a margem esquerda do rio que possui o mesmo nome, e ao sul de sua capital Assunção.

Eis que naquela época, muitos dos marinheiros eram negros e como tal, não podiam de forma alguma encarar uma guerra sem pedir a proteção do santo guerreiro. Mesmo os que ali estavam, mas, que possuíam a fé católica, solicitaram a intervenção do valoroso São Jorge para que pudesse sair vencedores daquela demanda.

Curiosamente a palavra Humaitá em tupi guarani, traz o seguinte significado: hu = negro, ma = agora, e ita = pedra, assim sendo temos a tradução: a pedra agora é negra.

Temos então mais que um motivo para atribuirmos ao glorioso Ogum, São Jorge, essa vitória das forças brasileiras nessa guerra. Ogum como destemido que sempre foi, jamais iria se negar a intervir em uma batalha como essa, até porque segundo os historiadores, esse forte era o mais temível de sua época e dificilmente qualquer país teria dificuldades em invadir o mesmo.

Não importa se em tempo da guerra, chamaram por Ogum ou São Jorge, mesmo porque dentro do sincretismo existente em algumas partes do Brasil, Ogum é sincretizado com o Santo Católico, Jorge, que à exemplo do deus da guerra africano, era destemido de tal forma que teria matado um dragão para salvar uma donzela em perigo.

Assim, temos a existência de Ogum na batalha do Humaitá que se deu, devido ao Paraguai ter invadido o Mato Grosso. E lá estava Ogum para ajudar a quem o invocava com tanta força, daí a relação entre o santo e essa terrível batalha.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá