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domingo, julho 14, 2013

DEVEMOS SEMPRE PERDOAR NOSSOS FILHOS DE SANTO



Encontramos pessoas que nos enganam, mentem, ofendem, enfim: praticam uma infinidade de coisas que nos levam muitas vezes a chorar. Não é diferente dentro de uma casa de Santo, onde os filhos geralmente ofendem seus zeladores de tal forma, que esses preferem nunca mais ver aquela pessoa.

Passa-se o tempo, não importa o quanto e aquela pessoa volta pedindo perdão a seu zelador ou zeladora, se dizendo arrependido do que fez, que foi em um momento difícil de sua vida, dá suas explicações e o zelador aceita a pessoa de volta.

Uns menos esclarecidos, dizem que o zelador é bobo, que se fosse ele não aceitaria de forma alguma aquela pessoa pois que, se errou uma vez errará sempre. Existem até mesmo aqueles que dizem que o zelador tinha que queimar a pessoa para ela aprender.

Mas, essas pessoas se esquecem que nós, zeladores de Santo, somos realmente pais e mães das pessoas dentro do Santo e jamais um pai ou uma mãe deixa de perdoar seu filho, não importando o grau de sua ofensa. Acreditamos sim, que aquele filho que errou, merece uma segunda chance, afinal é carne de nossa carne, sangue de nosso sangue.

Dentro do Orixá, nossos filhos, possuem seu Orixá e este é filho de nosso Orixá, pois não temos o poder de sermos pais e mães de um Orixá. Mas a pessoa, essa sim, é nosso filho e filha dentro do Santo. Se são nossos filhos, como não perdoar seus erros?

Não temos o direito de negar perdão a quem quer que seja, isso nos ensinam Jesus e antes d’Ele, ensinava Iká, o portador dos mandamentos da doutrina Yorúba. Bem, se não perdoamos aos que nos pedem perdão, como esperar que Olorúm ou nosso Orixá nos perdoe as faltas cometidas?

Não entendem as pessoas que nossos filhos de Santo, são para nós como filhos carnais e os amamos com a mesma intensidade! Sentimos quando sofrem, choramos quando choram e nos alegramos quando estão felizes! Sentimos tudo isso, porque o amor que se expressa, não provem de nosso coração terreno, esse que a Terra irá comer, mas, provem da alma, do espírito, pois são nossos filhos e esse amor é dado pelo Orixá.

Determinada época recebi o seguinte recado de meu Pai Odé: “aquele que perde perdão, merece ser perdoado.” Então, como negar algo que o próprio Orixá nos convoca a fazer? Melhor seria então, abandonarmos a religião! Sim! Abandonar, sair, pois se não podemos seguir ao pé da letra o que nosso próprio Santo determina ou pede, estamos então no local errado!

Sim, nossos filhos erram conosco. Mas, quantas vezes erramos com nosso zelador ou zeladora? E eles ali estavam prontos a nos darem seu perdão, nos corrigir sim, devido a nosso erro, mas nos perdoando e cuidando de nós e de nossos Santos. As pessoas precisam entender de uma vez por todas que, quando um Santo nos pede para o alimentar ou mesmo ficar em nossa casa, nós o servimos e não ele a nós! Somos nós os eleitos, pois aquela deidade escolheu nossa mão!

Mas, com tristeza em meu coração, vejo algumas pessoas pensarem o contrário e acharem que o Orixá ali está para o servir. Não! Nós servimos às deidades, e quando alimentamos o Santo de um filho, temos que estar ali com o coração livre de ódio, de mágoa e de tudo que for negativo, pois nossa missão é literalmente, cuidar de nossos filhos de Santo, pois dependem de nós!

Perdão, é a palavra mais anunciada, mas o sentimento menos praticado no mundo, e nós que somos de uma religião que aqui foi deixada por escravos, e que somos perseguidos até hoje por culpa do pré-conceito e da intolerância, não podemos deixar jamais de praticar o perdão.

Ao perdoarmos nossos filhos, mostramos acima de tudo, amor ao Orixá. Tanto o nosso quanto ao dele, pois se estão em nossas casas não foi à toa. Tudo nessa vida tem um por quê, e não seria diferente quando uma pessoa vem para nossa casa.

Perdoarmos nossos filhos, é praticar ainda a máxima de Cristo: “faça a seu próximo somente o que gostaria que lhe fizesse”. E quem de nós gostaria de pedir perdão ao Santo e não sermos ouvidos e atendidos?

Ao perdoarmos os que erraram conosco, independente da gravidade do erro, estamos promovendo equilíbrio em nossa vida e deixando nossos Orixás felizes. Que entendam as pessoas de uma vez por todas que; um pai ou mãe de Santo, sempre irá perdoar seus filhos, pois os amamos acima de seus erros.

Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.




