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sexta-feira, abril 29, 2016

                                                   

As Setes Lágrimas de um Preto Velho

Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, fumando o seu cachimbo um triste Preto Velho chorava. De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pela face e não sei por que as contei... Foram sete. Na incontida vontade de saber, aproximei-me interroguei-o:

Fala meu Preto Velho, diz ao teu filho porque externas assim tão visível dor?
E ele suavemente respondeu:

- Estás vendo esta multidão que entra e sai?
As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.

Primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, Para saírem ironizado aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber;

A segunda,  a esses  eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que façam os alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam;

A Terceira distribui as meus aqueles que somente procuram a umbanda em busca de vingança, desejando sempre prejudicar ao semelhante;

A quarta, aos frios e calculistas, que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma, e não conhecem a palavra gratidão;

A Quinta, chega suave, tem o sorriso, o elogio da flor dos lábios, mais  se olharem bem meu semblantes verão escrito: creio na Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zambê, mas somente se resolverem a  meu caso ou me curarem disto ou daquilo;

A Sexta, eu dei aos fúteis, que vão de centro em centro, não acreditando em nada, buscam aconchego, conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente;

A Sétima, filho, nota como foi grande e como deslizou pesada?
Foi a ultima lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos médiuns vaidosos(as), que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrina. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual. Assim, filho meu, foi para esses todos, que vistes cair, uma a uma.



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