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segunda-feira, março 10, 2014

A IMPORTÂNCIA DOS RITOS FÚNEBRES



Em todas asa religiões, ao menos naquelas mais antigas, existem os ritos fúnebres, a fim de darem seguimento ao espírito do morto no além. Algumas tribos mais antigas, queimavam os corpos com tudo que lhe pertencia: espada, utensílios etc., a fim de que o morto pudesse ter no outro mundo, na outra vida, tudo o que necessitasse, pois que, acreditavam que na vida pós morte, o espírito viveria de conformidade com a Terra. Se era um guerreiro, como no caso dos Vikings, a espada acompanhava seu dono, pois da mesma forma que tinha inimigos nessa vida, poderia ter na outra, e como lutar sem sua espada?

Os católicos, usam o velório, que traduzido ao pé da letra, significa, queimação de velas, pois naqueles instantes que ali estão, são acesas velas de forma ininterrupta  bem como rezam o terço e outras preces no sentido de iluminarem  a alma do defunto com as velas, e que também seja sua chama, a luz que o guiará no outro mundo, bem como a simbologia de sua fé, ou seja, a Luz de Deus em sua vida e as orações são para pedir aos céus, que os Anjos recebam aquela alma e o encaminhem para o paraíso onde Nosso Pai está.

Na Umbanda, temos o velório, só que rezado em orações variadas a fim de que, aquele desencarnado, encontre seu caminho, e que seja recebido pelos espíritos de luz, sejam, Caboclos, Pretos Velhos e outros, para que o encaminhem para um local de descanso onde poderá se redimir de seus erros, bem como, receber o auxílio tão imprescindível para os que desencarnam.

Mas, todos os atos, são na verdade, honras à memória do morto, bem como, súplicas para que seus erros sejam apagados, uma vez que nesse mundo todos nós erramos e muito em nossa vida em nosso dia a dia. Servem esses atos, para encomendarem o corpo à Terra, pois o espírito já está encomendado, serve para que as últimas horas que passamos com nosso ente, sejam de paz e conforto para os que ficam, mas, principalmente para aquele que vai.

Dentro do Candomblé temos sim, nossos rituais fúnebres e eles variam de cada pessoa e de seu cargo. Assim sendo, os ritos daqueles que são borizados, são diferentes dos que são raspados, e esses possuem a diferença entre sua idade de Santo e o cargo que possuem. Mas, seriam esses nossos ritos realmente necessários? Sim. Pois sem eles, o desencarnado não encontra a paz em sua vida pós túmulo.

Ocorre que, se não houvesse necessidade desses ritos, os antigos não os teriam introduzido em nosso culto. Sabemos que nós os seres humanos, somos descendentes de nossos ancestrais, e que em algumas casas, os Orixás tiverem sim, vida terrena, sabemos ainda, que os que se foram antes de nós, tiveram seus rituais e com eles, puderam ingressar no local onde estavam os que os antecediam, e nossos rituais ainda hoje servem para isso.

Raspamos nossos filhos, os borizamos e assim os preparamos para a vida neste Planeta, então, temos que saber o que fazer quando desencarnam para que tanto sua alma, quanto seu Orixá, Guias, Exus, tenham a mesma liberdade, ou seja: dêm por completo o seu ciclo terreno. Os atos que fazemos, são secretos, como tudo em nossa religião, e somente aqueles que possuem a idade certa e o conhecimento para tal podem participar. São ritos tristes, obviamente mas que, garantem que aquele espírito seguirá sua nova jornada, mais tranquilo e mais feliz, pois cortamos seus vínculos com tudo o que pertence a esse Mundo e o permitimos caminhar em sua nova etapa.

O que não podemos de forma alguma, é deixar esses ritos esquecidos, nem mesmo ficar chamando o nome daquela pessoa que se foi durante nossa vida.

Da mesma forma que, quando fazemos uma viajem, ansiamos o momento de voltar para nossa casa, o espírito sente desejo de se libertar desse mundo e voltar para sua verdadeira morada. A morte, nada mais é que uma transformação, onde saímos dessa vida ilusória e passageira, para voltarmos para nossa verdadeira vida, junto de Olorúm e de todos os nossos antepassados.
Não existe o porquê de termos medo da morte, nem mesmo dos defuntos, pois esses não nos fazem mal algum. Ao contrário, tudo que desejam mesmo é ir embora e nem mesmo olhar para trás.

Mesmo quando morre uma pessoa em nossa família e que não seja do Santo, é bom nos resguardamos uns dias, afinal, morte é morte. Alguns insistem em dizer que se a pessoa não é do Santo, não existe necessidade de se resguardar em nada e de nada. Mas eu, creio que temos sim que nos resguardar, até mesmo para honrarmos a memória de quem se foi.

Sabemos que quando morre alguém em uma casa de Santo, todas as comidas são suspensas e não acendemos velas que não sejam para o defunto. Temos para isso nossos motivos, mas, se analisarmos bem, mesmo que a pessoa não seja do Santo, devemos seguir alguns ritos, pois irão nos garantir, por exemplo, que aquele espírito não nos incomodará.

Por que algumas casas são mal assombradas? Porque o espírito que ali está, pode ser de uma pessoa que tenha morrido com raiva, pode ser que tenha deixado algo para trás sem que ninguém soubesse, enfim, são tantos os casos e motivos, mas o importante é que sejamos conscientes de que temos rituais a serem feitos e que esses se estendem em nossas casas e nos corpos daqueles que ficaram na Terra.

Os ritos fúnebres são tão importantes como os que fazemos para alimentar um Orixá, pois os que se foram precisam de se libertarem desse mundo de dor e sofrimento. Nada temos de melhor para os que se foram, do que nossa oração, nossos ritos e a paz que os transmitimos através de vibrações positivas na certeza de que ele se foi, nós ficamos, mas um dia nos encontraremos de novo.