PLÁGIO

Prezados leitores e amigos: devido a algumas pessoas estarem copiando o que escrevo em meu blog e publicando sem citar a fonte, como foi o caso de um determinado Ogã de Minas Gerais, que teve  a cara de pau de publicar um artigo meu como se fosse dele, fui obrigado a blindar o mesmo contra selecionar e copiar.

Mas, pessoas sérias existem e publicaram meus textos citando a fonte. Assim sendo, se alguém quiser algum texto aqui publicado, basta escrever para o e-mail: odemutaloia@gmail.com que terei prazer em enviar ok?

A HISTÓRIA DO JOGO DE BÚZIOS, COMO TUDO COMEÇOU.



Existia há muito tempo atrás em uma Cidade Sagrada na África, um homem que andava pelas ruas, ia de cidade em cidade, realizando consultas para os outros com os búzios. Este homem era Exú. Sempre que alguém desejava saber de alguma coisa de sua vida, risco de doença, se teria êxito nas plantações, etc., recorria a Exú para que ele consultasse Ifá e revelasse assim o que desejava a pessoa saber.

Eis que um dia ele chegou em uma cidade e ali passou tempos consultando as pessoas e orientando no que deveria fazer seu consulente para que pudesse obter favores de seus antepassados.

Lembro que, para as civilizações antigas, existiam os deuses e estes habitavam o além, o céu, o inatingível e, as pessoas ao morrerem seguiam para esse local sagrado para ali viverem com seus antepassados que lá estavam. Nessa época, ac reeditava-se ainda que os Reis e Rainhas eram pessoas escolhidas pelos deuses para governarem determinada Nação.

Então, esses antepassados ao se trasladarem para o Orúm Céu, ali viviam com os que o antecederam tanto na vida terrena quanto lá na Cidade Sagrada. E posteriormente voltavam para ajudar aqueles que amavam aqui na Terra, propiciando através de interferência com os deuses, fartura na colheita, vitória em guerras e assim por diante.

Não tinham os povos, deste tempo, conceito de um Deus único e assim, para eles, os deuses eram criação suprema e seus antepassados se merecessem, viveriam com eles e se tornariam deuses também, mesmo que em relevância menor.

Então, Exú ali ficou naquela cidade dando consultas a quem precisasse e pagasse por ela. Porém, nesta cidade existia um senhora muito rica que habitava em um palácio com muitos escravos e possuía ouro em abundância tamanha que nada nem ninguém conseguia ultrapassá-la na riqueza, pois a mesma vinha de dentro do chão e lhe fora concedida por Obaluayê. E esta senhora era Oxum.

Ao tomar conhecimento de tamanha sabedoria em um homem que vivia bebendo, se embriagando, mas mesmo assim tinha o dom que muitos queriam, ela o convidou a fazer uma visita em seu palácio. No dia e hora marcados, Exú chegou em seu palácio e se fez anunciar através dos escravos, que ele ali estava atendendo ao convite.

Oxum que estava ricamente vestida a fim de seduzir seu visitante, prontamente mandou que o recebessem, e enquanto ele esperava por ela, que lhe servissem vinho, carne e tudo o mais que ele desejasse.

Algum tempo depois, Oxum aparece e ao se depara com tamanha beleza e sensualidade, Exú previu uma noite de prazeres imensos. Mas, astuta com era, Oxum foi levando a conversa em outros terrenos e finalmente chegou ao ponto que queria, pois Exú estava embriagado. Então ela lhe disse:

“Na verdade o chamei aqui pois ouvi dizer que tens o dom de adivinhar as coisas do passado, presente e futuro através dos búzios. Isso é verdade”?

Respondeu Exú: “sim, é verdade. Foi-me concedido esse dom, mas para que as pessoas possam saber o que desejam, devem me pagar e eu por minha vez, devo pagar tributo aos deuses por me concederem tal dom”.
“Como poderia uma pessoa também efetuar tal ciência?” Quis saber Oxum.

“Muito difícil, uma vez que somente eu tenho os segredos de como manipular os búzios” Respondeu Exú.

Então Oxum mandou que lhe servissem mais vinho, mais comida e começou seu jogo de sedução, porque ninguém escapava de sua arte de seduzir e encantar e com isso ela obtinha tudo que queria. Mas Exú era tão esperto quanto ela e se deixou levar por seu jogo, pois ansiava ver no que culminaria o mesmo.

Ao ver que ele estava ainda mais bêbado e alegre aos extemos devido ao uso do vinho e outras bebidas, ela se aproximou dele e disse:

“Será que eu conseguiria aprender com vós, valoroso guerreiro e feiticeiro os mistérios dos búzios”?

Respondeu-lhe Exú: “não sei, pois não tenho interesse de passar os mesmos adiante”.

“Mas, e se eu dormisse com você?”

“Bom, dormir com uma mulher de beleza tão exuberante e que faz inveja aos seus próprios deuses, seria para mim, honra e orgulho, mas mesmo assim não lhe concederia o que quer”.

