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sexta-feira, fevereiro 28, 2014

A DEMONIZAÇÃO DAS RELIGIÕES AFRO BRASILEIRAS



Com o crescimento da população mundial e consequentemente o uso da Internet para pesquisas, tivemos, nós povo do Santo, ou, iniciados nos preceitos da religião dos africanos, o Candomblé, a falsa esperança de que o pré-conceito e a discriminação com nossa classe fosse suplantada. Mas, ao contrário, pois que, essas ferramentas tão promissoras e que tanto nos auxiliam em diversos trabalhos, tem sido usada com frequência para aumentar ainda mais a discriminação e perseguição que as pessoas do Candomblé e mesmo da Umbanda sofrem.

Vemos cada dia mais, nossos nomes e de nossos Orixás, serem usados como referência ao satanismo, com afirmações ridículas e escabrosas de que até mesmo praticamos o sacrifício de pessoas e de crianças. Mas, para os que estudam, existe a prova contrária a isso.

Nós, do Santo, amamos a vida acima de tudo. Não compartilhamos jamais de rituais que incluam sacrifícios de pessoas, pois temos a certeza de que, todos, independentemente da cor, raça, sexo ou credo, somos filho do mesmo Deus que a tudo criou e assim sendo Reina no Infinito. Como podemos então, admitir tais coisas em nosso meio?

Ocorre que a demonização das religiões, ditas, “pagãs” veio com o fanatismo ainda, dos primeiros cristãos, que sedentos de poder, destruíram os cultos de outras civilizações sem ao menos dar-lhes o direito de apresentarem sua defesa.

Se formos olhar a história, como ela é, veremos que alguns de seus “profetas” e pastores, tinham muito medo de que a religião que se implantava desde o Século I, se perdesse e com isso, manipulando a tudo e todos, partiam para as aldeias e queimavam e destruíam tudo que encontravam em sua frente.

Não foi somente um povo a ser destruído, mas vários, e isso a história nos conta e nos prova. Existem aqueles que teimam em dizer que os evangelhos como conhecemos, foi na verdade manipulado desde o início com a compilação de Constantino, que segundo historiadores foi quem determinou esta reunião de textos e suas correções segundo ele mesmo acreditava. Mas isso é coisa para a ciência e os estudiosos.

O que podemos ter como certeza é que, foram sim massacrados esses povos e condenados a morrerem de forma brutal, tudo em nome do fanatismo, que tanto dano causa ainda no mundo de hoje. Temos provas disso as mais variadas, como o caso do deus Baal, antiga divindade cananeia que somente era cultuado como sendo o deus da fartura e da virilidade, como nos mostra o Professor, Pablo Michel Magalhães, em sua página: http://ohistoriante.com.br/baal.htm.

Segundo esse Professor, “Baal era cultuado pelos povos semitas ocidentais, que eram politeístas (adoravam várias divindades), e seus deuses possuíam características muito parecidas. A eles, os semitas davam o nome de Baal. Juntamente com El, representava a divindade suprema do panteão cananeu”.

Segundo seu relato, Baal, “era cultuado como sendo uma divindade relativa à fertilidade, tinha sua imagem associada às chuvas que renovavam as colheitas. Seu principal rival era Mot, divindade da seca e da morte. Assim, Baal representava a vida e suas forças ativas, enquanto El tinha como principais atribuições a sabedoria e a prudência da vida adulta.”

E o fim de seu culto se deu graças aos cristãos como retrata para nós: “As tribos israelitas, ao chegarem à Canaã (a terra prometida por Iavé nas tradições hebraicas), passaram a denominar de Baal todos os deuses locais, sem distinção. No século IX, a princesa Jezabel (fenícia, casada com Acabe de Israel), pretendeu instituir o culto ao seu deus, Baal, em detrimento do culto a Iavé, divindade única dos hebreus. Tal atitude fez com que os israelitas passassem a repudiar Baal, transformando esta divindade em uma personificação de todos os "falsos deuses".

Além disso, havia a lenda de que cartagineses faziam sacrifícios de crianças (os primogênitos de cada família) ao deus Baal Hammon, Esses acontecimentos contribuíram para que os israelitas cultivassem uma imagem sanguinária desse deus semita.”

Então, prova-se mais uma vez, que somente o fanatismo foi o culpado por atos totalmente fora dos ditames da boa convivência. Sem contar que a própria palavra demônio, tem suas contradições: sua origem é da língua grega e era muito usada por Sócrates: demos e sim daimon (“divindade, gênio”). Seu sentido entre os gregos antigos, bem diferente do atual, era o de espírito que atuava como mensageiro entre deuses e homens. A acepção de “espírito do mal, diabo” colou-se à palavra latina daemon na era cristã. (http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/as-palavras-democracia-e-demonio-tem-algo-em-comum/)

Então, o que temos se não o fanatismo mais uma vez espalhando o terror por onde quer que passe? Muito preocupa a todos nós, sacerdotes de Orixá, a demonização cada vez maior de nossa religião e de nossa fé. É de suma importância que todos os que tiverem algo relacionado a desmistificação desse fator horroroso, publique, pois que, somente através de ações esclarecedoras ´poderemos retirar de nosso seio atos tão impregnados de ódio, como a invasão de templos por pessoas de outros credos.

Somos constantemente violentados em nosso sagrado direito de praticar nossa fé, o que aliás é garantido pela Carta Magna de nossa Nação, a Constituição Federal, mas muito pouco a justiça tem feito para calar a boca daqueles que não perdem tempo nem medem esforços para nos atacar.

Mesmo nossos representantes, Deputados, Vereadores e Senadores, muito pouco ou quase nada têm feito para coibir tais abusos. Cabe a nós, rezar aos nossos Orixás e Guias para que essa era passe e que possamos ver nossos filhos convivendo harmoniosamente com outros que não comunguem de nossa fé.

Não nos enganemos, pois a demonização e a perseguição contra nós, é algo ainda de maior importância para os cristãos, pois que, julgam-nos o câncer da humanidade, o tumor que tem que ser extirpado de qualquer forma. E, enquanto ações severas dentro da Lei não forem tomadas, continuaremos a ver nossos Templos invadidos e nossos irmãos sujeitos até mesmo a surras por parte dessas pessoas que são tudo, menos filhos de Deus.