“Deixemos pois, de conversa e me diga o que preciso para ter acesso a esse segredo, pois muito me interessa”. Disse Oxum, possuída de ira, pois ele estava resistindo a sua sedução coisa de ninguém antes fizera.

Exú antevendo ali a oportunidade de ganhar muito mais do que poderia ganhar em toda vida, porque via baús e mais baús cheios de ouro, respondeu a ela prontamente não se importando com sua ira:

“Minha senhora, me curvo perante tamanha beleza que possui, confesso que uma noite em seus braços, a morte poderia me levar depois, pois tenho certeza de que nunca mais encontrarei beleza e formosura que se compare à sua. Mas, como lhe disse, tenho que pagar tributo aos deuses, assim sendo poderíamos negociar a ciência em troca de ouro que vejo, não lhe falta e sua riqueza supera a de Reis”.

“E quanto de ouro deseja para me passar seus conhecimentos”? Disse Oxum.

“Pois bem” disse Exú que não pretendia deixar passar a oportunidade: “me dê dois baús de ouro e lhe passo os segredos”.

“Dois Baús?!” Disse Oxum estupefata com tamanha ganancia. “Não acha muito caro para ensinar algo”?

“Este é meu preço, se não quer, boa noite, passe bem, pois seguirei meu caminho”. Respondeu Exú e levantou-se para sair.

Mas, Oxum lembrando-se do que lhe fora dito por um babalawô quanto o consultou através de Opelê Ifá, prontamente impediu a saída de Exú e disse:

“Sei que a mim também é o direito de saber os segredos de tamanha fonte, pois assim me foi revelado e Orumilá deu-os a você para que dividisse comigo”!

Exú que não perdia para ninguém respondeu:

“Bom, se é direito seu, busque diretamente com Ele esses segredos pois eu não os passarei sem o pagamento que pedi”.

Oxum vendo que não tinha saída respondeu:

“Pois bem, te pagarei o que pede, mas somente depois de me passar todos os segredos e ainda, com a promessa de que não usarás mais esse segredo em meu reino, pois pretendo ter de volta o que lhe dou, e as pessoas terão que pagar a mim”.

Trato feito, Exú então passou os conhecimentos do Oráculo de Ifá para Oxum, ensinou-lhe as quedas, o que significava cada uma, o que era cada posição do búzio, enfim; tudo mesmo, apenas uma coisa ele não passou-lhe: o jogo de 21 búzios o que fez com que Oxum o interpelasse novamente:

“Lhe paguei e me ensinastes, mas pela metade, pois jogas com 21 e passaste para mim apenas 16. Assim sendo como poderei ganhar dinheiro se não tenho o jogo completo”?

Então, Exú abrindo seu jogo de 21 búzios, consultou a Ifá na presença de Oxum e a resposta foi apenas uma: “Os descendentes de Oxum, terão direito a aprender os segredos dos búzios, mas, que seja passado a ela e a seus descendentes somente o segredo dos 16 búzios, pois se a humanidade souber os mistérios dos 21 búzios, perderão a mortalidade e serão imortais”.

Então Oxum, se conformou e passou a partir daquele dia, a jogar os búzios e com isso recuperava o que pagou para aprender. E mais tarde ela passou seus segredos para seus filhos e filhas e esses para os seus e assim o foi até os dias atuais.

Por isso nós, zeladores de Santo, cobramos a consulta aos búzios: porque Oxum pagou para aprender e aqueles que a ela recorriam pagavam também. Não cobramos porque queremos, ou porque é trabalho como dizem alguns. Cobramos para evitar que Oxum nos tire o dom da visão e assim, não mais consigamos enxergar o que dizem os Orixás através de seu Oráculo Sagrado.

Não somos vagabundos como dizem os que querem jogar sem pagar. Alegam isso dizendo que não trabalhamos e vivemos extorquindo os outros. Cobramos pois assim é a lei. Tenho minha empresa, não dependo dos búzios para comer, mas sim para com o que ganho com eles, sustentar o Orixá. E como eu, muitos outros trabalham, possuem empregos ou mesmo seu negócio próprio, mas a Lei do Orixá determina que sejam cobrados nosso chão tanto pelo jogo como pelo que fizermos de obrigação.

Não vamos explorar, mas se não cobramos, quem vai arcar com as despesas de um barracão como: água luz, telefone, gás e outras? Posso afirmar que ninguém, pois quando um zelador de santo pede ajuda para algo, dificilmente é atendido pelas pessoas.

Não comercializar a fé e correto e obrigatório. Mas, cobrar nosso chão é direito e justo.

Sérgio Silveira, Tatetú N’Inkisi Odé Mutaloiá.

Tatetú Odé Mutaloiá é empresário, escritor, pesquisador de religiões, produtor de eventos, vice-presidente da UNESCAP, União Espírita Capixaba e presidente de seu conselho religioso, e atua como babalorixá dando consultoria a todos, inclusive políticos, empresários e outros, dentro do maior sigilo.